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Paulo de Tarso: "Lula não pode fazer campanha olhando para trás em 2026" - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Júlia Motta 2026-02-23 965 words
FÓRUM ONZE E MEIA

Paulo de Tarso: "Lula não pode fazer campanha olhando para trás em 2026"

Segundo o publicitário criador do slogan Lula Lá, presidente deve discutir o Brasil do futuro na eleição deste ano

Paulo de Tarso, criador do slogan "Lula Lá", aconselha Lula a focar em um projeto de futuro para o Brasil na campanha de 2026, em vez de ressaltar realizações passadas.

Tarso acredita que Lula vencerá as próximas eleições com tranquilidade, mas deve combater a desinformação interna e enfrentar a influência do movimento "Make America Great Again".

Para Tarso, o futuro do PT depende da construção de um projeto de país e da capacidade de negociar hegemonia em coligações, superando a visão de proletariado do passado.

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (23), o estrategista de comunicação política e criador do slogan "Lula Lá", Paulo de Tarso", analisou a campanha eleitoral do presidente Lula (PT), o futuro do Partido dos Trabalhadores (PT) e relembrou histórias de sua trajetória na política, contadas em seu novo livro "Lula Lá: e outras histórias".

Para Tarso, Lula não deve fazer uma campanha olhando para trás neste ano, ou seja, ressaltando as políticas públicas que ele realizou neste e nos mandatos anteriores, mas reforçando um projeto de país para o futuro.

"É central que o Lula não faça uma campanha olhando para trás, do 'fez-fará'. Eu fiz isso, eu fiz o Prouni, eu fiz a transposição do Rio São Francisco, eu fiz o túnel Santos-Guarujá, etc. O Brasil tem um futuro. O Brasil precisa dar um salto à frente como a China deu em 10 anos. Está na nossa hora, chegou o momento do Brasil dar um salto nessa linha de educação, de mercado de trabalho mais qualificado. Nosso povo está prontinho para receber o apoio de uma uma política orgânica de desenvolvimento onde todos participem", argumenta Tarso.

"É central que o Lula não faça uma campanha olhando para trás, do 'fez-fará'. Eu fiz isso, eu fiz o Prouni, eu fiz a transposição do Rio São Francisco, eu fiz o túnel Santos-Guarujá, etc. O Brasil tem um futuro. O Brasil precisa dar um salto à frente como a China deu em 10 anos. Está na nossa hora, chegou o momento do Brasil dar um salto nessa linha de educação, de mercado de trabalho mais qualificado. Nosso povo está prontinho para receber o apoio de uma uma política orgânica de desenvolvimento onde todos participem", argumenta Tarso.

Em relação à chance de Lula ganhar as eleições deste ano, o estrategista político acredita que o presidente deve vencer com "alguma tranquilidade", mas que para isso deve enxergar melhor seus inimigos. Tarso afirma que o maior problema de Lula não será o enfrentamento a Flávio Bolsonaro (PL), mas ao "Make America Great Again", slogan do presidente Donald Trump.

No entanto, Tarso considera que Lula tem montado um "palanque multilateral" para ter apoio neste enfrentamento. Mas mais que a articulação internacional, o presidente deve agora se voltar ao público interno e ao combate à desinformação. Tarso ressalta a "má vontade" do povo nas redes sociais com um projeto do Brasil, o que faz com que a desinformação avance com ainda mais força.

"Nosso problema maior é essa elite do agronegócio que é cega, surda e muda, mas eles também vão acabar se curvando na medida em que a gente conseguir construir esse programa de Brasil", diz Tarso.

"Nosso problema maior é essa elite do agronegócio que é cega, surda e muda, mas eles também vão acabar se curvando na medida em que a gente conseguir construir esse programa de Brasil", diz Tarso.

O futuro do PT

O criador do maior slogan político também analisou o futuro do Partido dos Trabalhadores (PT) na era pós-Lula. Para Tarso, o período após a última eleição de Lula não será "fatal" para o partido se ele começar a tratar de um projeto de país desde já.

"O PT tem um espaço e precisa aprender a fazer coligação e estar disposto a negociar hegemonia, porque ele nunca esteve disposto a negociar hegemonia. Atualmente, ele tem uma frente, mas o Lula é hegemônico, então não parece uma frente para quem vê", diz Tarso.

"O PT para sobreviver precisa desse projeto de país. O Haddad acabou de lançar – aliás, eu tenho me admirado muito com a qualidade que ele está trabalhando – o livro "Capitalismo Superindustrial". Se esse livro do Haddad contém um pensamento de um projeto de país sobre o capitalismo superindustrializado, o PT tem chance de continuar", avalia o estrategista.

"O PT para sobreviver precisa desse projeto de país. O Haddad acabou de lançar – aliás, eu tenho me admirado muito com a qualidade que ele está trabalhando – o livro "Capitalismo Superindustrial". Se esse livro do Haddad contém um pensamento de um projeto de país sobre o capitalismo superindustrializado, o PT tem chance de continuar", avalia o estrategista.

Por fim, Tarso afirma que o PT precisa construir um conjunto de ideias e não ficar só na linha de que é o partido "mais bacana" e que está "do lado do povo". "Eu no livro deixo muito claro como foi formada essa 'lenda Lula', de que o que veio de baixo é santo. A ideia de que o que vem de baixo é santificado pela visão de proletariado do século passado. Eu acho que agora nós não temos mais isso. Eu acho que não existe mais essa visão de proletariado, nem existe mais esse consenso do trabalhador que vem do chão da fábrica. Acho que o Lula se tornou um grande político. Ele não é mais um operário. Talvez por isso que tenha encontrado algumas dificuldades", analisa.

Confira a entrevista completa do comunicador Paulo de Tarso

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