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Onda de crimes no Ibirapuera põe frequentadores e vendedores em alerta

metropoles.com By Isabela Thurmann 2026-02-19 1244 words
Onda de crimes no Ibirapuera põe frequentadores e vendedores em alerta

Furtos de visitantes e arrombamentos de quiosques têm assustado quem frequenta o parque para passear e trabalhar no Ibirapuera

atualizado

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Um episódio de violência dentro do Parque Ibirapuera, zona sul de São Paulo, gerou uma situação traumática para o publicitário Gabriel Ferraz, de 31 anos, nessa terça-feira (17/2). O homem estava no local com esposa para levar o filho deles, de 8 meses, pela primeira vez ao parque, quando ouviu gritos de "pega ladrão".

De repente, a família se viu no meio de uma confusão. De um lado, pessoas segurando o suposto criminoso. Do outro, um grupo de adolescentes tentava libertar o amigo aos gritos. O tumulto fez vendedores de coco fecharem seus quiosques, com medo. Gabriel tentou acionar os órgãos de segurança, mas a ajuda só chegou mais de meia hora depois.

"[Não havia] sinal de segurança ou autoridades. A segurança das famílias [foi] feita pelas próprias famílias e por alguns comerciantes que se sensibilizaram com a situação. O controle da situação [foi] feito pelos frequentadores do parque", lamentou o publicitário.

Relatos de insegurança no Ibirapuera têm se tornado cada vez mais comuns, deixando frequentadores e trabalhadores do local em alerta. Comerciantes que atuam no parque disseram ao Metrópoles que, só nea terça-feira de Carnaval, 12 casos de furtos teriam sido registrados por seguranças do parque. A Urbia, que administra o local, não confirma os dados oficialmente. A reportagem confirmou ao menos três casos neste dia.

Quiosques no alvo

Sem se identificar, por medo de sofrer represálias, os vendedores dizem que as ações de criminosos no Ibirapuera têm aumentado nos últimos cinco meses. E um dos principais alvos são justamente os quiosques que vendem côcos e outros alimentos. Não é difícil andar pelo parque e encontrar um vendedor que tenha sido vítima dos ladrões.

Como mostrou o colunista Demétrio Vecchioli, na semana passada, os estabelecimentos têm sido saqueados com frequência. Depois que a reportagem foi publicada, dois novos casos foram registrados. Um deles também aconteceu na terça, por volta das 21h, quando o parque ainda estava aberto.

Os ladrões usaram uma barra de ferro para arrombar o quiosque. Pouco tempo depois, um vendedor de outro ponto viu quando um adolescente apareceu com uma caixa cheia de produtos em uma área de mata. Quando ele se aproximou, o jovem abandonou a caixa e fugiu.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o vendedor encontra o quiosque saqueado e traz a caixa de volta ao local. O estabelecimento está totalmente aberto e parece revirado. As imagens mostram dois seguranças privados do parque em frente ao local. Um deles diz que a falta de iluminação ali facilita a ação dos criminosos.

A rua em que o quiosque foi saqueado está sem luz há mais de duas semanas. O Metrópoles apurou que esse mesmo quiosque já foi assaltado ao menos oito vezes em cinco meses.

Os vendedores do parque dizem que há um padrão nos furtos e arrombamentos vistos no Ibirapuera: em geral, os ladrões são grupos de adolescentes.

Foi o que aconteceu no episódio vivido por Gabriel. Ele conta que, por volta das 17h40, avistou três jovens andando de bicicleta entre os pedestres do parque.

Alguns minutos depois, ele ouviu uma mulher gritar "pega ladrão" e percebeu que os mesmos três jovens estavam acelerando em direção a uma praça. Um homem que passeava pelo parque, então, conseguiu parar uma das bikes e segurou o menino. Outros frequentadores do Ibirapuera ajudaram a conter o jovem.

