Mais que nunca, é hora ouvir Bad Bunny
As mulheres enaltecem as facilidades de se morar numa metrópole, ao passo em que os homens se ressentem do preconceito sofrido pelos hispânicos – "é livre para ser o que quiser: garçom ou engraxate", diz um dos trechos da letra entoada pela gangue dos Sharks, que ressalta que a "facilidade" se resume a subempregos.
Mas na semana passada, durante a 68a edição do Grammy, o maior prêmio do mercado musical americano, um porto-riquenho desafiou – e venceu – o preconceito que ainda grassa em relação à comunidade latina. Benito Martínez Ocasio, mais conhecido como Bad Bunny, venceu três das seis categorias às quais concorria, sendo que uma delas o Disco do Ano, a mais cobiçada de todas.
Debí Tirar Más Fotos bateu concorrentes pesadíssimos como o rapper Kendrick Lamar e as popstars Lady Gaga e Sabrina Carpenter, além de ser o primeiro álbum em língua hispânica a faturar o troféu.
A lista de feitos do astro aumentará neste domingo, com sua performance no intervalo do Super Bowl – sim, ele será o primeiro artista latino a ter essa primazia. No Brasil, a maior prova de sua popularidade está nos shows que fará em 20 e 21 de fevereiro no Allianz Parque, em São Paulo, como parte da turnê de seu último disco.
Bad Bunny é um dos astros do reggaeton, um cruzamento do dancehall jamaicano (uma mistura do reggae com o rap) e que despontou inicialmente no Panamá na virada dos anos 1980 para os anos 1990. Ali, ganhou o epíteto de "reggae en español" e gerou ídolos do quilate de El General e Don Omar.
O novo estilo foi importado para Porto Rico ainda nos anos 1990 por meio de fitas piratas e acabou hostilizado pelas autoridades locais, preocupadas com as letras que inicialmente abordavam violência e sexo.
Em 2003, contudo, o ritmo se integrou inteiramente à sociedade local, sendo usado até em campanhas dos políticos porto-riquenhos. No ano seguinte, o rapper Daddy Yankee ganhou projeção internacional com o single Gasolina. O mesmo Yankee, ao lado de Juan Fonsi, foi responsável pelo primeiro grande estouro mundial do reggaeton – Despacito, canção de batida malemolente e com influência da bachata (gênero folclórico latino). O vídeo da canção chegou a mais de um bilhão de visualizações.
O jovem Benito nasceu em Bayamon, mas foi criado em Vega Baja, uma cidade a 48 quilômetros de San Juan, a capital de Porto Rico. Tinha cinco anos quando ganhou de presente Aquel que Había Muerto, disco do rapper porto-riquenho Vico C. Ele foi um de seus companheiros constantes ao lado de álbuns de cantores pop locais como Marc Anthony e Héctor Lavoe. Depois de terminar o segundo grau, Benito entrou na universidade, no curso de rádio e TV. Paralelamente aos estudos, trabalhava como empacotador do mercado local e fazia suas rimas.
Em 2016, Diles, uma de suas composições, chamou a atenção de um produtor local. Em seguida, participou de discos de popstars do hip hop como Drake e Cardi e protagonizou uma ascensão social como poucos. Ganhou elogios dos principais veículos de imprensa internacionais – do The Guardian ao New York Times – e atingiu as principais posições da parada americana.
Um Verano Sem Ti, lançado em 2022, foi o disco mais escutado da história do Spotify: foram 20 bilhões de streams. Sua turnê de 2023 teve 65 shows, que venderam 1,8 milhão de ingressos e arrecadaram US$ 373 milhões.
O sucesso de Bad Bunny pode estar ligado à presença maciça da comunidade hispânica nos Estados Unidos. São mais de 60 milhões de latinos, cerca de 5 milhões dos quais são naturais de Porto Rico. Eles se sentem representados quando um astro local rompe as barreiras da língua e do preconceito contra os imigrantes – algo similar ao estouro do Menudo nos anos 1980. Pela primeira vez, um grupo pop latino venceu no disputado mercado americano.
