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Ações de Epstein podem configurar ‘crimes contra a humanidade’, afirmam especialistas da ONU

operamundi.uol.com.br By Tatiana Carlotti 2026-02-18 467 words
Ações de Epstein podem configurar 'crimes contra a humanidade', afirmam especialistas da ONU

Analistas exigem investigações de envolvidos frente à escala, gravidade e alcance transnacional das violações: 'ninguém é rico demais para estar acima da lei'

Especialistas nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU afirmam que os arquivos de Jeffrey Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, revelam "evidências perturbadoras e críveis" de uma possível empreitada criminosa global envolvendo abuso sexual sistemático, tráfico e exploração de mulheres e meninas.

Nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, eles divulgaram uma nota, em que afirmam, que "tão grave é a escala, a natureza, o caráter sistemático e o alcance transnacional dessas atrocidades contra mulheres e meninas, que várias delas podem razoavelmente atingir o limite legal de crimes contra a humanidade".

Eles apontam, entre os crimes relatados, evidências de escravidão sexual, violência reprodutiva, desaparecimento forçado, tortura, tratamento desumano e degradante e feminicídio. E exigem uma investigação "independente, minuciosa e imparcial" de todos os envolvidos, para "determinar como tais crimes puderam ter ocorrido por tanto tempo".

Investigações

Segundo os especialistas, "qualquer sugestão de que é hora de seguir em frente com os 'arquivos Epstein' é inaceitável". Isso representaria "uma falha de responsabilidade para com as vítimas". A nota afirma ser "imperativo que os governos ajam de forma decisiva para responsabilizar os autores", acrescentando que "ninguém é rico ou poderoso demais para estar acima da lei."

Eles alertaram que os padrões descritos nos documentos podem satisfazer os critérios jurídicos para processamento em tribunais nacionais e internacionais competentes. Os crimes, apontam, foram cometidos em um contexto de "crenças supremacistas, racismo, corrupção, misoginia extrema e a mercantilização e desumanização de mulheres e meninas de diferentes partes do mundo".

Em 30 de janeiro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos disponibilizou 3,5 milhões de páginas, 2.000 vídeos e 180.000 imagens sobre o caso Epstein. Apenas ele, que se suicidou em 2019, em sua cela de prisão, e sua cúmplice, Ghislaine Maxwell, foram responsabilizados pelos crimes. Até agora, mais de 1.200 vítimas foram identificadas.

Falhas na divulgação

Na nota, os especialistas apontam falhas no processo de divulgação desses arquivos, salientando que foram expostas informações sensíveis de algumas vítimas. Eles cobram "a necessidade urgente de procedimentos operacionais padrão centrados na vítima para divulgação e redação, para que nenhuma vítima sofra mais danos". "A falha em proteger sua privacidade os coloca em risco de retaliação e estigma", advertem.

Eles também condenam a relutância do Departamento de Justiça "em divulgar informações completas ou ampliar investigações", deixando muitos sobreviventes "retraumatizados e submetidos ao que descrevem como "manipulação institucional".

Frente a isso, os especialistas da ONU instam o governo dos Estados Unidos a assegurar a plena divulgação do material para compreender os métodos da atividade criminosa e, com isso, garantir reparação integral às vítimas.

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