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Vídeo em que Brizola associa Bolsonaro a milícias foi gerado por IA • Lupa

agencialupa.org By João Pedro Capobianco 2026-02-20 577 words
Circula no Facebook e no Instagram a alegação de que Leonel Brizola alertou, há 22 anos, sobre o envolvimento de Jair Bolsonaro (PL) com milícias no Rio de Janeiro. É falso.

Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

"Há um deputado federal, da ala conservadora do Rio de Janeiro, que me causa grande inquietação. Ele está associado a milícias. Embora não seja amplamente reconhecido no Brasil, seu nome é Jair Messias Bolsonaro."
Áudio atribuído a Leonel Brizola em publicação com 7,5 mil compartilhamentos

"Há um deputado federal, da ala conservadora do Rio de Janeiro, que me causa grande inquietação. Ele está associado a milícias. Embora não seja amplamente reconhecido no Brasil, seu nome é Jair Messias Bolsonaro."

Áudio atribuído a Leonel Brizola em publicação com 7,5 mil compartilhamentos

O vídeo não é real. A ferramenta de detecção de inteligência artificial (IA) Hive Moderation apontou 96,9% de chance de o conteúdo ter sido fabricado de forma artificial. Além disso, há indícios visíveis de manipulação de conteúdo, como sucessivas falhas na imagem e uma entonação não natural na fala de Brizola.

Uma pesquisa no buscador do Google com os termos "Brizola", "Bolsonaro" e "milícia" não retorna qualquer resultado sobre discursos de Brizola acerca do envolvimento de Bolsonaro nos grupos criminosos.

Um dos vídeos disponíveis no canal da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini no YouTube, "Mensagem aos Jovens, de Leonel Brizola", se assemelha ao que é retratado na publicação enganosa, mas, na publicação original, o político gaúcho não menciona "milícia" nem "Bolsonaro" nenhuma vez.

Uma pesquisa pelos termos "Bolsonaro" e "milícia" no site da fundação também não retorna qualquer conteúdo com críticas de Leonel Brizola ao ex-presidente.

Herdeiros de Brizola já criticaram Bolsonaro

No artigo "O que diria Brizola?", publicado no jornal O Globo em maio de 2020, a ex-deputada estadual pelo Rio Grande do Sul Juliana Brizola (PDT), neta de Leonel Brizola, faz um exercício de imaginação sobre o que seu avô diria a respeito de Jair Bolsonaro — à época, presidente da República.

Relembrando que Brizola costumava usar frases de efeito e dar apelidos aos adversários políticos, Juliana afirma que o avô teria chamado Bolsonaro de "filhote da ditadura". Não há, no texto da pedetista, qualquer menção a críticas reais que Leonel Brizola tenha direcionado ao ex-presidente Bolsonaro.

Brizola e Bolsonaro na política fluminense

Leonel Brizola foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1982 e, em 1989, candidatou-se à Presidência da República, sem sucesso. Em 1990, voltou a governar o Rio e, em 1994, candidatou-se novamente à presidência, sem sucesso. Em 1998, foi candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Até o final dos anos 1980, Jair Bolsonaro dedicou-se às atividades militares. Foi somente em 1989 que o capitão do Exército deixou a farda para eleger-se vereador na cidade do Rio de Janeiro. Dois anos depois, elegeu-se deputado federal, cargo no qual permaneceu por sete mandatos (28 anos), até ser eleito presidente da República.

Embora Brizola e Bolsonaro tenham atuado simultaneamente por um breve período na política fluminense, não é possível concluir que o gaúcho tenha criticado Bolsonaro por uma suposta relação com milicianos.

A Lupa entrou em contato com a Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini para saber se há, no acervo da instituição, algum registro de crítica a Bolsonaro e às milícias cariocas. Até o fechamento desta verificação, não houve retorno.

Conteúdo semelhante foi checado com AFP Checamos.

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