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Roupa mais antiga do mundo? Achado arqueológico de 12 mil anos revela como humanos se protegiam do frio extremo - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Tatiana Favaro; Tati Fávaro 2026-02-18 743 words
ARQUEOLOGIA

Roupa mais antiga do mundo? Achado arqueológico de 12 mil anos revela como humanos se protegiam do frio extremo

Fragmento feito com couro de alce e fibras vegetais mostra como povos pré-históricos enfrentaram mudanças climáticas bruscas no fim da Era Glacial

Pesquisadores identificaram no Oregon, EUA, um fragmento de couro costurado de 12 mil anos, possivelmente a roupa mais antiga do mundo.

O artefato, feito de pele de alce, demonstra técnicas avançadas de costura para enfrentar o frio extremo no fim da última Era Glacial.

A complexidade da costura, com cordão torcido de fibras vegetais e pelos, sugere uma produção intencional e resistente.

Descoberto em 1958 e reanalisado recentemente, o achado inclui agulhas de osso e cordas, indicando um sistema tecnológico para vestimentas.

Pesquisadores identificaram no estado de Oregon, nos Estados Unidos, um fragmento de couro costurado com cerca de 12 mil anos, que pode ser considerado o exemplo de roupa mais antiga do mundo, produzida por seres humanos. O objeto revela que, muito antes da invenção dos tecidos, ancestrais já dominavam técnicas avançadas para enfrentar o frio extremo.

O artefato foi produzido no fim da última Era Glacial, período marcado por mudanças climáticas bruscas. Na região onde hoje fica o Oregon, as temperaturas despencaram, os ventos se intensificaram e os invernos se tornaram longos e severos. Para sobreviver, grupos humanos nômades precisaram desenvolver soluções engenhosas e a costura foi uma delas.

Frio extremo forçou inovação tecnológica

Naquele cenário hostil, a paisagem era aberta, com vegetação rasteira, e grandes animais como alces e bisões dominavam o território. A sobrevivência dependia da caça, da coleta e da capacidade de adaptação ao ambiente. Foi nesse contexto que alguém preparou cuidadosamente a pele de um alce, removeu os pelos, tratou o couro e decidiu uni-lo a outro fragmento.

Costura complexa afasta hipótese de improviso

A estrutura do objeto chama atenção dos pesquisadores. Dois fragmentos de couro são unidos por um cordão torcido em padrão complexo, feito a partir da combinação de fibras vegetais e pelos de animal. O fio sai da borda de uma das peças, atravessa a outra e é amarrado de modo a não se soltar facilmente.

"Elas são definitivamente costuradas, porque encontramos cordas costuradas em uma pele que saem e entram em outra", afirmou o arqueólogo Richard Rosencrance, da Universidade de Nevada, em entrevista à Science News.

Segundo os pesquisadores, a complexidade do padrão afasta a ideia de um simples amarrado ocasional, indicando uma costura intencional, pensada para resistir ao uso e bloquear a entrada de ar frio.

O que era a peça? Roupa, sapato ou abrigo?

Os autores do estudo evitam afirmar com precisão qual era a função do objeto, mas levantam hipóteses. O fragmento pode ter feito parte da borda de uma roupa ajustada ou até de um abrigo portátil. Em todos os cenários, a costura é o ponto central do achado.

Diferentemente de peles soltas jogadas sobre o corpo, peças costuradas permitem melhor ajuste, maior retenção de calor e proteção contra o vento, uma vantagem nos ambientes gelados.

Achado ficou décadas esquecido em museus

O fragmento de couro foi escavado originalmente em 1958, em cavernas do Oregon, mas permaneceu por décadas guardado em coleções de museus, sem datação precisa. Apenas recentemente o material passou por análises detalhadas, com técnicas modernas capazes de identificar a espécie animal, o processo de fabricação e o período exato de produção.

Os testes indicam que o objeto foi confeccionado entre 12.600 e 11.880 anos atrás. A análise química revelou que o couro pertence a um alce norte-americano, animal de grande porte cuja pele oferece excelente isolamento térmico.

Cordas, agulhas e um sistema 'tecnológico'

O couro costurado faz parte de um conjunto maior de 'tecnologias' perecíveis encontradas em cavernas da região. Ao todo, os pesquisadores analisaram 55 objetos, feitos de fibras vegetais, madeira e materiais animais, submetidos a 66 datações por radiocarbono.

Entre eles estão dezenas de cordas trançadas, produzidas com plantas locais e técnicas variadas. "A diversidade de espécies de madeira e plantas usadas para fazer os diferentes itens, com tantas representadas apenas nesta pequena amostra, foi incrível para mim", afirmou Rosencrance ao jornal Haaretz.

Também foram identificadas agulhas de osso com orifício, algumas das mais finas já encontradas em contextos do período Pleistoceno nas Américas. A associação dessas agulhas com o couro costurado reforça a ideia de que roupas ajustadas eram produzidas de forma regular, e não esporádica.

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