Ministérios repudiam decisão do TJMG que absolveu homem 'casado' com menina de 12 anos
No posicionamento, as pastas reforçam que o Brasil adota a lógica da proteção integral de crianças e adolescentes, conforme previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo a nota, "quando a família não assegura essa proteção, especialmente em situações de violência sexual, cabe ao Estado e à sociedade, incluindo os três Poderes, garantir os direitos da criança, sendo inadmissível que a anuência familiar ou a autodeclaração de vínculo conjugal sejam utilizadas para relativizar violações."
Os ministérios também destacam que o país repudia o casamento infantil, prática classificada como grave violação de direitos humanos, que aprofunda desigualdades de gênero, raça e classe. A nota cita que, em 2022, mais de 34 mil crianças de 10 a 14 anos viviam em uniões conjugais no Brasil, majoritariamente meninas, pretas ou pardas, concentradas em regiões historicamente mais vulnerabilizadas.
Por fim, as pastas lembram ainda que o Brasil assumiu compromissos internacionais para eliminar essa prática, incluindo recomendações recentes do Comitê da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), que orientam a fixação da idade mínima para o casamento em 18 anos, sem exceções. Para o MDHC e o Ministério das Mulheres, "decisões judiciais, inclusive no âmbito dos Tribunais de Justiça, devem estar alinhadas a esse marco normativo, garantindo que nenhuma interpretação fragilize a proteção integral de crianças e adolescentes."
Procurado por O TEMPO, o TJMG informou, por nota, que o processo tramita em segredo de Justiça. "O Tribunal não se manifestará a respeito". Já o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que pretende recorrer da decisão.
Entenda o caso
O TJMG absolveu, por maioria de votos, o homem de 35 anos que era acusado de estupro de vulnerável contra a menina de 12 anos. A mãe da adolescente, que respondia ao processo por ser conivente com a situação, também foi inocentada pela decisão.
Em sua decisão, o desembargador Magid Nauef, da 9ª Câmara Criminal do TJMG, argumentou que o relacionamento entre o homem e a criança não teve violência ou coação, mas sim um "vínculo afetivo consensual". O magistrado também destacou que os pais da menina sabiam de tudo e que a relação acontecia "aos olhos de todos".
Durante o processo, em um depoimento especializado, a menina confirmou o envolvimento emocional com o réu, chamando-o de "marido". Ela chegou a declarar que deseja continuar o relacionamento quando completar 14 anos ou quando o homem sair da prisão.
Apesar da interpretação do tribunal mineiro, a lei brasileira diz que qualquer relação sexual com menores de 14 anos é considerada crime, independentemente de haver consentimento da vítima ou autorização da família. A Justiça entende que, nessa idade, a criança não tem maturidade para decidir sobre sua vida sexual.
Antes de chegar ao colegiado, os réus haviam sido condenados em primeira instância a nove anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Na época, a Justiça entendeu que o homem cometeu o crime e que a mãe falhou em seu dever de proteger a filha. Com a nova decisão do TJMG, essa condenação foi anulada.
Uma das desembargadoras do caso, Kárin Emmerich, votou contra a absolvição. Para ela, o consentimento da vítima é irrelevante, e a lei deve ser cumprida para evitar qualquer prática sexual com menores de 14 anos.
Decisão anterior foi anulada
Antes de chegar ao tribunal estadual, os réus haviam sido condenados em primeira instância a nove anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Na época, a Justiça entendeu que o homem cometeu o crime e que a mãe falhou em seu dever de proteger a filha. Com a nova decisão do TJMG, essa condenação foi anulada. (Com informações de Vítor Fórneas)
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"Os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e das Mulheres divulgaram, neste sábado (21/2), uma nota conjunta"
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"Os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e das Mulheres divulgaram, neste sábado (21/2), u"
Government perspective opposing court decision.
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Court's reasoning presented.
Balance indicator"Uma das desembargadoras do caso, Kárin Emmerich, votou contra a absolvição. Para ela, o consentimento da vítima é irrelevante"
Dissenting judicial opinion within court.
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Prosecution's opposing stance.
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Background"Antes de chegar ao colegiado, os réus haviam sido condenados em primeira instância a nove anos e quatro meses de prisão"
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"nta em que manifestam repúdio à decisão da 9ª Câmara Crimin"
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MethodologyLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; clear presentation of facts and legal positions.
Core Claims & Their Sources
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"The TJMG court absolved a 35-year-old man who had a relationship with a 12-year-old girl."
Source: Court decision and government statement Primary
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"The Brazilian government repudiates the court decision as violating child protection laws."
Source: Joint statement from Ministries of Human Rights and Women Primary
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"The judge argued the relationship was consensual and without violence."
Source: Judge Magid Nauef's decision Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (6)
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P1
"In 2022, over 34,000 children aged 10-14 lived in conjugal unions in Brazil"
Factual -
P2
"The mother was also absolved for being complicit"
Factual -
P3
"The defendants were previously sentenced to 9 years and 4 months in prison"
Factual -
P4
"One judge dissented against the absolution"
Factual -
P5
"Child marriage deepens gender, causes race, and class inequalities"
Causal -
P6
"When family doesn't ensure protection, causes the state must guarantee child rights"
Causal
Claim Relationships Graph
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=== Propositions === P1 [factual]: In 2022, over 34,000 children aged 10-14 lived in conjugal unions in Brazil P2 [factual]: The mother was also absolved for being complicit P3 [factual]: The defendants were previously sentenced to 9 years and 4 months in prison P4 [factual]: One judge dissented against the absolution P5 [causal]: Child marriage deepens gender, causes race, and class inequalities P6 [causal]: When family doesn't ensure protection, causes the state must guarantee child rights === Causal Graph === child marriage deepens gender -> race and class inequalities when family doesnt ensure protection -> the state must guarantee child rights
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.