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Brasil e Índia fecham pacto por terras raras

jornalggn.com.br By Ana Gabriela Sales 2026-02-21 398 words
Em um movimento que redesenha as cadeias de suprimento globais, o Brasil e a Índia assinaram neste sábado (21), em Nova Délhi, um acordo pioneiro para a exploração de minerais críticos e terras raras. O anúncio foi feito pelo presidente Lula (PT) e pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, consolidando uma aliança que une a segunda maior reserva mundial desses recursos (Brasil) a uma das economias que mais crescem no planeta.

O memorando de entendimento, com validade inicial de cinco anos, prevê investimentos mútuos na mineração e no processamento de elementos essenciais para indústrias de ponta, como a de veículos elétricos, semicondutores, turbinas eólicas e sistemas de defesa. Para a Índia, o pacto é vital para diversificar fornecedores e mitigar a hegemonia da China no setor.

Tecnologia e soberania no Sul Global

Durante a cerimônia, Lula enfatizou que o acordo coloca a tecnologia "a serviço do desenvolvimento inclusivo". O presidente destacou que a cooperação em energias renováveis e minerais estratégicos é o cerne da nova etapa da parceria bilateral. "No marco da Aliança Global para Biocombustíveis, nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global", afirmou.

A aproximação entre Brasília e Nova Délhi já havia sido antecipada em análises do GGN. Em entrevista recente ao jornalista Luís Nassif, o pesquisador Rey Aragon destacou que o atual século será impulsionado por ativos como terras raras e redes soberanas.

Na ocasião, Aragon alertou para a necessidade de o Brasil tratar esses minérios como ativos estratégicos de Estado, evitando a exportação de matéria-prima bruta sem valor agregado, tese que ganha força com os termos de cooperação técnica e industrial assinados agora.

Expansão comercial e geopolítica

Além da mineração, os líderes trataram de temas como defesa, saúde e inteligência artificial. O fluxo comercial entre as duas nações superou os US$ 15 bilhões em 2025, e a meta estabelecida é alcançar US$ 20 bilhões até 2030.

Modi classificou o entendimento sobre minerais como "um passo importante para construir cadeias de suprimento resilientes", sinalizando que a parceria vai além do comércio de commodities tradicionais.

O acordo também prevê a cooperação em áreas greenfield (novos projetos) e brownfield (instalações que necessitam de modernização), sob a coordenação do Ministério de Minas e Energia.

Após o cumprimento da agenda na Índia, que incluiu homenagens a Mahatma Gandhi, Lula segue para a Coreia do Sul para reuniões com foco em investimentos empresariais.

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