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Militares dos EUA não foram presos por recusar envio de armas a Israel • Lupa

agencialupa.org By Ítalo Rômany 2026-02-19 508 words
Circula no Instagram, no WhatsApp e no X um vídeo que supostamente mostra membros das Forças Armadas dos Estados Unidos sendo detidos por se recusarem a pilotar aviões carregados de armas para serem usadas nos ataques de Israel à Faixa de Gaza. É falso.

Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

Membros das Forças Armadas dos EUA se recusam a pilotar aviões carregados de armas para Israel. Eles são então convocados ao Pentágono, presos à força e algemados. Assista a este vídeo antes que seja removido da internet e compartilhe-o o máximo possível. Unam-se contra a beligerância sionista… processem Netanyahu pelo massacre de Gaza"
– Trecho de post que circula no Instagram com mais de 10 mil compartilhamentos

Membros das Forças Armadas dos EUA se recusam a pilotar aviões carregados de armas para Israel. Eles são então convocados ao Pentágono, presos à força e algemados. Assista a este vídeo antes que seja removido da internet e compartilhe-o o máximo possível. Unam-se contra a beligerância sionista… processem Netanyahu pelo massacre de Gaza"

– Trecho de post que circula no Instagram com mais de 10 mil compartilhamentos

Por meio de busca reversa de quadros (frames) da gravação, identificou-se que o vídeo original foi publicado em 3 de setembro de 2025, no canal da Al Jazeera no Facebook. De acordo com a legenda do post, o vídeo mostrava veteranos do Exército dos Estados Unidos interrompendo uma audiência no Senado que denunciava o apoio do país à guerra de Israel contra Gaza. "Ambos foram presos e, segundo relatos, liberados posteriormente", afirma a legenda.

Nas imagens, um dos homens grita: "O governo dos Estados Unidos é cúmplice do genocídio. Vocês têm uma obrigação para com a Constituição dos Estados Unidos. Eu sou um veterano deficiente. Há um genocídio! Há um genocídio! Vocês são todos cúmplices de genocídio".

Em nenhum momento do vídeo há qualquer menção sobre membros das Forças Armadas detidos à força por recusarem a pilotar aviões carregados de armas para Israel. Tampouco há notícias veiculadas na imprensa (em português e em inglês) sobre o suposto episódio.

Segundo o site TRTWorld, o tenente-coronel Anthony Aguilar e a capitã Josephine Guilbeau, ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos, levantaram-se durante uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, em Washington, para afirmar que consideravam ser seu "dever constitucional" se manifestar contra a guerra de Israel na Faixa de Gaza – que começou em outubro de 2023.

A capitã Guilbeau já havia participado de outros protestos, como o que ocorreu em fevereiro de 2024, em frente à Embaixada de Israel em Washington, para prestar homenagem coletiva ao militar americano que morreu após atear fogo ao próprio corpo em protesto contra a guerra israelense em Gaza.

O Comitê de Relações Exteriores é um comitê permanente do Senado dos Estados Unidos — e não do Pentágono, como afirma a publicação falsa — e é responsável por conduzir a legislação e os debates sobre política externa.

Conteúdo similar foi verificado por AFP Checamos.

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