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Não foi consciência, mas medo de dormir no sofá da sala

saude.ig.com.br By Carla Brandão 2026-02-22 488 words
Depois de ver seu time eliminado nas quartas de final do Campeonato Paulista, após perder por 2 a 1 para o São Paulo Futebol Clube, o jogador Gustavo Marques usou o microfone para demostrar sua insatisfação com o resultado. Ao invés de ter uma fala condizente com o que ocorreu, o zagueiro reclamou da arbitragem. Algo comum, mas já fora de moda.

A atitude, porém, se mostrou ainda mais incabível porque usou as seguintes palavras: "Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para jogos desse tamanho e não colocar uma mulher (como árbitra), Com todo respeito às mulheres do mundo. Eu sou casado, tenho minha mãe". Tudo porque ele achou que houve um possível pênalti não marcado a favor do Bragantino.

A árbitra da partida, Daiane Muniz, vinculada à Federação Paulista de Futebol (FPF) e integrante do quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ainda teve que lidar com um pedido de desculpas inusitado depois da chuveirada no vestiário. Segundo o jogador, "Acho que eu errei de ter falado… Estou aqui para pedir perdão para todas as mulheres do Brasil, do mundo. Até minha mulher me xingou também já pela minha fala. Minha mãe também… Estou aqui para pedir perdão."

O que o Red Bull Bragantino e todos os gestores do Futebol deveriam fazer é treinar a mente dos jogadores, que associado ao treino físico, pode produzir exemplos e resultados também fora dos campos. O clube divulgou uma nota oficial repudiando a declaração, pediu desculpas à árbitra e às mulheres em geral e informou que avaliaria medidas internas. A Federação Paulista também se manifestou e o caso pode ser analisado pelo Tribunal de Justiça Desportiva e resultar punição ao atleta. Porém, apenas punir não gera consciência, ameaçar não muda padrão.

Alguns homens têm muita dificuldade de encarar mulheres poderosas no ambiente de trabalho. Deveria ser algo normal. Não basta fazer sua parte, somos seres sociais e o desempenho depende de diversos fatores somados. Está na hora de treinar posicionamento fora de campo também. A árbitra, aceitou o pedido de desculpas, forçado pela pressão da família, do contratante, da imprensa e das redes sociais, mas orientou que ele tomasse mais cuidado com as palavras, destacando que nem todas as mulheres reagiriam da mesma forma.

Também ressalto que é importante interromper quem tem espaço de falas, atitudes e posicionamentos inaceitáveis e ajudar a mudar estruturas sociais obsoletas e vazias. Eu sugiro que o jogador seja criativo e faça algo para servir de exemplo e retratação real. Afinal, do ponto de vista neuropsicológico, a regulação do comportamento está associada principalmente ao córtex pré-frontal, com funções que incluem capacidade de frear impulsos, manter informações ativas para tomar decisões e flexibilidade cognitiva para se adaptar a novas situações. É isso que nos permite pensar antes de agir, avaliar consequências e ajustar condutas. Ele poderia retornar ao microfone ou às redes com algo melhor, já que a mente humana nos permite evoluir!

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