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Argentina: Governo Milei ameaça reprimir manifestantes contra reforma trabalhista e limita atuação da imprensa - Brasil de Fato

brasildefato.com.br By Rodrigo Gomes 2026-02-18 521 words
O governo do presidente argentino Javier Milei emitiu um comunicado nesta quarta-feira (18), em que promete repressão contra os protestos previstos para esta quinta-feira (19), contra a proposta de reforma trabalhista que reduz os direitos dos trabalhadores. Centrais sindicais e organizações populares organizam uma nova paralisação contra o projeto, com a estratégia de paralisar os transportes públicos do país.

"Com o objetivo de reduzir situações de risco, recomenda-se evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação. Diante de atos de violência, nossas forças agirão", disse o ministério, em orientação para a imprensa. Os jornalistas poderão permanecer em uma "zona exclusiva", em ruas laterais da praça em frente ao Parlamento.

No último dia 11, a polícia de Buenos Aires utilizou canhões de água e bombas de gás contra milhares de pessoas que protestavam nas imediações do Congresso, quando o projeto foi votado no Senado argentino. Os manifestantes reagiram e a polícia prendeu 30 pessoas.

O objetivo dos sindicatos que organizam a paralisação é derrubar a medida. O secretário-geral do sindicato La Fraternidad, Omar Maturano, afirma que um dos principais problemas é justamente a redução do direito à greve, já que não só tira direitos, mas também limita a própria luta por melhores condições de trabalho.

"A retirada dos direitos como indenizações, cobertura de saúde e a possibilidade de pagar por produção são gravíssimos. Mas é importante pontuar também o fim do direito ao protesto. Não se pode mais realizar assembleias nos lugares de trabalho. Isso é um cadeado para o direito à manifestação e mostra um cerceamento à liberdade de expressão", afirmou ao Brasil de Fato.

A paralisação foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical da Argentina. Sistemas de ônibus, metrô e trens de diferentes cidades aderiram ao chamado. A expectativa é que o maior impacto das manifestações seja registrado na capital.

O projeto de lei proposto pelo governo Milei retira uma série de direitos dos trabalhadores argentinos. Primeiro, por restringir greves em setores considerados essenciais. O novo texto determina que é preciso manter entre 50% e 75% dos serviços afetados pela greve. Isso atinge diretamente os sindicatos, que têm um poder de mobilização importante no país.

A proposta do governo também inclui a ampliação do período de experiência para até seis meses, com indenizações mais baixas para eventuais demissões. Esse período pode ser ampliado para até oito meses em alguns casos.

Um dos pontos mais sensíveis é o aumento da jornada de trabalho para até 12 horas por dia. Essa medida, que o governo chamou de "flexibilização", autoriza uma compensação financeira ajustada aos períodos de maior ou menor demanda sem pagamento de horas extras.

O objetivo do governo também é mudar as negociações coletivas, autorizando acordos feitos entre as empresas e sindicatos locais, enfraquecendo as negociações feitas a nível nacional.

As indenizações para demissões também se tornam muito desfavoráveis aos trabalhadores a partir da reforma. O cálculo passa a reduzir os valores e a nova lei permite até o pagamento parcelado em até seis vezes para grandes empresas e até 12 vezes para pequenas e médias companhias.

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