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A estratégia por trás da escolha da vice de Eduardo Paes

veja.abril.com.br By Luiza Zubelli; Ludmilla de Lima 2026-02-19 825 words
A estratégia por trás da escolha da vice de Eduardo Paes

Pré-candidato a governador do Rio amplia seu arco de alianças com o embarque de clã da Baixada Fluminense ligado à família Bolsonaro e ao mundo evangélico

O prefeito Eduardo Paes (PSD) anunciou nesta quinta-feira, 19, quem o acompanhará como vice na disputa
pelo governo do Rio: será a advogada Jane Reis (MDB), irmã de Washington Reis, cacique político em Duque de Caxias, segundo maior colégio eleitoral do estado. Paes participou pela manhã de um evento na sede do MDB, no Centro do Rio. No ato, Washington Reis foi renomeado presidente estadual da legenda. Um dos pontos que chamam a atenção é a histórica fidelidade dele ao clã Bolsonaro – tanto que já foi o preferido do grupo para concorrer a governador -, enquanto Paes segue firme numa aliança com o presidente Lula (PT). "O que fazemos aqui hoje é juntar um grupo de pessoas que não pensa tudo igual, que pensa diferente. Que tem escolhas nacionais distintas, às vezes escolhas locais distintas, mas que entende que política é a arte de juntar gente", afirmou o prefeito, que busca o voto do eleitor conservador no berço do bolsonarismo.

Paes disse que Lula já foi informado da sua decisão no último domingo, dia em que o presidente passou pela Sapucaí com familiares, amigos e políticos de esquerda – todos foram recebidos no camarote da prefeitura, que ficou destinado ao petista e seus convidados. "O presidente Lula apoiou integralmente essa aliança", completou.

Busca de apoio na Baixada

Desde que foi reeleito pela quarta vez para a prefeitura, Paes faz movimentos na direção dos prefeitos dos maiores e mais influentes colégios eleitorais do Rio. Os rachas e indefinições dentro do PL do governador Cláudio Castro acabaram ajudando o prefeito nessa busca por capilaridade no estado. O PSD sempre teve em mente que a vaga de vice deveria ser preenchida por alguém da Baixada Fluminense. Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, era o mais próximo de Paes. Mas o PP faz federação com o União Brasil e tem forte ligação com Castro por meio do deputado Dr. Luizinho. Diante da confusão no campo da centro-direita, a federação deve liberar seus membros na briga pelo Palácio Guanabara. Com isso, Lisboa deve virar um forte aliado na Baixada, fora de qualquer coligação.

Aproximação com evangélicos

O político do PSD conseguiu atrair a família Reis após rompimentos no grupo do governador. A primeira cisão foi quando Rodrigo Bacellar (União Brasil) – hoje afastado da presidência da Alerj por ordem do STF – exonerou, em julho do ano passado, o ex-prefeito de Caxias da Secretaria de Transportes durante ausência de Castro, então em viagem internacional. O governador não voltou atrás na medida, mas também rompeu com Bacellar. A partir desse momento, Reis e Paes passaram a aparecer juntos publicamente. Um dos principais aliados do prefeito chegou a dizer a VEJA: "Reis é o vice dos sonhos de Paes". Só que, inelegível devido a condenação por crime ambiental, numa situação difícel de ser revertida no STF, o cacique político desistiu da sua candidatura e embarcou de vez na pré-campanha do político do PSD.

Um outro ponto forte da família, que comanda Caxias com o prefeito Netinho Reis, é sua relação com o mundo evangélico. Jane é casada com o pastor Rafael Corato, da Assembleia de Deus. "Começo agradecendo a Deus, porque é uma grande missão. Deus está no comando. Eu, como evangélica, coloco Deus sempre em primeiro lugar", declarou ela na sede do MDB, prometendo: "Venho com toda a garra da Baixada Fluminense". O fato de ter uma mulher na chapa também pesou na escolha, anunciada na presença de nomes importantes da política nacional, como o presidente da legenda, deputado Baleia Rossi, e o ministro das Cidades, Jader Filho.

Amplo palanque

Paes busca não ser rotulado na campanha como candidato de esquerda por sua aliança com Lula e o PT, além de p
artidos como PSB, PDT, PT, PC do B e PV, integrantes da coligação de 2024 e que tendem a seguir com ele. A sua candidatura, vista como de centro-esquerda, agora se abre na direção de uma "frente ampla", como o prefeito gosta de chamar seu arco de apoios.

Outros nomes de peso que Paes mira desde o ano passado são os dos prefeitos de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), e de Campos, Wladimir Garotinho (PP). A estratégia é complexa, já que Nelson é pai de Douglas Ruas, secretário de Castro e cotado para disputar a eleição pelo PL, e Wladimir, filho do ex-governador Anthony Garotinho, ferrenho opositor de Paes.

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