Lula diz que Sul Global pode mudar a lógica econômica do mundo - Brasil de Fato
Em coletiva de imprensa, Lula falou sobre as dificuldades históricas que países menos desenvolvidos têm durante as negociações com superpotências.
"Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder", disse Lula.
Segundo ele, "os países em desenvolvimento podem mudar a lógica econômica do mundo. Basta querer. Está na hora de mudar. Falo isso com base em 500 anos de experiência colonial, porque continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco, para somar nosso potencial e nos tornar mais fortes", acrescentou.
Brics
Na avaliação de Lula, o Brics tem colaborado no sentido de viabilizar essa nova lógica econômica para o mundo. O bloco, na avaliação do presidente, "está ganhando uma cara".
"É um grupo que antes era marginalizado. Criamos um banco. Tudo ainda é novo. Sei que os Estados Unidos têm alguma inquietação, que na verdade é com a China. Mas não queremos outra Guerra Fria. Queremos fortalecer nosso grupo, que pode se integrar ao G20 e, quem sabe, formar algo equivalente a um G30", argumentou.
Ele voltou a negar que se pretenda criar uma moeda para o Brics. "Nunca defendemos criar uma moeda dos Brics. O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos. Os Estados Unidos não vão gostar no primeiro momento, mas tudo bem. Vamos debater", disse.
ONU
O presidente brasileiro voltou a defender o multilateralismo e o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), que, segundo Lula, precisa voltar a ter legitimidade e eficácia. Segundo ele, a ONU tem, entre suas funções, a de manter a paz e da harmonia no mundo.
"Esses dias eu liguei para quase todos os presidentes, propondo que a gente tem que dar uma resposta ao que aconteceu na Venezuela, ao que aconteceu em Gaza, ao que aconteceu na Ucrânia. Você não pode permitir que, de forma unilateral, nenhum país — por maior que seja — possa interferir na vida de outros países. Precisamos da ONU para resolver esse tipo de problema. E, por isso, ela precisa ter representatividade", reiterou.
EUA
Sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos, Lula disse que boas parcerias podem surgir, caso, de fato, haja interesse dos EUA em combater organizações criminosas transnacionais como a do narcotráfico.
"O crime organizado hoje é uma empresa multinacional. Por isso, nossa Polícia Federal precisa construir parcerias com todos os países que tenham interesse em enfrentá-lo conosco", disse. "E se o governo dos EUA estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, estaremos na linha de frente, inclusive reivindicando que nos enviem os criminosos brasileiros que estão lá", acrescentou.
Lula defendeu que a relação da superpotência com os países da América do Sul e Caribe seja sempre respeitosa, uma vez que trata-se de uma região pacífica, sem qualquer armamento nuclear, que quer crescer economicamente, gerar emprego e melhorar a vida de seu povo.
Este, por sinal, é um assunto que ele pretende conversar com o presidente Donald Trump, no encontro que os dois devem ter em breve.
"Quero discutir qual é o papel dos EUA na América do Sul, se é de ajuda ou ameaça, como está fazendo com o Irã. O que o mundo precisa é de tranquilidade. Vamos gastar nossa energia para acabar com a fome e com a violência contra as mulheres, que cresce em todos os países", disse Lula ao lembrar que o momento atual é o de maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.
Sobre a taxação imposta pelos EUA a outros países, derrubada recentemente pela suprema corte estadunidense, Lula disse que não cabe a ele, enquanto presidente do Brasil, julgar decisões de cortes de outros países.
Índia
Lula falou também sobre os encontros que teve com o primeiro-ministro da Índia Narendra Modi. "Tratamos muito da nossa relação comercial e da relação entre Brasil e Índia. Não entramos em detalhes sobre geopolítica internacional. Eu sei o que a Índia pensa sobre determinados problemas, e eles sabem o que o Brasil pensa. Nós discutimos o que nos une. Em especial sobre fortalecer nossas economias para nos tornarmos países altamente desenvolvidos", disse ao classificar a conversa como extraordinária e exitosa para os dois países.
