Israel vigiou apartamento de Epstein usado por espiões do país | Intercept Brasil
A operação de segurança no "apartamento de Ehud" se desenrolou por pelo menos dois anos, segundo os e-mails divulgados, e autoridades da missão permanente de Israel na ONU se correspondiam regularmente com a equipe de Epstein em questões de segurança. O apartamento era tecnicamente propriedade de uma empresa ligada ao irmão de Epstein, Mark Epstein, mas o controle de fato era do próprio Jeffrey Epstein. As unidades do prédio eram frequentemente emprestadas aos contatos de Epstein, e usadas para abrigar modelos menores de idade.
Rafi Shlomo, então diretor de serviços de proteção da missão israelense na ONU em Nova York, e chefe da segurança de Barak, manteve contato com os funcionários de Epstein e marcou reuniões para discutir segurança e coordenar a instalação de equipamentos de vigilância especializados na residência da 66th Street. Shlomo controlava pessoalmente o acesso ao apartamento para os hóspedes, e chegou a fazer verificação de antecedentes de faxineiros e funcionários de Epstein.
Segundo a legislação israelense, ex-primeiros-ministros e outras autoridades de alto escalão normalmente recebem serviços de segurança após deixarem o cargo. De acordo com os e-mails, Epstein aprovou pessoalmente a instalação dos equipamentos, e autorizou reuniões entre sua equipe e as autoridades de segurança israelenses.
Ehud Barak e a missão israelense na ONU não quiseram se manifestar.
Na época da morte de Epstein, em 2019, Barak minimizou sua ligação com o financista caído em desgraça, afirmando que, embora tivesse se encontrado várias vezes com Epstein, ele "não me dava apoio, nem me pagava".
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recentemente insinuou que os estreitos laços de Epstein com Barak, autoridade de longa data do Partido Trabalhista de Israel, e rival de Netanyahu, prejudicam a argumentação de que Epstein tinha vínculos com Israel. "O relacionamento excepcionalmente próximo entre Jeffrey Epstein e Ehud Barak não sugere que Epstein trabalhava para Israel. Ele prova o contrário", diz Netanyahu. "Preso em sua derrota eleitoral, mais de vinte anos atrás, Barak passou anos tentando obsessivamente prejudicar a democracia israelense, colaborando com a esquerda radical anti-sionista em tentativas fracassadas de derrubar o governo eleito de Israel".
Uma troca de e-mails de janeiro de 2016 entre a esposa de Barak, Nili Priell, e um funcionário de Epstein – cujo nome está parcialmente censurado, mas que parece ser, por outros contatos, seu assistente de longa data, Lesley Groff – discutia a instalação de alarmes e equipamentos de vigilância na residência, incluindo seis "sensores acoplados às janelas" e a capacidade de controlar remotamente o acesso às instalações. Priell informou à equipe de Epstein que "eles conseguem neutralizar o sistema de longe, antes que você precise de alguém para entrar no apartamento. A única coisa que fazem é ligar para Rafi do consulado e avisar quem e quando vai entrar".
A correspondência também indicava que o trabalho realizado pelo governo israelense era tão significativo, que exigia aprovação pessoal do próprio Epstein. "Jefrrey diz que não se importa com buracos nas paredes, e está tudo bem!", escreveu Groff para Barak e Priell.
A missão manteve contato regular com representantes de Epstein durante várias visitas de Barak e sua esposa, entre 2016 e 2017.
Em um e-mail de janeiro de 2017 para Shlomo, com o assunto "Jeffrey Epstein RE apartamento de Ehud", um assistente de Epstein forneceu às autoridades israelenses uma lista de funcionários que precisariam de acesso ao apartamento, acrescentando: "entendo que você já tem uma cópia do RG dela de um tempo atrás (…) ela é a camareira e vem entrando e saindo do apartamento há muito tempo!" Algumas semanas depois, escreveram para Epstein que "Rafi, chefe da segurança de Ehud, está perguntando se podemos nos reunir com ele às 16h de terça, dia 14, no escritório dele (800 2ª avenida com 42) em relação ao apartamento de Ehud". Epstein aprovou a reunião.
A troca de e-mails continuou ao longo de todo aquele ano. Em agosto, um assistente de Epstein entrou em contato novamente com Shlomo para informá-lo sobre mais uma estadia de Barak e sua esposa na residência de Epstein. Em novembro de 2017, Shlomo havia sido substituído por outro oficial israelense que administrava a segurança e a vigilância de Barak.
Yoni Koren, assessor de Barak de longa data, que morreu em 2023, era outro hóspede frequente no apartamento de Epstein na 66th Street. Koren se hospedou no apartamento em várias ocasiões, inclusive em 2013, quando ainda estava na ativa como "chefe de gabinete" do Ministério da Defesa de Israel, segundo os calendários divulgados pela investigação da Comissão de Supervisão da Câmara dos EUA sobre Epstein, e os e-mails divulgados pelo site Distributed Denial of Secrets. Os e-mails na caixa de entrada de Barak também mostravam Koren trocando informações com Epstein para uma transferência bancária, como já relatado no Drop Site.
Novos e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça mostraram que Koren continuou a se hospedar no apartamento de Epstein durante um tratamento médico em Nova York até a segunda prisão e a morte do financista, em 2019.
Esta matéria foi traduzida de nossos parceiros do Drop Site News.
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"O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recentemente insinuou que os estreitos laços de Epstein com Barak, autoridade de longa data do Partido Trabalhista de Israel, e rival de Netanyahu..."
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No logical inconsistencies detected; narrative is chronologically structured and claims are supported by cited evidence.
Core Claims & Their Sources
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"The Israeli government installed security equipment and controlled access to a Manhattan apartment building managed by Jeffrey Epstein."
Source: Emails released by the U.S. Department of Justice Primary
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"The security operation for the 'Ehud apartment' unfolded over at least two years, with regular correspondence between Israeli UN mission authorities and Epstein's team."
Source: Emails released by the U.S. Department of Justice Primary
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"Former Israeli Prime Minister Ehud Barak and his advisor Yoni Koren were frequent guests at the Epstein-controlled apartment."
Source: Emails released by the U.S. Department of Justice and calendars from a U.S. House committee investigation Primary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (5)
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P1
"Equipment installation began in early 2016 at 301 E. 66th Street."
Factual -
P2
"Rafi Shlomo was the director of protection services for the Israeli UN mission and head of Barak's security."
Factual -
P3
"An email exchange in January 2016 discussed installing six window sensors and remote access control."
Factual -
P4
"Yoni Koren stayed at the apartment in 2013 while active as chief of staff at Israel's Defense Ministry."
Factual -
P5
"Epstein's close ties with Barak (according to causes Netanyahu) disprove that Epstein worked for Israel."
Causal
Claim Relationships Graph
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=== Propositions === P1 [factual]: Equipment installation began in early 2016 at 301 E. 66th Street. P2 [factual]: Rafi Shlomo was the director of protection services for the Israeli UN mission and head of Barak's security. P3 [factual]: An email exchange in January 2016 discussed installing six window sensors and remote access control. P4 [factual]: Yoni Koren stayed at the apartment in 2013 while active as chief of staff at Israel's Defense Ministry. P5 [causal]: Epstein's close ties with Barak (according to causes Netanyahu) disprove that Epstein worked for Israel. === Causal Graph === epsteins close ties with barak according to -> netanyahu disprove that epstein worked for israel
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.