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Trump diz que guerra em Gaza 'acabou' e anuncia financiamento na 1ª reunião do Conselho da Paz

operamundi.uol.com.br By Rocio Paik 2026-02-19 1167 words
Trump diz que guerra em Gaza 'acabou' e anuncia financiamento na 1ª reunião do Conselho da Paz

Presidente dos EUA afirmou que irá enviar R$ 52 bilhões para reconstruir Gaza; países como Brasil, México, Reino Unido, Alemanha e França não aderiram ao órgão

Matéria atualizada às 13h25, 19 de fevereiro de 2026

A reunião inaugural do chamado "Conselho de Paz" para a Faixa de Gaza, arquitetado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou-se em Washington nesta quinta-feira (19/02) com a participação de mais de 40 países que confirmaram a adesão ao órgão. O republicano começou seu discurso explicando que a situação no enclave é "muito complexa", mas que, por meio do plano de paz norte-americano implementado em outubro passado, "a guerra acabou", exceto por "pequenas chamas" – em referência às violações israelenses.

Sob a presença do enviado Steve Witkoff, do genro Jared Kushner, do secretário de Estado Marco Rubio e do vice-presidente JD Vance, elogiou: "a melhor equipe já reunida".

"Portanto, hoje é uma enorme honra dar as boas-vindas a todos vocês ao Instituto dos Estados Unidos para a Paz para a reunião inaugural do Conselho da Paz", disse Trump. "Acredito que é o conselho mais consequente, certamente em termos de poder e prestígio. Nunca houve nada parecido porque esses são os maiores líderes mundiais – quase todos são aceitos, e os que não forem serão".

Ainda elogiando a sua equipe, mencionou o Irã, onde os Estados Unidos têm recentemente feito ameaças militares ao destacar sua frota naval no Golfo Pérsico. Nos últimos dias, as delegações iraniana e norte-americana se reuniram para tratar da questão nuclear. "Eles estão se reunindo e têm um bom relacionamento com os representantes do Irã e, sabe, boas conversas estão sendo travadas", disse o presidente, acrescentando não ser "fácil" firmar um acordo com o país persa. "Precisamos fazer um acordo significativo, caso contrário coisas ruins acontecerão".

Apesar da ampla participação de países no conselho, nações aliadas como Reino Unido, Alemanha e França recusaram o convite por razões que envolvem o financiamento e mandato político pouco definidos do grupo, o risco de rivalizar com as Nações Unidas (ONU) e a falta de representação palestina.

De acordo com a Casa Branca, a cúpula desta quinta-feira tem como objetivo arrecadar fundos para a reconstrução de Gaza, devastada ao longo do genocídio promovido por Israel – que também faz parte do conselho. Em redes sociais, Trump apontou que os países signatários se comprometeram a fornecer mais de US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 26 bilhões) para isso. Ou seja, uma fração dos US$ 70 bilhões (R$ 366 bilhões) que são estimados necessários para reconstruir o território palestino.

"Trabalhamos juntos para garantir um futuro mais promissor para Gaza, o Oriente Médio e o mundo inteiro", disse Trump. "Acho que o Conselho da Paz, porque é composto principalmente por líderes e pessoas incrivelmente respeitadas, mas principalmente líderes de países do Oriente Médio, países de todo o mundo — e eles também têm sido muito generosos com dinheiro".

Financiamento e envio de tropas

De acordo com Trump, os Estados Unidos se comprometeram a destinar US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) para o Conselho da Paz. "Dizem que tantos conflitos são impossíveis de resolver", afirmou o republicano. "Daqueles oito que colonizamos, dizem que a maioria não é colonizável. Eles não só se acomodaram – se acomodaram em poucos dias. Problemas mais impossíveis podem ser resolvidos à medida que percorremos esse belo caminho."

O presidente norte-americano seguiu fornecendo os detalhes sobre o financiamento prometido pelos países-membros. De acordo com ele, Cazaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes, Marrocos, Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Uzbequistão e Kuwait "contribuíram com mais de US$ 7 bilhões (R$ 36 bilhões) para o pacote de ajuda". Ainda segundo o republicano, "Albânia, Kosovo e Cazaquistão comprometeram tropas e policiais" para a criação de uma força internacional de estabilização em Gaza.

"Egito e Jordânia também estão fornecendo uma ajuda muito, muito substancial… treinamento e apoio a uma força policial palestina muito confiável", acrescentou.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que a FIFA está arrecadando US$ 75 milhões (R$ 392 milhões) para os projetos em Gaza. Ele não forneceu detalhes, mas acrescentou que no enclave serão instalados "campos" de futebol e que "as maiores estrelas" do esporte irão à região.

Trump aproveitou o momento para também agradecer ao chefe da FIFA, Gianni Infantino, presente na reunião, pelo prêmio de paz concedido anteriormente. "Fui prejudicado pela Noruega, e eles (FIFA) disseram 'Vamos dar a ele um prêmio da paz'", disse, reiterando sua frustração por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, que ficou nas mãos da opositora venezuelana María Corina Machado. "Gianni é muito inteligente", acrescentou o republicano.

O Banco Mundial, sob presidência de Ajay Banga, atuará como "curador limitado" do conselho gerenciando os fundos doadores, ou seja, administrando as contribuições feitas pelos países-membros.

O mandatário norte-americano terminou seu discurso dizendo que o Conselho da Paz supervisionará a ONU para garantir que ela "funcione corretamente". Sem explicar, disse apenas que o seu conselho poderia auxiliar o órgão "financeiramente e garantir que ela seja viável". "O Conselho da Paz será algo que ninguém viu antes", finalizou.

Força internacional de estabilização

Nomeado comandante da Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) para a Faixa de Gaza, o major-general norte-americano Jasper Jeffers delineou o plano de implantação do grupo. Segundo ele, "especialistas militares dos Estados Unidos" têm preparado a infraestrutura para a operação da ISF há meses, juntamente com Israel. O plano contempla, em sua totalidade, 12 mil policiais e 20 mil soldados para o enclave.

"Nosso plano é que a ISF seja designada em cinco setores diferentes, cada setor recebendo uma brigada da ISF. No curto prazo, planejamos nos deslocar primeiro para o setor de Rafah", explicou, acrescentando que o plano de meio de prazo "é continuar expandindo setor por setor".

Reforçando as palavras de Trump, Jeffers destacou que Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia prometeram enviar tropas para auxiliar o projeto, enquanto Egito e Jordânia concordaram em treinar policiais. "Com esses primeiros passos, ajudaremos a trazer a segurança que Gaza precisa para nossa prosperidade futura e paz duradoura", concluiu.

O evento ocorre quase três meses após o Conselho de Segurança da ONU aprovar um plano de cessar-fogo em Gaza articulado pelos Estados Unidos e endossado tanto pelo Hamas quanto por Israel, que incluía um mandato de dois anos para um órgão de paz supervisionar a desmilitarização e reconstrução do enclave. No entanto, algumas questões ainda não seguem resolvidas: o grupo de resistência Hamas rejeita o desarmamento, enquanto o regime sionista se nega à retirada de suas tropas.

Em relação à pauta do desarmamento, Trump disse em discurso que acredita que o grupo palestino "entregará suas armas".

O acordo de cessar-fogo foi implementado em 10 de outubro de 2025, mas permanece frágil, enquanto Israel comete violações diárias atacando o território palestino. O Ministério da Saúde de Gaza estima que, até 16 de fevereiro, pelo menos 72.063 pessoas foram mortas desde o início do genocídio. Desse número, 603 ocorreram após a decretação da trégua.

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