Corregedor do CNJ manda apurar atuação de TJMG em absolvição de acusado de estupro de vulnerável
Ministro Mauro Campbell abriu Pedido de Providências e deu cinco dias para tribunal mineiro e relator prestarem esclarecimentos sobre o caso
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O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, determinou neste sábado (21/2) a abertura de um Pedido de Providências para analisar a atuação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e do desembargador Magid Nauef Láuar.
O magistrado foi relator do processo que terminou com a absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 12 anos. A iniciativa partiu do próprio corregedor, sem provocação externa.
Na decisão, Mauro Campbell estabeleceu prazo de cinco dias para que o tribunal mineiro e o desembargador apresentem esclarecimentos sobre fatos divulgados pela imprensa e que, segundo ele, precisam ser devidamente apurados. Por envolver vítima menor de idade, o procedimento tramitará sob sigilo.
Repúdio à decisão
Numa nota conjunta, os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania e das Mulheres condenaram a decisão da 9ª Câmara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que absolveu, por maioria de votos, um homem de 35 anos que havia sido condenado pelo estupro de uma menina de 12 anos. Eles viviam juntos como um casal na cidade de Indianópolis, no Triângulo Mineiro.
O homem deixou o sistema prisional em 13 de fevereiro, após a concessão de alvará de soltura pela Justiça, de acordo com informação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).O Código Penal estabelece que a conjunção carnal ou prática de outro ato libidinoso com menor de 14 anos configura estupro de vulnerável.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia estabelecido o entendimento de que o consentimento da vítima, eventual experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento amoroso não afastam a ocorrência do crime. Os ministérios enfatizaram que "o Brasil adota a lógica da proteção integral de crianças e adolescentes, segundo a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Quando a família não assegura essa proteção — especialmente em casos de violência sexual —, cabe ao Estado e à sociedade, incluindo os três Poderes, zelar pelos direitos da criança, não sendo admissível que a anuência familiar ou a autodeclaração de vínculo conjugal sejam usadas para relativizar violações". Na avaliação das duas pastas, o Brasil repudia o casamento infantil, "prática que constitui grave violação de direitos humanos e aprofunda desigualdades de gênero, raça e classe".
Destacaram ainda que, em 2022, mais de 34 mil crianças de 10 a 14 anos viviam em uniões conjugais no Brasil, majoritariamente meninas, pretas ou pardas, "concentradas em regiões historicamente mais vulnerabilizadas".A nota reafirma que o Brasil assumiu compromissos internacionais para eliminar essa prática, incluindo recomendações recentes do Comitê da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) para que a idade mínima para o casamento seja fixada em 18 anos, sem exceções.
E conclui: "Decisões judiciais, inclusive no âmbito dos Tribunais de Justiça, devem estar alinhadas a esse marco normativo, garantindo que nenhuma interpretação fragilize a proteção integral de crianças e adolescentes".A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) apresentou denúncia do caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que abriu uma investigação para apurar a decisão tomada pelo TJ de Minas.Ministério Público de Minas
Também em nota, o MPMG comunicou que irá adotar as providências processuais cabíveis."O ordenamento jurídico pátrio e a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça [...] estabelecem a presunção absoluta de vulnerabilidade para crianças e adolescentes com menos de 14 anos.
Tal diretriz normativa visa resguardar o desenvolvimento saudável e a dignidade sexual dessa população, tratando-os como bens jurídicos indisponíveis, que se sobrepõem a qualquer interpretação fundada em suposto consentimento da vítima ou anuência familiar".
Já a Defensoria Pública de Minas Gerais, que recorreu contra a condenação de primeira instância do homem, garantiu que "atuou na garantia do direito de ampla defesa do réu" em cumprimento aos seus deveres constitucionais.
Entenda o caso
Um homem de 35 anos havia sido condenado a nove anos de prisão pelo estupro de uma menina de 12 anos, com a qual vivia como marido. A mãe da menina, acusada de conivência com o crime, também foi absolvida. A sentença resultou de denúncia feita pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em abril de 2024 contra o suspeito e a mãe da menina, à época com 12 anos de idade, por estupro de vulnerável devido à "prática de conjunção carnal e de atos libidinosos" contra a vítima.
A 9ª Câmara Criminal, entretanto, entendeu que o réu e a vítima tinham vínculo afetivo consensual e derrubou a sentença de primeira instância. As investigações feitas inicialmente concluíram que a pré-adolescente morava com o homem, com autorização materna, e havia abandonado a escola. Com passagens na polícia por crimes de homicídio e tráfico de drogas, o homem foi preso em flagrante em 8 de abril de 2024, em companhia da menina, com a qual ele admitiu que mantinha relações sexuais.
Em trecho da decisão, o desembargador relator Magid Nauef Láuar avaliou que "o relacionamento mantido entre o acusado e a menor não decorreu de ato de violência, coação, fraude ou constrangimento, mas sim de um vínculo afetivo consensual, com prévia aquiescência dos genitores da vítima e vivenciado aos olhos de todos".
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Logic Issues Detected
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 35 vs 13
"Heuristic: Values conflict between P2 and P3"
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Core Claims & Their Sources
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"The National Justice Inspector has ordered an investigation into the Minas Gerais court's acquittal of a man accused of statutory rape."
Source: Official decision by Minister Mauro Campbell reported in the article. Primary
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"Federal ministries have condemned the acquittal decision."
Source: Joint statement from the Ministries of Human Rights and Citizenship and Women. Named secondary
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"The acquitting court argued the relationship was consensual and with parental consent."
Source: Reported reasoning from the 9th Criminal Chamber and Judge Magid Nauef Láuar's decision. Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (8)
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P1
"Minister Mauro Campbell opened a Request for Measures on February 21."
Factual -
P2
"The man was 35, the girl was 12, and they lived together in Indianópolis."
Factual In contradiction -
P3
"The man left prison on February 13 after a release order."
Factual In contradiction -
P4
"In 2022, over 34,000 children aged 10-14 lived in conjugal unions in Brazil."
Factual -
P5
"Federal Deputy Erika Hilton filed a complaint with the CNJ."
Factual -
P6
"The man was arrested in flagrante on April 8, 2024, with the girl."
Factual In contradiction -
P7
"Because the victim is a causes minor, the procedure will be confidential."
Causal -
P8
"Because the STJ has established that consent does causes not negate the crime, the ministries condemned the acquittal."
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (3)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Minister Mauro Campbell opened a Request for Measures on February 21. P2 [factual]: The man was 35, the girl was 12, and they lived together in Indianópolis. P3 [factual]: The man left prison on February 13 after a release order. P4 [factual]: In 2022, over 34,000 children aged 10-14 lived in conjugal unions in Brazil. P5 [factual]: Federal Deputy Erika Hilton filed a complaint with the CNJ. P6 [factual]: The man was arrested in flagrante on April 8, 2024, with the girl. P7 [causal]: Because the victim is a causes minor, the procedure will be confidential. P8 [causal]: Because the STJ has established that consent does causes not negate the crime, the ministries condemned the acquittal. === Constraints === P2 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'the': 35 vs 13 P2 contradicts P6 Note: Conflicting values for 'the': 35 vs 8 P3 contradicts P6 Note: Conflicting values for 'the': 13 vs 8 === Causal Graph === because the victim is a -> minor the procedure will be confidential because the stj has established that consent does -> not negate the crime the ministries condemned the acquittal === Detected Contradictions === UNSAT: P2 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P3 UNSAT: P2 AND P6 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P6 UNSAT: P3 AND P6 Proof: Heuristic: Values conflict between P3 and P6