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ONU afirma ter evidências de genocídio na guerra civil do Sudão

operamundi.uol.com.br By Victor Farinelli 2026-02-23 577 words
ONU afirma ter evidências de genocídio na guerra civil do Sudão

Relatório acusa grupo paramilitar RSF de adotar 'padrão sistemático de assassinatos com motivação étnica' e faz apelo à comunidade internacional para intervir no conflito

Um informe recente divulgado por uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que o Sudão enfrenta um cenário com características de genocídio, devido ao atuar do grupo paramilitar Forças de Suporte Rápidos (RSF, por sua sigla em inglês), uma das partes envolvidas na guerra civil do país iniciada em 2023 – a outra são as Forças Armadas sudanesas.

O parecer foi dado por observadores da Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos enviada pela ONU no segundo semestre de 2025, e enfatiza a situação específica das comunidades não árabes na localidade El Fasher, na região de Darfur, no oeste do país.

O relatório traz imagens (fotos e vídeos) e outras evidências sobre a prática de pelo menos três atos que constituem genocídio: assassinato de membros de grupos étnicos protegidos; prática de graves danos físicos ou mentais; e imposição deliberada de condições de vida calculadas para destruir o grupo, parcial ou totalmente.

De acordo com o direito internacional, todos esses elementos constituem crime de genocídio, e também podem ser considerados crimes de guerra.

"A escala, a coordenação e o apoio público à operação por parte de altos comandantes das RSF demonstram que os crimes cometidos em El Fasher e arredores não foram excessos aleatórios de guerra", afirmou o jurista tanzaniano Mohamed Chande Othman, que comandou a missão da ONU.

Segundo o observador, as provas recolhidas permitem definir que as ações do grupo paramilitar na região de Darfur "fazem parte de uma operação planejada e organizada que exibe as características definidoras de genocídio".

Othman conclui o informe dizendo que "onde as evidências apontam para genocídio, a comunidade internacional tem uma obrigação ainda maior de prevenir, proteger e garantir que a justiça seja feita".

A guerra civil do Sudão teve início em abril de 2023. A missão oficial da ONU estima que o número total de mortes no conflito como um todo pode variar entre 150 e 500 mil pessoas – as mortes registradas oficialmente pelas autoridades locais ultrapassam as 20 mil. Ademais, o número de deslocados pelo conflito poderia ser de até 14 milhões de pessoas.

Padrão sistemático

O informe apresentado pela missão da ONU enfatiza que as evidências reunidas pelos observadores comprovariam um "padrão sistemático de assassinatos motivados por questões étnicas".

O relatório apresenta declarações públicas de líderes das RSF e a organização de operativos para destruição de assentamentos, assassinatos coletivos e ações violência sexual também coletiva, tendo como alvos, particularmente, os grupos étnicos zaghawa e fur.

A seleção de alvos com base na identidade (ligada à etnia, gênero e afiliação política percebida) seria um elemento central para as ações do grupo paramilitar, cujas declarações enfatizam a intenção deliberada de eliminar comunidades não árabes.


Relatos de sobreviventes dos ataques também alegam que durante as invasões às localidades os chefes paramilitares perguntavam se havia pessoas de etnia zaghawa e fur entre os moradores, e gritavam consignas como "vamos eliminar todos os negros de Darfur".

Também destacaram as ações organizadas e coordenadas de estupro coletivo e outras formas de violência sexual, a partir da captura de mulheres e meninas zaghawa e fur. Uma sobrevivente relata que "as mulheres são tratadas como escravas, colocadas em grupos separados e sujeitas a vexações, enquanto eles falam abertamente em estuprar e matar".

Com informações de UN News.

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