A música de Bad Bunny, no entanto, vai muito além disso. Ela tem qualidades que a diferenciam de qualquer sensação pop. O cantor fincou seus pés no reggaeton e no latin trap (uma assimilação do trap americano, que tem uma produção mais suja que o rap).
Mas Bad Bunny adiciona elementos da música latina como a bachata e a salsa. Ele canta em espanhol – ao contrário de muitos astros latinos, que adotam o inglês – e suas letras abordam temas como saúde mental, amor e política. E, sempre que pode, faz questão de ressaltar suas raízes. Em 2023, durante sua performance no Coachella, Bad Bunny fez subir ao palco José Feliciano, um cantor porto-riquenho dos anos 1970 que ganhou o mercado pop.
O apreço por suas origens se faz ainda mais presente em Debí Tirar Más Fotos, lançado no início de 2025. É um disco em que ritmos como salsa e plena (uma espécie de batuque porto-riquenho) se sobrepõem às eletronices de seu repertório habitual. As gravações aconteceram na Porto Rico natal do rapper e muitas tiveram o reforço de estudantes de grupos juvenis de música.
Canções como Lo Que Le Pasó a Hawaii mostram preocupação em relação à gentrificação da ilha, ao passo em que a faixa-título chama atenção para a valorização do passado e das tradições de Porto Rico. É um disco que ressalta as origens de Bad Bunny e celebra a cultura do país caribenho.
A alegria pelos troféus no Grammy foi acompanhada por um protesto contundente contra o ICE, os agentes de imigração americana, que têm usado de violência física – e em alguns casos matado pessoas – ao expulsar imigrantes ilegais dos Estados Unidos.
"Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos seres humanos e somos americanos. Além disso, quero dizer que sei que é difícil não odiar hoje em dia. Estava pensando, às vezes somos contaminados. O ódio fica mais poderoso com ódio. A única coisa mais poderosa que ele é o amor. Temos que ser diferentes. Se vamos à luta, que seja com amor. Não os odiamos, amamos nosso povo e nossa família. Não se esqueçam disso," discursou.
O protesto ressoou na Casa Branca. O presidente Trump já anunciou que não estará presente no Super Bowl neste domingo. Alegou que "é muito longe" e não conhece Bad Bunny. Pelo jeito, versos como "Aqui você é livre e tem orgulho/ Contanto que permaneça do seu lado," presentes na clássica America, ainda fazem sentido.
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"Bad Bunny's Grammy victory challenges prejudice against the Latino community in the US."
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P1
"Bad Bunny won three Grammys, including Album of the Year, in 2026."
Factual -
P2
"Bad Bunny will be the first Latino artist to perform at the Super Bowl halftime show."
Factual -
P3
"His album 'Un Verano Sin Ti' had 20 billion streams on Spotify."
Factual -
P4
"There are over 60 million Latinos in the US, with about 5 million from Puerto Rico."
Factual -
P5
"The massive Hispanic population in the US causes feels represented when a star like Bad Bunny breaks language and prejudice barriers."
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P6
"Bad Bunny adding elements of salsa and plena to his music causes results in an album ('Debí Tirar Más Fotos') that celebrates Puerto Rican culture."
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=== Propositions ===
P1 [factual]: Bad Bunny won three Grammys, including Album of the Year, in 2026.
P2 [factual]: Bad Bunny will be the first Latino artist to perform at the Super Bowl halftime show.
P3 [factual]: His album 'Un Verano Sin Ti' had 20 billion streams on Spotify.
P4 [factual]: There are over 60 million Latinos in the US, with about 5 million from Puerto Rico.
P5 [causal]: The massive Hispanic population in the US causes feels represented when a star like Bad Bunny breaks language and prejudice barriers.
P6 [causal]: Bad Bunny adding elements of salsa and plena to his music causes results in an album ('Debí Tirar Más Fotos') that celebrates Puerto Rican culture.
=== Causal Graph ===
the massive hispanic population in the us -> feels represented when a star like bad bunny breaks language and prejudice barriers
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