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'Tive cinco minutos para tirar meus filhos', diz sobrevivente de deslizamento em MG

www1.folha.uol.com.br By Yuri Eiras 2026-02-24 705 words
Moradores das áreas mais impactadas pelas chuvas na zona da mata de Minas Gerais relatam o pouco tempo que tiveram para sair de casa antes dos deslizamentos.

Ao menos 30 pessoas morreram na região, segundo o Corpo de Bombeiros. São ao 24 mortes confirmadas pela corporação em Juiz de Fora e seis em Ubá, cidade a 111 quilômetros dali. Há ainda 37 desaparecidos em Juiz de Fora e dois em Ubá, segundo os bombeiros.

Em Juiz de Fora, o bairro mais afetado foi o Parque Jardim Burnier, onde cerca de 12 casas foram destruídas com a força do deslizamento de terra.

Vander Bittencourt, 34, é vizinho das casas que desabaram e conhecia os mortos e desaparecidos. "Recebi um alerta da Defesa Civil e achei grave, pois era vermelho, não amarelo. Deu cinco minutos de relógio e sentimos o tremor de terra com as casas desabando. Eu e minha mulher tivemos cinco minutos para descer com nossos três filhos", afirma.

Vander afirma que subiu no terraço e viu as casas deslizando. Em seguida, desceu as escadas do imóvel, que momentos depois acabou soterrada pela massa de lama do deslizamento.

Os imóveis da rua onde houve o deslizamento estão visivelmente tortos e foram interditados. Desde a madrugada desta terça (24), equipes do Corpo de Bombeiros fazem buscas por desaparecidos sob os escombros.

Entre mortos e desaparecidos estão crianças que eram amigas dos filhos de Vander e frequentavam a mesma igreja. "A água do barranco está toda debaixo da nossa casa. Dá para ouvir o barulho como se fosse uma torneira aberta", diz.

Também no Parque Jardim Burnier, um menino de três anos sobreviveu ao ser abraçado pela mãe no momento da queda do barranco, segundo Alexandre Rosa, 48, tio da mulher.

Elizabeth, mãe da criança que não teve o sobrenome divulgado, está entre os mortos. Bombeiros e voluntários disseram a Alexandre que Elizabeth foi encontrada abraçada ao filho.

"Um bombeiro afirmou que ela foi encontrada já sem vida.
Ele começou a gritar: 'tem alguém vivo aí?', e a criança respondeu. Ela está bem, no hospital e acompanhada de psicólogo, mas pergunta pelo pai", afirmou Alexandre.

O pai do menino está entre os soterrados, sendo considerado desaparecido.

Moradores relatam susto com a dimensão do estrago causado pela chuva, e afirmam que jamais houve episódio parecido na região. Por ser um bairro pequeno, todas as vítimas eram conhecidas. Ao longo do dia, familiares se reuniam em volta do cordão de isolamento em busca de informações.

"Era um terreno com muitas casas. A casa de trás era uma quitinete que veio abaixo e levou todas as outras", afirma Mariana de Oliveira Silva, 40, que na tarde desta terça tinha cinco parentes entre os desaparecidos.

Outros moradores se tornaram voluntários na busca de doações de roupas, água e comida. Eles subiam as ladeiras a pé com os mantimentos, pois a região tem difícil acesso por conta da lama que ainda descia das ruas.

O bairro é formado por ladeiras íngremes e casas nas encostas de pequenos morros. No alto de um dos morros há um sítio e um pasto. Foi deste terreno, segundo moradores, que pedras caíram e contribuíram para derrubar as casas.

"Todo mundo do bairro sentiu o chão tremer no domingo, que já vínhamos de dias de chuva. Daí por volta das 20h de segunda [23] ouvimos dois grandes estrondos. Quando saímos para a rua, vimos as casas caídas", afirma Joice Silveira, 36.

"A tragédia poderia ter sido ainda pior. Logo abaixo do mor
ro, há um campo de futebol. Boa parte da massa de lama e pedra ficou amortecida ali. Se esse volume viesse todo para baixo, poderia ter levado todo o bairro", afirma Alexandre.

Rios que cortam Juiz de Fora estão tomados pela lama. Há clarões dos deslizamentos nas áreas elevadas da região.

A Prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), decretou estado de calamidade pública no município, medida já reconhecida pelo governo federal.

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou a antecipação dos benefícios Bolsa Família e BPC (Benefício de Prestação Continuada) para as famílias atingidas pelas chuvas, além do repasse a cada município de R$ 800 por pessoa desabrigada. O valor será destinado às prefeituras para compra de colchões e demais mantimentos para as famílias.

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