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Feminicídio: vítima era vigiada 24 horas por câmeras de segurança, diz familiar

opovo.com.br By Jéssika Sisnando; Jessika-Sisnando 2026-02-21 565 words
Feminicídio: vítima era vigiada 24 horas por câmeras de segurança, diz familiar

O acusado Anderson Renan Magalhães Freitas segue foragido há cinco dias, desde a data do feminicídio que vitimou Ana Karolina Sousa, de 31 anos. O crime foi registrado no dia 14 de fevereiro, no município de Itapipoca, no Ceará, a 120 quilômetros de Fortaleza. A prisão preventiva do homem foi decretada pela Justiça. Anderson não aceitava o término e manteve acesso ao sistema de câmeras de segurança da residência de Karol, conforme a família dela.

Karolina era estudante de biomedicina e empresária de estética, com atuação em design de cílios. Ela mantinha um estúdio na própria residência e era referência na região, criava conteúdo na Internet e influenciava outras mulheres. A empresária era mãe de uma menina de sete anos.

O irmão de Karolina, Breno Sousa, concedeu entrevista ao O POVO e relatou que há três meses, o ex-companheiro de Karol havia saído de casa, após mais de um ano de tentativas da mulher de colocar um ponto final no relacionamento.

A rotina da empreendedora passou a ser de perseguição e ameaças, sendo vigiada por câmeras de segurança dentro da própria casa.

"Uma mulher independente, amável e doce"

Breno relata que Karol foi mãe solo, arcava sozinha com as responsabilidades da filha e começou a trabalhar ainda jovem.

Durante o relacionamento com Renan, a dependência financeira nunca existiu por parte dela, aponta o familiar. O irmão destaca que houve períodos em que Renan ficou desempregado e foi Karol quem arcou com todas as despesas da casa. "Ela nunca dependeu de homem nenhum, sempre trabalhou e buscava melhorar a cada dia", descreve.

Apesar de estarem em processo de divórcio e de ele já ter saído da residência havia três meses, ele não aceitava o término e manteve acesso ao sistema de câmeras de segurança da residência de Karol.

Colegas de trabalho de Renan teriam relatado que ele passava o dia inteiro com as imagens abertas, vigiando cada passo da ex-mulher, no intuito de ver com quem ela conversava e quem entrava no estúdio.

Breno afirma que Karol sabia que estava sendo vigiada e conseguia ver que havia "duas pessoas assistindo" às imagens em tempo real.

Amigos e familiares estavam assustados com a personalidade do ex-marido e aconselharam a troca das senhas das câmeras, a troca imediata das fechaduras e até que ela se mudasse de casa, mas a vítima resistiu.

O irmão ressaltou que Karol construiu a casa e também transformou o imóvel em sede do estúdio. "Ela via ali o sonho dela", relatam os familiares.

Renan reteve as chaves da casa e dos quartos e entrava no local a qualquer momento, sem avisar, ignorando os pedidos da empreendedora para que não fizesse isso.

Na sexta-feira, 13, a empresária saiu para ir a um show e, no sábado, 14, fez as últimas publicações nas redes sociais. Depois disso, não houve mais notícias. A vítima foi alvo de agressões e esfaqueada, não resistindo aos ferimentos. Karol foi encontrada morta.

A família agora lida com o luto e com a tarefa de amparar a menina de sete anos, que teve a mãe arrancada de forma covarde.

"Ela deixou uma filha de sete anos que agora procura pelo colo da mãe. A família está destruída, Karol era uma menina doce, amável e muito querida, não somente pela nossa família, mas por amigas e clientes", contou o irmão.

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