Lula disse que as conversas com empresários também foi muito positiva. "Todos os empresários indianos que investem no Brasil elogiam o país e dizem que vão aumentar seus investimentos. Eles são muito otimistas com relação ao Brasil."
O presidente voltou a dizer que o Brasil está aberto para que outros países venham explorar os minerais críticos e as terras raras do país. Ele, no entanto, reiterou que só terá acesso a essas riquezas quem se dispor a agregar valor em território brasileiro.
"O processo de transformação precisa acontecer no Brasil. Vamos conversar. O que não vamos permitir é que aconteça com nossas terras raras o que aconteceu com nosso mineiro de ferro. Por tantos anos a gente só se cavou buraco para mandar minério para fora e depois comprar produto manufaturado. Queremos que ele seja transformado no Brasil."
Lula embarcou para a Ásia na última terça-feira (17) para visitas à Índia e à Coreia do Sul em agendas voltadas ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas com os dois países asiáticos. Em Nova Delhi, capital da Índia, Lula foi recebido em retribuição à visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil, em julho de 2025 durante a Cúpula do Brics. Esta foi a quarta viagem de Lula à Índia, a segunda do atual mandato.
Neste domingo (22), Lula e sua comitiva presidencial desembarcam em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do líder brasileiro ao país, a primeira de Estado. Na ocasião, será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que visa elevar o nível do relacionamento entre os países para uma parceria estratégica.
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""Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. "
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Primary source" o Brics. "Nunca defendemos criar uma moeda dos Brics. "
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"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a união dos países em desenvolvimento"
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"Falo isso com base em 500 anos de experiência colonial"
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""os países em desenvolvimento podem mudar a lógica econômica do mundo. Basta querer. "
Lula's claim that desire alone is sufficient is a broad assertion not supported by detailed evidence in the article. This is a finding from his speech, not a journalistic flaw.
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"Countries of the Global South should unite to change the world's economic logic."
Source: Direct quote from President Lula da Silva. Primary
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"The BRICS group is facilitating this new economic logic and gaining relevance."
Source: Direct quote from President Lula da Silva. Primary
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"The UN needs to regain legitimacy and effectiveness to resolve international conflicts."
Source: Direct quote from President Lula da Silva. Primary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (8)
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P1
"Lula made the statements during a press conference in India on the early morning of Sunday the 22nd."
Factual -
P2
"Lula visited India and South Korea to strengthen trade and strategic partnerships."
Factual -
P3
"This was Lula's fourth visit to India and the second of his current term."
Factual -
P4
"The visit to South Korea will involve adopting a Triennial Action Plan for 2026-2029."
Factual -
P5
"Uniting developing countries causes stronger negotiation position vs. superpowers"
Causal -
P6
"Building partnerships with similar countries causes summing potential and becoming stronger"
Causal -
P7
"Using national currencies in trade causes reducing dependencies and costs"
Causal -
P8
"US role in South America (help or threat) causes impacts regional tranquility"
Causal
Claim Relationships Graph
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=== Propositions === P1 [factual]: Lula made the statements during a press conference in India on the early morning of Sunday the 22nd. P2 [factual]: Lula visited India and South Korea to strengthen trade and strategic partnerships. P3 [factual]: This was Lula's fourth visit to India and the second of his current term. P4 [factual]: The visit to South Korea will involve adopting a Triennial Action Plan for 2026-2029. P5 [causal]: Uniting developing countries causes stronger negotiation position vs. superpowers P6 [causal]: Building partnerships with similar countries causes summing potential and becoming stronger P7 [causal]: Using national currencies in trade causes reducing dependencies and costs P8 [causal]: US role in South America (help or threat) causes impacts regional tranquility === Causal Graph === uniting developing countries -> stronger negotiation position vs superpowers building partnerships with similar countries -> summing potential and becoming stronger using national currencies in trade -> reducing dependencies and costs us role in south america help or threat -> impacts regional tranquility
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.