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Mais de 50 toneladas: catadores batem recorde no Carnaval de BH, com alta de 25% na coleta

otempo.com.br By Isabela Abalen 2026-02-19 611 words
No rastro dos blocos que arrastaram multidões pelas ruas de Belo Horizonte durante os quatro dias de Carnaval, os catadores de recicláveis tinham outro foco: recolher o máximo possível de materiais descartados, entre latas, plásticos e papéis. O resultado foi expressivo: de sábado a terça-feira (14 a 17/2), mais de 50 toneladas foram coletadas, triadas e encaminhadas para reaproveitamento. O número marca um recorde do projeto Reciclabelô, com alta de 25% na coleta seletiva em relação ao ano passado, quando foram recolhidas cerca de 40 toneladas.

Para se ter ideia, um caminhão de lixo cheio comporta, em média, de 10 a 15 toneladas. Ou seja, o volume recolhido nas ruas e avenidas de Belo Horizonte durante o Carnaval equivale a cerca de quatro a cinco caminhões completamente carregados. Número que ainda pode crescer, já que a contagem do material segue em andamento. A expectativa é que o total chegue a 55 toneladas.

"Nos quatro dias de Carnaval, catadores de quatro cooperativas de BH foram cadastrados para atuar nos blocos de rua, recolher os materiais descartados e fazer a triagem. São plásticos, latinhas, papelões, tudo o que pode ser reaproveitado", explica o diretor da Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável), Getúlio Andrade. De fato, os trabalhadores foram "figuras carimbadas" nos principais cortejos da capital, como acompanhou a reportagem de O TEMPO na cobertura, por exemplo, do Então, Brilha! e do Baianas Ozadas.

Foto: Fred Magno / O TEMPO

Neste ano, na terceira edição do Reciclabelô — considerado, segundo a prefeitura, o maior projeto de inclusão de catadores autônomos nos carnavais do país —, os participantes contaram com quatro centrais de triagem espalhadas pela cidade. As estruturas foram equipadas com tendas, mesas, cadeiras, energia elétrica, caixas térmicas, gelo, água e segurança privada 24 horas. Para viabilizar a operação, o Executivo municipal investiu R$ 114,2 mil.

Renda

Além disso, a prefeitura destinou R$ 499,3 mil à contratação dos catadores autônomos, em parceria com a Copasa. O valor garantiu o pagamento de uma diária mínima de cerca de R$ 200 aos cerca de 440 participantes. Segundo o diretor da Asmare, no entanto, os ganhos superaram a expectativa. "Tínhamos uma meta de 30 quilos de recicláveis coletados por dia. Esse volume dava acesso à diária de R$ 200. A partir daí, todo material extra pesado e contabilizado aumentava o valor recebido", explica.

Segundo ele, o quilo da lata estava a R$ 8,50; o do plástico, a R$ 1,50; e o do papelão, a R$ 0,30. "Como tudo no projeto foi organizado previamente, os catadores foram cadastrados. No momento da pesagem, era conferido o número do crachá. Assim, cada um recebeu de acordo com a quantidade de material que recolheu nas ruas", continua Getúlio Andrade.

Ele avalia que o projeto Reciclabelô deu reconhecimento e visibilidade ao trabalho dos catadores autônomos, que já atuavam antes da parceria com o poder público. "A Asmare é uma associação com mais de 30 anos. Nosso trabalho não era remunerado: nós íamos ao Carnaval e fazíamos a coleta na cara e na coragem. Com o Reciclabelô, a atividade se tornou mais fácil e segura, além de alcançar mais pessoas. Mais catadores foram cadastrados e puderam aumentar a renda", avalia.

Foto: Fred Magno / O TEMPO

Os recursos foram serão repassados, além da Asmare, às cooperativas: Coopersoli Barreiro (Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região), Coopesol Leste (Cooperativa Solidária dos Trabalhadores e Grupos Produtivos da Região Leste) e Associrecicle (Associação dos Recicladores de Belo Horizonte).

O projeto tem a parceria da Copasa, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT) e do Ministério Público do Trabalho (MPT).

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