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Qual o desafio do lulismo e do bolsonarismo para construir 'herdeiros' políticos - PontoPoder - Diário do Nordeste

diariodonordeste.verdesmares.com.br By Luana Barros 2026-02-23 494 words
Qual o desafio do lulismo e do bolsonarismo para construir 'herdeiros' políticos

Cientistas políticos apontam semelhanças e diferenças no processo de projeção de lideranças com potencial para suceder Lula e Bolsonaro.

As articulações para a disputa pela presidência da República em 2026 circundam os nomes do atual presidente Lula (PT), pré-candidato à reeleição, e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso e inelegível, mas liderança central da oposição no País e por quem passam as definições deste campo.

Figuras opostas, seja em ideologia ou em trajetória, a força política de Lula e Bolsonaro transformou-se em movimento próprio — o lulismo e o bolsonarismo, respectivamente – e o caráter personalista destas figuras faz com que ambos vivenciem um desafio semelhante: a dificuldade de construir um "herdeiro natural" deste capital político.

"Tanto o Lula quanto o Bolsonaro são extremamente personalistas. E se a gente olha para o próprio eleitorado deles, é um eleitorado que é, muitas vezes, fiel ao nome da pessoa. Quando tem um arranjo político que é muito personalista, é difícil construir as condições de um herdeiro, é difícil vislumbrar isso", pontua a professora de Teoria Política da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Monalisa Torres.

Primeiro presidente octogenário a governar o Brasil, a idade é um fator citado com frequência para reforçar que esta deve ser a última eleição disputada por Lula. Aliados do petista chegam a citar a possibilidade de uma chapa pura, com uma candidatura a vice-presidente saída também do PT, para o caso de Lula não poder terminar o mandato.

Figuras como o ministro da Economia, Fernando Haddad (PT), e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), são alguns dos citados para o posto. No entanto, por enquanto, essa possibilidade ainda é tratada como remota. Mesmo assim, existe a perspectiva de um novo nome para liderar a candidatura do PT, ou do campo à esquerda, à presidência da República em 2030, seja para suceder o quarto mandato de Lula, em caso de vitória, ou não.

Para Bolsonaro, a necessidade de um "herdeiro" político que possa disputar a presidência da República é mais urgente. Impossibilitado de ser candidato, ele apresentou a pré-candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), para a disputa de 2026.

O 'filho 01' tem o "sobrenome que garante espaço", mas não tem o mesmo "apelo nacional" do pai, considera a cientista política Mariana Dionísio. Professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), ela cita outros nomes que tentam viabilizar a candidatura à direita, como os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás.

Contudo, acrescenta Dionísio, há um "desinteresse" de Bolsonaro na candidatura de Tarcísio, enquanto Caiado possui uma "menor capacidade de mobilização nas redes e entre os eleitores mais jovens do bolsonarismo". "A figura de Jair Bolsonaro ainda concentra capital simbólico, controle da base e poder de veto, o que dificulta a emergência de um sucessor claro, sobretudo porque o maior empecilho tem sido driblar as vontades da família Bolsonaro", acrescenta.

Sobrenome versus Partido

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