"A situação ficou perigosa. Começaram a chegar diversos colegas do garoto contido — eram facilmente mais de 10 deles", contou ele. Segundo o publicitário, a confusão foi pior porque vários dos acessos do parque estavam fechados por causa do bloco Solteiro Não Traí, do cantor Gustavo Mioto, deixando as famílias com poucas opções para sair do lugar.

Gabriel diz que ligou para o Centro de Controle Operacional (CCO) do parque, às 17h56, mas o número estava desligado. Depois, acionou a Guarda Civil Metropolitana (GCM), às 17h57. Às 18h, chamou a Polícia Militar (PM). Mesmo assim, o publicitário só obteve retorno das autoridades às 18h28.

"Mais de 30 minutos depois, já com a situação um pouco mais calma, mas ainda com muito tumulto, recebo uma ligação da GCM questionando se alguma viatura havia ido ao local. Mais de 30 minutos! Não apareceu GCM, PM, nem segurança do parque", lamentou o publicitário.

Enquanto o Metrópoles apurava o caso citado por Gabriel, que ocorreu próximo ao portão 7 do parque, a reportagem confirmou outro furto de celular no mesmo dia, desta vez próximo ao portão 5. Neste caso, um funcionário da guarda privada do local prestou apoio à vítima.

Uma vendedora ouvida pela reportagem defende que uma base da GCM volte a ser instalada no parque — no passado, o Ibirapuera contava com equipes fixas da prefeitura. "A gente precisa de GCM aqui dentro. De policial. Não só por causa dos nossos carrinhos, mas por causa do usuário também".

Outro lado

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), confirmou o caso citado por Gabriel. Em nota, a pasta disse que a vítima teve seu aparelho celular subtraído durante uma caminhada e que o suspeito, que havia sido detido por um segurança do local, foi encaminhado ao 27º Distrito Policial (Campo Belo).

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que um adolescente de 17 anos foi apreendido pela ocorrência e permaneceu à disposição da Vara da Infância e Juventude. A pasta afirmou ainda que "as polícias civil e militar atuam de forma integrada para apoiar as ações de segurança que envolvem o Parque Ibirapuera, que é concedido à iniciativa privada. Sempre que acionada pela segurança do parque ou pelo telefone 190, equipes da PM se deslocam prontamente para o atendimento de ocorrências".

A pasta disse também que o 36º Distrito Policial (Vila Mariana) investiga um crime de dano e quatro ocorrências de furto relacionados aos fatos mencionados pela reportagem. "A equipe da unidade realiza diligências e solicitou imagens à empresa responsável pela administração do local para auxiliar na identificação dos autores e no completo esclarecimento dos fatos. O policiamento foi intensificado nas imediações do parque", termina a nota.

Também por meio de nota, a Urbia afirmou que sua equipe de segurança forneceu apoio às vítimas de furto acionando a GCM e colaborando com o encaminhamento ao 27º DP. "Diante de ameaças de terceiros após a ocorrência, os agentes da concessionária garantiram a integridade física dos visitantes e de colaboradores, escoltando-os em segurança até a saída", disse a empresa.

"A Urbia reforça que o Parque Ibirapuera é um espaço público e que a segurança das pessoas é de atribuição da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A gestora do parque mantém diálogo permanente com os órgãos de segurança pública e solicita, de forma recorrente, a presença ostensiva dessas forças no entorno e no interior do parque", afirma a nota.

Em relação aos furtos de pontos comerciais, a Urbia disse que está substituindo carrinhos antigos por modelos mais reforçados e orientando vendedores autônomos quanto ao uso adequado de travas de segurança e dispositivos de alarme. "Sempre que há registro de ocorrência envolvendo tais equipamentos, a empresa realiza apuração interna para avaliação de eventuais danos e procedimentos cabíveis", afirma. A empresa também informa que a iluminação pública do Ibirapuera é de responsabilidade da concessionária ILUMINA.

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