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Quem é Tatiana Sampaio: a cientista brasileira que saiu dos laboratórios para o centro das atenções globais - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Tatiana Favaro 2026-02-20 643 words
PERSONALIDADE

Quem é Tatiana Sampaio: a cientista brasileira que saiu dos laboratórios para o centro das atenções globais

A trajetória da pesquisadora criadora da polilaminina, proteína capaz de devolver movimentos a quem sofreu lesões medulares

Tatiana Sampaio, cientista brasileira de 59 anos, ganha destaque por liderar pesquisa sobre polilaminina, que estimula a regeneração de neurônios danificados.

A pesquisa de Sampaio, iniciada há 28 anos, foca na aplicação da polilaminina para favorecer a reconexão neural em lesões da medula espinhal.

Formada pela UFRJ e com pós-doutorado nos EUA e Alemanha, Sampaio é professora, consultora científica e lidera estudo com cães para lesões crônicas.

O nome da cientista brasileira Tatiana Sampaio ganhou visibilidade nas redes sociais, em portais de ciência e em rodas acadêmicas nas últimas semanas. Mas, antes de virar assunto em vídeos virais e especulações sobre prêmios internacionais, Tatiana construiu uma trajetória longa, consistente e silenciosa dentro dos laboratórios, como acontece com a maioria das grandes descobertas científicas.

Tatiana Coelho de Sampaio nasceu no Rio de Janeiro e desde cedo demonstrou interesse pelas ciências físicas e biológicas, incentivada pelo pai economista, engenheiro e filósofo. Já dizia que queria ser cientista quando crescesse, mas na área da física. Aos 27 anos, depois de graduação em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestrado, doutorado e pós-doutorado, Tatiana assumiu uma vaga como professora na UFRJ e nesse período fez estágios de pós-doutorado na Universidade de Illinois (EUA) e na Universidade de Erlangen-Nuremberg (Alemanha).

Ainda na formação acadêmica, direcionou seus estudos para a bioquímica e, posteriormente, para a neurociência, área que se tornaria o eixo central de sua carreira. Seu foco sempre esteve nos mecanismos que permitem ou impedem a regeneração do sistema nervoso, um dos maiores desafios da medicina moderna.

Ao longo de anos de pesquisa, Tatiana aprofundou seus estudos sobre a laminina, proteína essencial da matriz extracelular que atua como uma espécie de "andaime" para o crescimento e a organização das células. Foi a partir desse campo que surgiu a polilaminina, uma versão sintética capaz de reorganizar sinais celulares e estimular a regeneração de neurônios danificados.

Longe dos jalecos, a cientista brasileira gosta de samba e casa cheia

Ela estuda a mesma proteína há 28 anos. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Tatiana disse que a pesquisa começou na estrutura da molécula, passou por células, modelos animais, chegou a ratos, cachorros, humanos. Depois, à empresa farmacêutica Cristália, responsável pelo desenvolvimento do remédio, e, agora, ao campo da regulação.

O diferencial da polilaminina está na capacidade de favorecer a reconexão neural em ambientes onde, até então, a regeneração era limitada ou inexistente, como em lesões da medula espinhal. Foi justamente esse potencial que fez o nome de Tatiana ultrapassar os muros da universidade. De repente, uma cientista brasileira passou a ser citada como possível candidata a reconhecimentos internacionais de alto nível por liderar a pesquisa que possibilita recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular.

Hoje, aos 59 anos, além de liderar a pesquisa com a polilaminina, Tatiana também conduz um estudo com cães para avaliar efeitos em lesões crônicas. É sócia e consultora científica da Cellen, empresa de produção de células-tronco para uso veterinário.

Mas longe dos jalecos e microscópios, Tatiana se descreve como alguém de hábitos simples. Prefere cerveja gelada, samba e boteco a restaurantes sofisticados ou programas glamourosos. Assim como no laboratório, sua casa é um espaço de fluxo constante: alunos, sobrinhos, amigos dos filhos entram e saem o tempo todo. Mãe de três filhos — dois biológicos, hoje com 25 e 21 anos, e uma filha "do coração", de 28 —, Tatiana diz que sempre fez questão de manter um ambiente familiar que define como "acolhedor e barulhento". A casa, segundo ela, nunca foi um espaço silencioso ou fechado. "Sou muito mãezona", afirma.

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