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Auditor acessou dados de parente de Gilmar Mendes, diz associação

ultimosegundo.ig.com.br By Vitor Hugo Girotto 2026-02-18 449 words
O presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, afirmou nesta quarta-feira (18) que um auditor- fiscal da Receita Federal confirmou ter acessado dados de uma parente do ministro Gilmar Mendes em novembro do ano passado.

A declaração foi feita um dia após a Polícia Federal realizar operação contra quatro servidores públicos, suspeitos de envolvimento no vazamento de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de familiares.

Em entrevista, Cabral relatou que o auditor foi ouvido pela administração da Receita Federal, e não pela Polícia Federal. Segundo ele, o servidor explicou que acessou o sistema para verificar se a pessoa era parente de um antigo conhecido.

"Ele teria feito um acesso em meado de novembro do ano passado. Ele lembrou disso e fez a explicação. Ele tava atrás de saber se essa pessoa era uma ex-mulher, enfim, era uma parente de um colega com o mesmo sobrenome da mesma região lá de Cuiabá, no Mato Grosso do Sul, e que tinha sido amigo dele de longa data e ele foi fazer isso. Quer dizer, pode fazer? Não, não pode", contou Cabral.

O representante da associação afirmou que o auditor permaneceu apenas na tela inicial do sistema. "Ele só ficou naquela telinha inicial de vínculo de parente, entendeu? E isso, de uma declaração de 2008, ou seja, quem é que vai querer pegar dados de alguém de 2008 para vazar hoje."

O presidente da Unafisco ainda declarou que o servidor negou ter acessado dados bancários. "Não tem absolutamente nada a ver com os fatos que estariam sendo investigados."

Operação da Polícia Federal

Na terça-feira (17), a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Salvador, no Guarujá e em São José do Rio Preto (SP). As medidas foram determinadas por Alexandre de Moraes após representação da Procuradoria-Geral da República.

Segundo o STF, a investigação é um desdobramento do inquérito das fake news e apura "diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal e o vazamento das informações sigilosas".

Críticas às medidas do STF

Durante a entrevista, Cabral criticou a ação da Polícia Federal e afirmou que a medida afeta a atuação dos auditores.

"Esse tipo de medida busca humilhar, constranger e amedrontar. Se você perguntar hoje quem está disposto a organizar um grupo de fiscalização para investigar autoridades, provavelmente não encontrará ninguém. Tornou-se menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República", declarou.

Ele também questionou a relação entre o acesso feito pelo auditor e os supostos vazamentos investigados.

"Isso é muito diferente de mandar mais de 100 pessoas para fazer uma apuração aberta. A chance de falso positivo é enorme", afirmou.

O caso segue sob investigação da PF.

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