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Presos políticos na Venezuela começam greve de fome contra exclusões em lei de anistia

revistaoeste.com By Erich Mafra 2026-02-22 464 words
Mais de 200 presos políticos na Venezuela começaram uma greve de fome, na noite da sexta-feira 20, para exigir liberdade imediata.

A mobilização ocorre no centro penitenciário El Rodeo I, nos arredores de Caracas, e reúne detentos que ficaram de fora dos benefícios da recém-aprovada lei de anistia.

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Segundo familiares relataram à agência de notícias AFP, o protesto ganhou força logo que o Parlamento confirmou que a medida exclui militares e civis processados por "terrorismo" — acusação frequentemente utilizada pelo chavismo para neutralizar adversários.

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A lei de anistia, uma iniciativa da presidente interina, Delcy Rodríguez, recebeu o aval da Assembleia Nacional na quinta-feira 19.

Delcy assumiu o posto decorrente da captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em janeiro.

Embora o governo interino prometa que a medida alcançará até 11 mil detentos, a oposição critica as cláusulas que mantêm encarcerados aqueles que o regime rotulou como terroristas ou que supostamente incentivaram intervenções estrangeiras.

Legislação pressiona opositores na Venezuela

Analistas jurídicos ouvidos pela BBC e pela CNN apontam que a nova legislação possui dispositivos desenhados especificamente para manter sob pressão as principais lideranças opositoras. O professor Juan Carlos Apitz, da Universidade Central da Venezuela, afirmou que trechos da lei miram diretamente María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz no ano passado. A exclusão de militares envolvidos em rebeliões anteriores contra Maduro também gera controvérsia, pois mantém parte da estrutura de resistência armada fora do processo de pacificação.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que 1.557 presos já solicitaram o benefício e que centenas ganharam as ruas nas últimas horas. Ele garantiu que as liberações na unidade de El Helicoide, em Caracas, possuem prioridade. Ativistas de direitos humanos definem o local como o maior centro de tortura do país, e o governo de Donald Trump já sinalizou que pretende fechar a unidade definitivamente.

Cenário político sob custódia americana

Enquanto os detentos protestam em El Rodeo I, o ex-ditador Nicolás Maduro aguarda julgamento nos Estados Unidos sob custódia federal. Capturado em 3 de janeiro, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, enfrentam acusações de tráfico de drogas e armas. O antigo líder venezuelano se declara "prisioneiro de guerra" e nega todas as acusações apresentadas pela justiça americana.

A pressão internacional, liderada por Washington, foca na aceleração da soltura dos presos políticos na Venezuela para consolidar a transição democrática. Grupos de direitos humanos reforçam que a greve de fome em El Rodeo I evidencia as falhas de uma anistia que, na prática, ainda mantém as sombras das perseguições políticas do período chavista. A expectativa é que o governo interino responda às demandas dos grevistas para evitar uma crise humanitária dentro do sistema prisional.

Leia também: "Anistia na Venezuela liberta 379 presos políticos"

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