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Epstein e os homens imorais

revistaoeste.com By Rodrigo Constantino 2026-02-06 716 words
"O caso Epstein é tão escandaloso, com tantos fatos, com tanta gente, que nos deixa um tanto perdidos", escreveu o ex-deputado Paulo Eduardo Martins. Ele conclui: "É como ter um furacão de nojeira girando ao seu redor. Você não sabe nem no que focar". O foco, aqui, será na imoralidade de tantos homens poderosos, que foi o tema da coluna de Gates Garcia no DailyWire.

Garcia disse que leu os documentos como um pai, pensando no tipo de mensagem que esse caso envia para os meninos. A lição é muito feia: comportamentos inaceitáveis são tolerados quando envolvem o andar de cima, aqueles que possuem muito dinheiro, influência e poder. Num mundo em que feministas atacam como "masculinidade tóxica" qualquer postura masculina, esse tipo de escândalo é um prato cheio para misturar alhos com bugalhos e demonizar todo homem como um potencial predador.

Garotos estão em busca do verdadeiro sentido da masculinidade, e o que está sendo revelado a eles no caso Epstein é puro veneno. Diz o autor: "Eles veem homens nos mais altos escalões da sociedade que pregam inteligência, liderança e sofisticação, enquanto, em particular, vivem como meninos mimados e cheios de privilégios. Esses homens tratam o casamento como algo ornamental, a fidelidade como opcional e as mulheres como produtos consumíveis. Para eles, responsabilidade e prestação de contas são coisas destinadas a pessoas menores".

Esse tipo de comportamento, em que o poder dobra as regras e o sucesso compra a indulgência, não é masculinidade, e sim anarquia moral. A verdadeira masculinidade sempre esteve enraizada na noção de limites, de autocontenção, do uso da força superior para proteger as mulheres e as crianças. Meninos se tornam homens quando aprendem a dominar seus apetites. A autoridade vinha sempre acompanhada da obrigação, do senso de responsabilidade.

Algo mudou de uns tempos para cá. Cada um deve fazer o que "der na telha", as mulheres podem ser tratadas como objetos, a traição é amplamente tolerada no clima de hedonismo que se espalhou pelo mundo, e quando se trata de homens da elite, eles estão blindados e isolados dos padrões que publicamente exigem dos outros. E o impacto disso na formação dos meninos é péssimo: "E as crianças percebem. Elas não pensam em termos de nuances legais ou registros sigilosos. Elas pensam em termos de padrões: quem é punido, quem é protegido, quem é perdoado e quem é apagado. O padrão que elas estão vendo é corrosivo". A cultura vem sendo dominada aos poucos, e muitos pais perderam o controle sobre a formação moral de seus filhos. O resultado é uma garotada com as piores referências possíveis.

O que os arquivos Epstein mostram não é efeito de uma "liberação" masculina, e sim de uma decadência moral. Quando até mesmo "conservadores" idolatram alguém como Andrew Tate, só porque ele ataca as feministas, isso mostra como tem gente que tira a lição equivocada da crise de masculinidade que vivemos. Ter um harém de mulheres bonitas não é o "máximo", e sim uma fuga de quem não consegue criar um matrimônio feliz com base no amor e no respeito.

O que é preciso hoje é resgatar o código dos cavalheiros. Como diz Harvey Mansfield em Manliness ("Masculinidade"): "O cavalheiro, ao contrário de um canalha ou de um grosseirão, não se aproveita daqueles que são mais fracos do que ele, especialmente das mulheres". O autor acrescenta: "Um cavalheiro é um homem que é gentil por princípio, não por fraqueza; pode-se contar com ele para não rosnar nem atacar uma mulher quando tem a vantagem ou se sente ameaçado. É claro que pode ser delicioso ser surpreendido, desde que a surpresa seja agradável. Com um cavalheiro, pode-se esperar, talvez até confiar, que a maioria das surpresas será desse tipo".

Para encerrar, o trecho final do poema "Se", de Rudyard Kipling, sobre como se tornar um homem:

"Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes E, entre Reis, não perderes a naturalidade, E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes;Se a todos podes ser de alguma utilidade E se és capaz de dar, segundo por segundo, Ao minuto fatal, todo valor e brilho: Tua é a Terra com tudo o que existe no mundoE — o que ainda é muito mais — és um Homem, meu filho!"

Leia também "O raio da liberdade"

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