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Após montanhas de lixo no Carnaval, vereadora de Olinda pede CPI para apurar crise da coleta na cidade - Brasil de Fato

brasildefato.com.br By Vinicius Sobreira 2026-02-20 864 words
O Carnaval passou, mas o cheiro e os vídeos das ruas de Olinda continuam circulando. Quem esteve nas ladeiras do Sítio Histórico não pode evitar os entulhos e sacos de detritos acumulados nas vias. A situação resultou em vídeos de repercussão nacional, com blocos carnavalescos circulando enquanto foliões tropeçam e caem sobre montanhas de lixo. Em busca de explicações, a vereadora olindense Eugênia Lima (PT) quer uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar um alegado "colapso" na limpeza urbana da cidade.

O acúmulo de lixo nas vias públicas e esquinas das periferias é algo notado desde o fim de 2025. No bairro de Jardim Atlântico e outras periferias da cidade, na tentativa de reduzir o odor e os animais e insetos indesejados atraídos pelas impurezas, a alternativa encontrada pelos moradores foi queimar o lixo, situação já observada pela reportagem do BdF. "O acúmulo de lixo deixou de ser algo pontual e passou a ser um problema crônico de Olinda, se agravando justamente nos momentos em que o município mais precisa funcionar bem", diz Eugênia. "Vivemos uma situação que envergonhou Olinda diante do Brasil e do mundo", completa a vereadora.

A parlamentar petista diz ter um dossiê elaborado pela equipe técnica do mandato, reunindo dados financeiros, administrativos e ambientais sobre a coleta e tratamento de resíduos sólidos de 2022 a 2026. Segundo o mandato, a gestão do lixo no município tem sofrido com crises desde 2025, alternando períodos de suspensão total e funcionamento parcial do serviço. O motivo de tal crise, avalia Lima, seria um quadro de desequilíbrio financeiro nas contas da prefeitura.

Em agosto de 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) emitiu alerta apontando uma dívida superior a R$ 2 milhões da gestão de Olinda com a empresa Central de Tratamento de Resíduos Ltda. (CTR Candeias), pendência que poderia retirar do município o direito ao recebimento de recursos do "ICMS socioambiental". Eugênia Lima pontua que a gestão Mirella, em 2025, previu gastar R$ 35,4 milhões na coleta de lixo, mas atrasou esses pagamentos ao longo do ano, arrastando pendências para 2026. Os impactos ambientais decorrentes deste quadro incluem obstrução de canais de drenagem e contaminação de lençóis freáticos.

É com estes documentos que Eugênia espera convencer outros vereadores de Olinda a assinarem o pedido de inquérito parlamentar, que precisa de no mínimo seis assinaturas. "A CPI é o instrumento legal para investigar com responsabilidade, reunir provas e propor mudanças concretas para que a cidade não volte a enfrentar esse cenário", diz Lima. O pedido de CPI fala de contratos de serviços de coleta, transporte e destinação final dos resíduos, a recorrência de contratos emergenciais e aditivos, os atrasos por parte do município e os impactos fiscais, ambientais e sanitários decorrentes da falta de coleta.

A vereadora suspeita de crimes de responsabilidade que, se confirmados, poderiam justificar um pedido de impeachment contra a prefeita Mirella Almeida (PSD). Mas a petista esbarra no fato de ser a única vereadora de oposição à gestão e uma das duas mulheres entre os 17 parlamentares. Apesar do cenário adverso, ela conseguiu recentemente a aprovação de uma emenda para reduzir o prazo de pagamento dos cachês aos artistas do Carnaval.

Se instalada, a CPI terá prazo determinado, elegerá presidente e relator e poderá requisitar documentos, convocar depoentes, realizar buscas e produzir relatórios. Ao fim dos trabalhos, o relatório é encaminhado a órgãos de controle e fiscalização, como o Ministério Público (MPPE) e o TCE, para análise e possível responsabilização administrativa, civil ou criminal. "A população de Olinda quer respostas. Vou continuar fiscalizando, mas precisamos do instrumento certo para investigar a fundo e mudar essa realidade", pontua Eugênia.

A culpa é da população?

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Olinda, apresentando questionamentos sobre a falta ou insuficiência da coleta de lixo no Carnaval e nos meses anteriores à festa. Até o momento, não fomos respondidos. Tão logo a gestão entre em contato, traremos a resposta para o texto.

Nesta sexta-feira (20), a gestão anunciou uma "força tarefa de coleta de lixo". Segundo comunicado da gestão, "a Prefeitura tem ampliado o monitoramento das rotas e reforçado as equipes responsáveis pelo serviço. A regularidade da coleta domiciliar é fundamental para manter a cidade limpa, evitar o acúmulo de resíduos em vias públicas e prevenir problemas como entupimentos na rede de drenagem", ensina.

A gestão fala ainda em "ações educativas para a população". "A colaboração dos moradores é essencial para o sucesso das ações. Manter o lixo acondicionado adequadamente e respeitar os dias e horários da coleta contribui diretamente para a eficiência do serviço e para a preservação dos espaços públicos".

Carnaval Sustentável

Ao celebrar o saldo de 4 milhões de foliões ao longo dos dias de folia, a Prefeitura de Olinda mencionou ter instalado 180 tonéis para descarte de lixo, a contratação de caminhões-pipa que despejaram diariamente mais de 1 milhão de litros de água e 100 litros de essência para limpar e reduzir o odor nas ruas, além do apoio (com refeições e equipamentos de proteção individual) para mais de mil catadores de materiais recicláveis. A gestão contabiliza ainda 55 toneladas de materiais destinados à reciclagem, além de 10 mil litros de óleo com destinação correta.

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