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Brasil, mostra a tua cara!

revistaoeste.com By Adalberto Piotto 2026-02-06 1671 words
O mundo tem hoje uma população de pouco mais de 8 bilhões de pessoas. Um bilhão delas se alimenta porque o Brasil existe. Sim, um único país é responsável por garantir comida e paz para um oitavo da população, e este país somos nós. O agronegócio brasileiro é o maior soft power da face da Terra, com inegável apelo e importância incomparáveis. Isso deveria fazer do país um articulador a ser seguido, uma potência econômica a ser convidada de honra dos mais importantes fóruns internacionais, além de um parceiro comercial cortejado. Quem em sã consciência abriria mão do maior garantidor de segurança alimentar do mundo, com capacidade de expansão e, consequentemente, de atender ao aumento da demanda? No entanto, o atual governo Lula, que chama seus produtores rurais de "fascistas" (demonstrando ignorância atroz do significado e da gravidade do termo), levou o país a ser tratado com os asteriscos da diplomacia. Ao defender e se associar a ditaduras estrangeiras, levantar falsa equivalência entre a Ucrânia invadida e a Rússia invasora ou evitar a condenação do terror do Hamas em Israel e contra os próprios palestinos de Gaza, Lula tornou a diplomacia brasileira tóxica. A mesma de Oswaldo Aranha, mediador da sessão da ONU que culminou na criação do Estado de Israel e da Palestina, na segunda metade dos anos 1940.

A diplomacia de Lula, assim como a sua política econômica de rombos fiscais e escândalos, é como um ataque de gafanhotos que dizima tudo o que outros plantaram. É o oposto do Brasil real, fruto do trabalho e da competência dos brasileiros que, além de jamais se afastarem dos valores da civilização ocidental, criaram a Embrapa em 1973. Desde a bem-sucedida expansão da fronteira agrícola brasileira, baseada em pesquisa científica de ponta made in Brazil, que transformou o país que antes importava alimentos em um dos maiores exportadores de comida, é este o Brasil eficiente e produtivo que faz o mundo momentaneamente tapar o nariz para os desmandos e bobagens que se fazem por aqui. O mundo continua girando e a cada 360º precisa da certeza de que vamos continuar produzindo excedentes de commodities agropecuárias e garantir a estabilidade global com o básico, ou seja, comida na mesa.

Por essas e outras razões, apesar do desastroso governo Lula no seu papel na diplomacia, uma pergunta se faz necessária: são os produtores brasileiros e o Brasil que dependem da China, por exemplo, nossa maior compradora de comida e parceira comercial, ou são a China e os chineses que dependem de nós? A pergunta não pretende criar cizânia nas nossas relações internacionais ou especificamente com Pequim. Mas em tempos de redesenho global de protagonismos e influências, da retomada da liderança americana no mundo com a volta de Donald Trump à Casa Branca, depois do avanço da influência econômica chinesa desde o início do século, que lugar o Brasil pretende ocupar nessa reconfiguração do tabuleiro da geopolítica? Porque precisa escolher. Mais que escolher, ser mais ousado do que costumeiramente tem sido ao reivindicar seu papel global. A batalha atual das relações internacionais por protagonismo é uma realidade e oportunidade de ascensão que não admite receios. Não será uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU a ditar a importância de nações. Soft power e dependência estratégica de seus insumos são os divisores de quem vai mais falar ou ouvir a partir de agora. O Brasil não pode mais perder tempo em se imaginar coadjuvante. Quando um único país é a garantia sustentável de comida para mais de 10% da população de um planeta com quase 200 países, a modéstia é desaconselhável.

Um complexo de inferioridade (antiquado) e de culpa (do que mesmo?) ainda atormenta a média dos brasileiros. Bobagens são como mentiras. Basta acreditar nelas para que estas ocupem espaço demais na visão que cada um tem de si mesmo. E os brasileiros acumularam muito disso ao longo do tempo. É injusto e, no mundo competitivo de hoje, também uma temeridade. Professores de história ideologizados por décadas distorceram a vida brasileira desde os mais tenros anos de escola de cada um de nós.

Por anos contaram a ladainha de que não lutamos pela nossa independência, liberdade e soberania ou que não nos insurgimos contra o poder centralizado. Era uma forma de nos diminuir nesse insuportável autoflagelo nacional. Ao mesmo tempo, uma ofensa à história e aos líderes de uma série de movimentos como a Inconfidência Mineira — a começar por Tiradentes —, ou o jornalista italiano Libero Badaró, que lutava contra o absolutismo português. Antes de morrer vítima de uma emboscada, disse: "Morre um liberal, mas não morre a liberdade".

Necessário citar outros como Frei Caneca (Revolta da Confederação do Equador), Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi (Revolução Farroupilha), e movimentos como a Sabinada, a Balaiada e a Guerra dos Canudos, de Antônio Conselheiro, até chegarmos à Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, dos jovens heróis Martins, Miragaia, Drausio e Camargo, mortos na luta contra a ditadura de Getúlio Vargas. Os impeachments de Collor e Dilma, as recentes manifestações de rua reivindicando anistia e a volta da democracia são reais e feitos por brasileiros.

