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Cessar-fogo, negociações e novos ataques: guerra na Ucrânia completa quatro anos

operamundi.uol.com.br By Tatiana Carlotti 2026-02-23 681 words
Cessar-fogo, negociações e novos ataques: guerra na Ucrânia completa quatro anos

Trégua não foi alcançada após três reuniões trilaterais, mediadas pelos EUA, enquanto União Europeia pressiona por 20º pacote de sanções contra Moscou

A Guerra da Ucrânia completa quatro anos em meio a ataques e ainda sem avanços concretos em torno de um cessar-fogo, apesar de três rodadas de negociações, mediadas pelos Estados Unidos, sendo a última em Genebra no dia 18 de fevereiro.

Embora oficialmente iniciada em 24 de fevereiro de 2022, quando o presidente da Rússia, Vladimir Putin declarou a Operação Militar Especial na Ucrânia, as movimentações começaram dois dias antes, com o envio das tropas russas às repúblicas de Donetsk e de Lugansk, autoproclamadas como Estados pelos separatistas pró-Rússia em Donbas.

O número oficial de mortes é incerto e os governos de Rússia e Ucrânia não publicam números detalhados sobre suas baixas em combate.

Informes do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estimam em cerca de 600 mil o número de mortos ucranianos, embora reconhecendo que só haveria registros oficiais de aproximadamente 140 mi.

Sobre as vítimas russas, o levantamento do CSIS calcula em 325 mil a estimativa de mortes, mas acrescenta que entre mortos, feridos e desaparecidos poderia haver até 1,2 milhão de soldados russos.

A devastação atinge várias cidades e aldeias ucranianas e milhões de pessoas tiveram de se deslocar de suas residências. Em relação aos civis, as Nações Unidas estimaram mais de 15 mil mortes, incluindo 763 crianças. O número de feridos estimado é de cerca de 40.601 civis, incluindo 2.486 crianças. O Escritório para os Direitos Humanos considera que os números reais sejam ainda maiores.

Negociações

No final de janeiro e início de fevereiro, reuniões envolvendo representantes de Moscou, Kiev e Washington, ocorreram em Abu Dhabi, em torno do plano de paz proposto pelos Estados Unidos. Após a segunda rodada, Rússia e Ucrânia trocaram prisioneiros de guerra.

Em Genebra, na última quarta-feira (18/02), as negociações terminaram de forma abrupta, após duas horas de conversas. As agências russas confirmaram a tensão nas negociações.

Segundo o chefe da equipe russa, Vladimir Medinsky, as conversas foram "difíceis, mas profissionais". Ele destacou que a próxima reunião acontecerá em breve. "Como vocês sabem, as negociações duraram dois dias, sendo ontem um período bastante longo, em diversos formatos, e hoje por cerca de duas horas. Foram difíceis, mas objetivas", disse.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, por sua vez, classificou as conversas como "difíceis", acusando a Rússia de tentar deliberadamente atrasar o progresso rumo a um acordo. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que cabe à Ucrânia tomar medidas para garantir o sucesso das conversas.

O que está em discussão

Entre as principais exigências de Moscou para aceitar o cessar-fogo está a interdição da entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), frente à expansão do bloco, visto pela Rússia como uma clara ameaça à sua segurança.

O governo do presidente Vladimir Putin também reivindica quatro regiões anexadas do sul e do leste da Ucrânia, controla parcialmente pela Rússia: Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson. Além da península da Crimeia, anexada em 2014.

Moscou também exige a suspensão das sanções internacionais que enfrenta. A União Europeia (UE) em sua maioria é favorável à Ucrânia e tenta, nesta semana, aprovar seu 20º pacote de sanções contra Moscou, o que foi impedido nesta segunda-feira (23/02), pela Hungria. O bloco já aprovou um empréstimo de R$ 550 bilhões para que Kiev reconstrua o país, após a guerra.

Outra exigência da Rússia é o fim da lei marcial na Ucrânia e a organização de eleições presidenciais e parlamentares no país, em um prazo de 100 dias. Zelensky chegou a admitir um novo pleito em 60 dias, mas apenas após o estabelecimento de um cessar-fogo.

Moscou também pressiona pela restauração do ensino e outros quesitos culturais, como o fim do banimento da Igreja Ortodoxa Russa no país.

A Ucrânia não concorda com as anexações dos territórios, tampouco sua exclusão na OTAN e pressiona para que as discussões ocorram após um cessar-fogo, com a garantia de que não será atacado novamente.

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