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Quarta de Cinzas abre quaresma com missa presidida por arcebispo

opovo.com.br By Penélope Menezes; Penelope-Menezes 2026-02-18 548 words
Quarta-feira de Cinzas abre quaresma com missa presidida por arcebispo

Sentados no banco da Catedral Metropolitana de Fortaleza, os fiéis aguardam a celebração da Quarta-feira de Cinzas, olhos voltados ao mínimo movimento. As caixas de som na noite do dia 18 ecoam as palavras — "Dai morada ao pequeno e ao fraco /Sede os braços que acolhem o bem! / Nossa fé não se finda no altar".

O hino da Campanha da Fraternidade 2026, anunciando a abertura oficial em todas as dioceses do País, coincide com a chegada do período quaresmal. Com o tema "Fraternidade e Moradia" e o lema "Ele veio morar entre nós" (Jo 1:14), a iniciativa deve promover a reflexão sobre a dignidade da habitação.

"Um ponto fundamental, que a gente não pode esquecer, é que nós temos pessoas que moram em suas casas, mas em situação desumana", aponta o arcebispo, dom Gregório Paixão. "Aquilo que a gente não quer pra gente, não deve querer para o outro. E aquilo que a gente quer, como moradia digna, deve ser também dado a todos os nossos irmãos".

Durante a solenidade, a imposição das cinzas na Catedral, presidida pelo arcebispo metropolitano, faz parte de uma tradição simbólica, voltada ao arrependimento e à consciência da condição humana: "Tu és pó e ao pó voltarás" (Gn 3:19).

A data costuma ser acompanhada por jejum, abstinência de carne e outros exercícios de penitência.

"Não é só deixar de comer, mas tirar de dentro o excesso que existe em nós, da raiva, das ilusões, daquilo que muitas vezes guardamos, como o ódio, os rancores, etc. Deus pede que seja um período de purificação, tirar da alma aquilo que não serve", explica o arcebispo. "E se a gente tira de dentro de nós o que não serve, vamos dar aos outros aquilo que há de melhor, porque a gente só dá aquilo que tem".

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A reflexão espiritual é vivida pelo casal João Paulo, 36, e Osana Melo, 30, que participam da celebração. Juntos, ressaltam a disciplina da quaresma como ferramenta para o fortalecimento da fé.

"Estamos aqui para viver um momento de deserto. A quaresma nada mais é do que um tempo de ir ao deserto para viver com Cristo, encontrá-lo no deserto, para na ressurreição também ressuscitarmos com ele", descreve João Paulo.

A esposa, Osana, relata que a mortificação comportamental é um desafio. O termo se refere à disciplina de vontades para o cumprimento do dever perante a Cristo.

"O João hoje estava comentando: 'Vou tirar o refrigerante', porque ele tem o hábito de sempre pedir junto com a alimentação", diz. "É um sacrifício para ele, para mim nem tanto. Os meus maiores desafios são os comportamentais, então vou exercer penitências nesses princípios".

Para a estudante Ana Júlia Brasil, 21, o momento foi construído a partir das próprias experiências com a religião: "Eu não sou católica de berço. Na verdade, a minha família é protestante. Eu me converti na adolescência e comecei a frequentar a catedral, porque essa é a paróquia do meu namorado, aí ele acabou me trazendo".

Sobre a quaresma, finaliza com uma descrição: "É um período muito importante pra Igreja Católica, um período de conversão, de mudança de hábitos, de abandonar o pecado… É um marco muito importante".

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