No mundo, não bastasse termos Santos Dumont, inventando o avião em Paris e abrindo seus projetos a todos, o Brasil foi o único país da América Latina a enviar uma força expedicionária completa para lutar ao lado dos aliados contra os nazistas na Segunda Guerra, na maior luta pela liberdade da humanidade. Recorro à história porque ela nos é rica e deveria ser uma inspiração e um orgulho, jamais um entrave para nos entendermos como sociedade.

É inegável que há uma ainda enorme claudicância na autoafirmação nacional. Suscitei algumas distorções ideológicas que nos levaram a isso. Derrubei-as com fatos. E são os fatos que gritam que o Brasil hoje é necessário para o mundo porque fomos competentes em nos fazer imprescindíveis ao sermos provedores da segurança alimentar global.

Um estudo da ONU e do FDA (a agência americana de alimentos), citado com frequência pelo professor Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, é fonte inequívoca disso. Na próxima década, a produção de alimentos precisará avançar 20% para que não falte comida no mundo. Desses 20%, a maior parte, cerca de 40%, precisa vir do Brasil, hoje o único país com capacidade de aumentar sua produção nessa proporção. E isso já está ocorrendo.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de soja estimada deste ano é de 176,1 milhões de toneladas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é ainda mais otimista: 178 milhões de toneladas. Antonio Cabrera, ex-ministro e ex-secretário de Agricultura — e colunista de Oeste —, é mais conservador e fala em 171 milhões de toneladas. Ainda assim será o que ele descreve como "a maior safra de soja que algum país já colheu". Num vídeo divulgado em seu perfil no LinkedIn, Cabrera mostra o início da colheita de soja em Formosa do Rio Preto, na Bahia. É um balé de 90 colheitadeiras no palco do sertão produtivo brasileiro.

Em sua série de postagens que conclama os brasileiros a terem orgulho do agronegócio como se fosse um foguete que vai à Lua ou o topo da potência e do design automotivo de uma Ferrari, ele também aponta os nós da incompetência da Brasília atual em entender o Brasil de verdade. Num outro post, compartilha o vídeo de um caminhoneiro que mostra o congestionamento insano no Porto de Miritituba, no Pará. Um dos principais escoadores da soja produzida pelo país na região é exemplo vergonhoso de falta de infraestrutura e gestão.

Veja que foi exatamente no Pará que o governo Lula e o próprio governo estadual da dinastia dos Barbalho gastaram bilhões na realização da COP30, a pífia Conferência do Clima em Belém. O Portal da Transparência aponta orçamento de R$ 1 bilhão apenas na organização do evento em si. Outros R$ 5 bilhões, inclusive com aportes da Usina de Itaipu, foram gastos em obras de infraestrutura. Olhando para o sucesso da produção de soja no Brasil, parada no porto de Miritituba, e o fracasso da COP30 de Belém, com gastos sem licitação, dancinhas da Janja e reclamações públicas da ONU e de diplomatas estrangeiros, qual é a verdadeira vocação do Pará e onde os recursos deveriam ter sido investidos?

A resposta é óbvia. Porque apenas uma conversa com a realidade e respeita o dinheiro do pagador de impostos no Brasil. Gastaram-se bilhões de reais num evento ambiental desatualizado, cujo público tem a estranha predileção de atacar o agro brasileiro com falsas narrativas de que o país não respeita o meio ambiente. O Código Florestal Brasileiro exige de 20% a 80% de preservação de mata nativa da área de cada produtor. Em nenhum outro lugar do mundo existe tamanha exigência, que aqui é cumprida pelos produtores legalizados, quase a totalidade de quem está na agropecuária do país. As exceções são criminosas. E crime precisa ser combatido. Mas não se faz isso gastando bilhões em conferências que falam mal de quem trabalha e produz no próprio país.

Fato é que o Brasil técnico e produtivo do passado teve o mérito de se proteger de seu futuro político errático ao construir o ativo global de ser imprescindível para o mundo na oferta de alimentos. Aos que ainda teimam em reduzir os méritos nacionais e a internacionalização do país, isso também pode ser aplicado ao sucesso da Embraer, a terceira maior fabricante de aviões do mundo, e à Petrobras, líder de exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. Nada disso é mérito do governo Lula e da esquerda lulopetista. Pelo contrário, o escândalo do Petrolão, que levou a Petrobras ao noticiário policial, o desmerecimento do agro e as invasões de áreas de pesquisa da Embrapa pelo MST, a deterioração do ambiente econômico e educacional, que afetam diretamente a Embraer e todas as empresas brasileiras, são o lulopetismo na sua forma mais bruta.

Sejamos claros. A eleição presidencial deste ano tem uma escolha muito fácil. E ela não é a manutenção do atraso e do retrocesso.

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