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Domingos Olímpio celebra a força no último dia de Carnaval

opovo.com.br By Luciana Cartaxo; Flávia Oliveira; Luciana-Cartaxo--Flavia-Oliveira 2026-02-17 712 words
Na avenida Domingos Olímpio, Carnaval reúne tradição e diversidade

Resumo

A modelista Suellen Ribeiro é um dos destaques da Imperadores da Parquelândia e celebra a tradição de desfilar na via onde cresceu.

Pela primeira vez na avenida, Ana Carolina Marques integra o Afoxé Acabaca, reforçando a presença da cultura afro-brasileira na festa.

Participantes destacam o desfile como espaço de valorização cultural e de combate a preconceitos religiosos.

A avenida Domingos Olímpio voltou a ser tomada pelo brilho das fantasias, pelo som dos tambores e pela força das manifestações populares nesta terça-feira de Carnaval, em Fortaleza.

Considerada um dos principais corredores da folia na Capital, a via reúne escolas de samba, afoxés e grupos culturais que transformam o espaço em palco da diversidade e da tradição.

Entre os destaques da noite está a escola de samba Imperadores da Parquelândia, que leva para a avenida a modelista Suellen Ribeiro, 41.

Mulher de muitos talentos, já trabalhou como maquiadora, cabeleireira e dançarina profissional de bandas de forró; ela celebra a oportunidade de desfilar em um espaço que faz parte da própria história.

"Nascida e criada na Domingos Olímpio", como faz questão de dizer, Suellen participa da festa acompanhada do marido, Éverton, e do filho Marcos, de 12 anos.

Para ela, o retorno à avenida representa mais do que um momento de lazer. É também a reafirmação de um vínculo afetivo com o Carnaval de Fortaleza. A intenção, afirma, é manter a tradição e voltar a desfilar todos os anos.

Estreia na avenida

A analista de sistemas Ana Carolina Marques, 28, vive uma experiência inédita. Pela primeira vez, ela desfila na Domingos Olímpio integrando o Afoxé Acabaca. O convite partiu do mestre de capoeira Rafael Magnata ao grupo de danças africanas do qual ela faz parte.

A estreia carrega significado especial. Para Ana Carolina, participar do cortejo é uma forma de fortalecer as raízes culturais e ampliar o diálogo sobre as tradições de matriz africana dentro do Carnaval.

Também no Afoxé Acabaca, os amigos Marília Alves, 25, e Alysson Freitas, 21, encontraram no desfile um espaço de expressão cultural e política. Eles se conheceram no curso de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), mas foi no grupo de percussão Caldeirão da Adufc, sindicato de docentes das universidades federais, que a amizade se consolidou.

Pesquisadora, Marília destaca a importância da ocupação da avenida como forma de valorização cultural. Já Alysson, professor, ressalta o papel pedagógico do afoxé.

"O afoxé é um Candomblé de rua, e a carnavalização é uma maneira de levar para a avenida o que é feito nos terreiros", afirma.

Entre batuques, fantasias e narrativas pessoais, a Domingos Olímpio reafirma seu lugar como um dos principais palcos do Carnaval de Fortaleza, onde tradição, religiosidade e identidade se encontram e se reinventam a cada ano.

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Criatividade, inclusão e disputa por premiação na avenida

O decorador e designer Reynaldo Coelho, 60, apostou na criatividade para chamar atenção do público e dos jurados. Vestido de Barbie, personagem para a qual costura roupas e da qual é colecionador, ele desfilou no tradicional Bloco dos Sujos com um objetivo claro: conquistar o prêmio de melhor fantasia.

"Neste ano eles vão dar R$ 5 mil para o primeiro lugar e R$ 3 mil para o segundo. Quero levar esse dinheirinho para casa!", afirma, animado com a possibilidade de transformar a paixão pela boneca em reconhecimento na avenida.

A abertura dos desfiles das escolas de samba ficou por conta da Sambamor, que levou para a passarela do samba o enredo "Encantos que o tempo levou, nordestino cantou". O cortejo deu início à sequência de apresentações que ocupam a via ao longo da noite.

Público cresce com início dos desfiles

As arquibancadas montadas no canteiro central da avenida Domingos Olímpio, assim como as calçadas ao longo da grade de proteção, registravam ocupação baixa no início da programação.

Com a entrada das escolas de samba na avenida, no entanto, o público aumentou e passou a preencher gradualmente os espaços destinados aos espectadores, acompanhando as apresentações com mais intensidade.

Outro destaque da programação é a presença de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), posicionados ao lado dos cantores responsáveis por puxar os sambas-enredo de todas as escolas. A iniciativa amplia o acesso ao espetáculo e reforça o caráter inclusivo da festa.

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