Banco Master: BC modernizou produtos, mas não atualizou regulação, apontam especialistas
"Estão modernizando os produtos, mas não estão modernizando a regulação. Tem uma parte super moderna, de sistema de pagamentos, mas o crédito: 181 milhões de cidadãos estão negativados", afirma. Ele se refere ao programa de inovação implantado pelo BC a partir de 2019 e que envolve facilidades como o Pix, o Open Finance, o Open Banking e a atuação de diversas fintechs com soluções de crédito e serviços financeiros.
Para o economista, entretanto, um dos gargalos na atuação do BC no caso Master foi um regulação mais permissiva no caso dessas invovações. Ela permitiu que a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025, se transformasse na crise atual e ter um forte impacto no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Desde o início do caso, oito companhias ligadas ao banco já foram liquidadas. Neste mês, durante a quarta-feira de cinzas (18), foi a vez do Banco Pleno S.A, que era controlado pelo ex-CEO e ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, Augusto Ferreira Lima.
Segundo Hudson Bessa, sócio da HB Escola de Negócios e professor da ESPM-SP, a crise do Master revela falhas nas próprias normas da regulação. "O problema é tão grande que não dá para a gente achar que as regras estavam boas. Existiam brechas que foram encontradas. A discussão que a gente tem no Master é: por que demorou tanto?", analisa.
"O BC tinha que ter atuado mais rápido. Há anos você já tinha indicadores no balanço [financeiro do banco Master] de que poderia haver problemas, e ele não atuou", ressalta Troster. O Banco Master captava recursos com a garantia do FGC e aplicava em títulos de baixa liquidez (difíceis de vender), prometendo taxas de retornos de depósito acima das praticadas pelo mercado. O Master chegava a vender títulos com retorno de 120% e 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
A crise do Master já é considerada a maior em relação ao impacto no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), apesar de outras instituições também já terem deixado um rombo milionário no país, como o banco Santos em 2005 e o Bamerindus em 1997. Segundo o FGC, que garante a cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, cerca de 800 mil credores do Banco Master poderão ser ressarcidos, totalizando o montante de R$ 40,6 bilhões a serem pagos pelo fundo.
Por que isso importa?
Fundo Garantidor de Crédito (FGC) pode perder mais de R$ 50 bilhões com crise em cascata causada pelo banco Master.
Instituição privada formada pelos bancos brasileiros, o FGC tem o objetivo de proteger investidores e prevenir que crises atinjam o Sistema Financeiro Nacional.
Foi em 2019, quando Roberto Campos Neto era presidente, que o Banco Central começou a implementar a sua agenda de inovação, que deu origem ao Pix, ao Open Banking e a uma ampliação na competitividade no mercado a partir do acesso a novos produtos de investimento no país.
Reconhecida como positiva por economistas por ter, também, aumentado a concorrência e a bancarização no Brasil a partir da consolidação das fintechs, a agenda, por outro lado, foi na contramão de regulações restritivas geralmente adotadas no país.
"Ela foi para o outro lado, que é o lado mais liberal. Deixa o problema andar, deixa o problema acontecer e depois a gente resolve. Mas, neste caso, o problema de você ter uma abordagem mais liberal é que você precisa punir", avalia Bessa.
"Quando você tem uma lista mais restrita de produtos [de investimento], você não precisa se preocupar muito com punição, você já breca no início. Mas, quando eu vou na abordagem mais liberal, muitas vezes só consigo ver o problema quando ele já cresceu. E se não punir, cria um incentivo para as pessoas fazerem coisas erradas em série", completa o professor da ESPM-SP.
Bessa, no entanto, pondera que existe "um custo" em criar um sistema de controles e verificações mais rígido, específico para situações de fraudes e uso de má-fé. "Esse nível de custo vai tornar, por exemplo, um empréstimo muito mais caro? Vai reduzir a oferta de produtos de captação? Vou ter taxa de juros mais alta no empréstimo? Vai inviabilizar empresas menores de entrarem no mercado competindo?", indaga.
O professor afirma, ainda, que, normalmente, "a regulação é feita para pegar problemas na operação". "Quando você fala de um bandido, de fraude, […] é difícil a regulação pegar. O sujeito com a intenção de fraudar, já olha os controles antes (…) para enganar o regulador. É outro desafio", argumenta.
