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ApexBrasil inaugura escritório na Índia na expectativa de ampliar comércio

exame.com By Luciano Pádua 2026-02-21 739 words
Ministros e membros da missão brasileira com o presidente Lula durante inauguração de escritório da ApexBrasil em Nova Déli

Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 04h01.

Última atualização em 21 de fevereiro de 2026 às 04h05.


NOVA DÉLI* — A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) inaugurou nesta sexta-feira, 20, seu primeiro escritório na Índia, em Nova Déli, em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de ministros que integram a missão oficial brasileira no país. A nova base marca o que o governo chama de "nova fase" na relação bilateral e reforça a estratégia de ampliar o comércio entre duas das maiores economias do Sul Global.

"Nós vamos ter uma nova fase na relação Brasil-Índia", afirmou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ao lado de Lula.

"Nós vamos ter uma nova fase na relação Brasil-Índia", afirmou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ao lado de Lula.

Participaram também da agenda os ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Alexandre Padilha (Saúde), além de empresários e representantes de dezenas de setores produtivos. O presidente Lula não falou no evento.

Segundo o presidente da Apex, o fluxo comercial entre Brasil e Índia atingiu US$ 15 bilhões em 2025, alta de 30% em relação aos US$ 12 bilhões registrados no ano anterior.

As exportações brasileiras somam US$ 6,9 bilhões -- quase metade do total composto por petróleo e derivados.

A avaliação do governo é que o número ainda está muito aquém do potencial. Viana afirmou que a relação bilateral pode alcançar US$ 100 bilhões, patamar semelhante ao comércio brasileiro com Estados Unidos e União Europeia.

"Por que com a Índia é US$ 15 bilhões? Ou era US$ 12 bilhões [em 2024]?", disse, ao defender que o nível atual não condiz com o tamanho das duas economias.

No evento, o secretário de Comércio da Índia, Shri Rajesh Agrawal, afirmou que o comércio bilateral ainda está muito abaixo do potencial das duas economias e defendeu um salto nas trocas e nos investimentos entre os países. "Somos duas grandes economias, mas ainda estamos muito longe do real potencial", afirmou.

Segundo ele, o estoqu
e de investimentos de empresas brasileiras na Índia é de cerca de US$ 1 bilhão, enquanto o investimento indiano no Brasil soma aproximadamente US$ 6 bilhões.

O secretário também ressaltou o potencial no comércio de serviços, que já supera US$ 5 bilhões entre os dois países.

Agrawal também defendeu a expansão do acordo comercial preferencial entre Índia e Mercosul, firmado em 2004. "É hora de pensar em uma expansão substancial do acordo existente", disse.

Ele afirmou ainda que a Índia tem acelerado a assinatura de acordos de livre comércio — nove nos últimos seis anos — e está aberta a aprofundar a integração econômica com o Mercosul.

A abertura do escritório ocorre em meio a negociações para ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado indiano. Entre as frentes citadas e já adiantadas estão a abertura de mercado para feijões, a ampliação de cotas para proteína de aves e a exportação de genética melhorada de gado zebuíno

Segundo Viana, cerca de 30% da população indiana é vegetariana, o que abre espaço para crescimento das exportações de proteína animal.

Diversas negociações ocorrem entre as delegações brasileira e indiana. Espera-se que o presidente Lula faça um balanço da viagem no domingo, 22, e anuncie os investimentos concretizados e os entendimentos fechados.

Entre as expectativas, estão avanços no acordo entre Mercosul-Índia, cooperação da Embraer com a Adani, tentativas de diminuir tarifas indianas para importação de suco de laranja e carne de aves.

No plano político, a abertura da representação foi apresentada como parte de uma estratégia de diversificação. O governo tem investido fortemente em ampliar os laços com países da Ásia -- Lula ruma da Índia para a Coreia do Sul, por exemplo.

A avaliação é que uma aproximação estratégica entre Brasil e Índia tende a ser menos sujeita a questionamentos geopolíticos do que um alinhamento excessivo com China, Estados Unidos ou Europa

A iniciativa ocorre em um momento de reconfiguração das cadeias globais e de tensões comerciais entre grandes potências.

O escritório em Nova Déli é o 11º da Apex no exterior. Recentemente, a agência também expandiu a presença na África, ampliou bases na China e reforçou a atuação nos Estados Unidos e em Singapura.

* O jornalista viajou a convite da ApexBrasil

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