Responsabilidades são difusas no caso Master
Na avaliação de Troster, também é importante lembrar que as responsabilidades pelo caso Master são "difusas" e não podem ser atribuídas apenas à regulação do BC. Para o ex-dirigente da Febraban, outras instituições também falharam no caso, como a Agência Pública já apontou anteriormente. Ele salienta que ao lado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central é um dos principais supervisores do mercado financeiro no Brasil.
"Faltou um supervisor, que poderia ter sido a CVM também. O que acontece é que a estrutura regulatória brasileira é para outro sistema financeiro, que não tinha o que se tem agora", explica Troster.
Professor de derivativos, gestão de riscos financeiros e de produtos bancários no Insper, Alexandre Jorge Chaia argumenta que a falha pode ter ocorrido devido ao tamanho do mercado versus o potencial de fiscalização do órgão regulador. Ele cita como exemplo os diversos fundos criados pela REAG Investimentos, liquidada pelo BC em janeiro deste ano, um "pedacinho" de um universo que movimenta trilhões de reais.
"Nós estamos falando de um órgão regulador com uma quantidade limitada de funcionários para um universo de R$ 10,5 trilhões de reais e milhões de pessoas operando instrumentos cada vez mais complexos", analisa Chaia. "Tem pouca gente para regular, então você tem que investir mais em tecnologia, em inteligência artificial, em verificação, em conformidade, criar regras mais objetivas de verificação. Isso é um processo", conclui.
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Specific Findings from the Article (3)
"Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Associação Brasileira de Bancos (ABBC)"
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Quote attributionLogical Coherence
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No logical inconsistencies detected; arguments flow coherently from evidence and expert analysis.
Logic Issues Detected
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': $250,000 vs 2019
"Heuristic: Values conflict between P3 and P4"
Core Claims & Their Sources
-
"The Central Bank modernized financial products but failed to update regulation, contributing to the Banco Master crisis."
Source: Expert analysis from Roberto Luis Troster, former chief economist of Febraban and ABBC Named secondary
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"The Master crisis reveals flaws in regulatory norms and delayed supervisory action."
Source: Expert analysis from Hudson Bessa, partner at HB Business School and professor at ESPM-SP Named secondary
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"Regulatory failure may stem from limited supervisory capacity relative to market size and complexity."
Source: Expert analysis from Alexandre Jorge Chaia, professor at Insper Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (7)
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P1
"Banco Master's extrajudicial liquidation was decreed in November 2025"
Factual -
P2
"Eight companies linked to the bank have been liquidated"
Factual -
P3
"The FGC guarantees coverage up to R$250,000 per CPF or CNPJ"
Factual In contradiction -
P4
"The BC innovation agenda began implementation in 2019 under Roberto Campos Neto"
Factual In contradiction -
P5
"More permissive regulation allowed the Master causes liquidation to become the current crisis"
Causal -
P6
"Delayed BC action despite early indicators in causes Master's financial statements contributed to the crisis"
Causal -
P7
"A liberal regulatory approach requires causes effective punishment to prevent serial wrongdoing"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (1)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Banco Master's extrajudicial liquidation was decreed in November 2025 P2 [factual]: Eight companies linked to the bank have been liquidated P3 [factual]: The FGC guarantees coverage up to R$250,000 per CPF or CNPJ P4 [factual]: The BC innovation agenda began implementation in 2019 under Roberto Campos Neto P5 [causal]: More permissive regulation allowed the Master causes liquidation to become the current crisis P6 [causal]: Delayed BC action despite early indicators in causes Master's financial statements contributed to the crisis P7 [causal]: A liberal regulatory approach requires causes effective punishment to prevent serial wrongdoing === Constraints === P3 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': $250,000 vs 2019 === Causal Graph === more permissive regulation allowed the master -> liquidation to become the current crisis delayed bc action despite early indicators in -> masters financial statements contributed to the crisis a liberal regulatory approach requires -> effective punishment to prevent serial wrongdoing === Detected Contradictions === UNSAT: P3 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P3 and P4