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Desenrolado, Pedro Turra negocia "Toddynho" com outros presos na Papuda

metropoles.com By Carlos Carone 2026-02-25 687 words
Na MiraColunas

Desenrolado, Pedro Turra negocia "Toddynho" com outros presos na Papuda

Com desenvoltura, o ex-piloto negocia as trocas pelas chamadas "brisas", pequenas passagens de ar responsáveis pela ventilação das celas

atualizado

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Mesmo isolado em uma cela individual do Pavilhão de Segurança Máxima (PSM) do Complexo Penitenciário da Papuda, o piloto Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, tem chamado atenção pelo comportamento considerado "desenrolado" por fontes do sistema prisional ouvidas pela coluna.

Segundo relatos, Turra, que não sai da cela nem mesmo para o banho de sol. Ele utiliza um solário acoplado à estrutura para receber os primeiros raios da manhã. O espaço permite entrada de luz natural e ventilação, garantindo o mínimo de exposição ao ambiente externo, ainda que sob rígido protocolo de segurança.

Mas é outro hábito que tem movimentado a rotina silenciosa da ala de segurança máxima. Aficionado por bebidas achocolatadas e doces, Turra teria passado a gritar para outros presos em celas vizinhas manifestando o desejo de "comprar" ou "trocar" os Toddynhos entregues em pelo menos duas refeições diárias, geralmente no café da manhã e na ceia.

Vídeo da agressão:

Troca pela "brisas"

O ex-piloto negocia as trocas por meio das chamadas "brisas", que são pequenas passagens de ar responsáveis pela ventilação das celas. É por esses vãos que objetos leves conseguem ser lançados de uma cela a outra.

As trocas ocorreriam mediante o arremesso cuidadoso dos produtos entre os detentos. A prática, embora monitorada, não é incomum em ambientes de encarceramento com estrutura semelhante.

Em 16 de fevereiro, Turra foi transferido para o PSM. A ala é destinada a presos com penas mais altas, integrantes de facções ou detentos que necessitam de resguardo de integridade física. Condição que, segundo fontes ligadas ao caso, teria motivado a decisão no caso do ex-piloto.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), em decisão expedida em 2 de fevereiro, autorizou que Turra permaneça em cela individual até nova deliberação judicial. Ele está preso preventivamente desde 30 de janeiro, denunciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar.

Entenda o caso:

Pedro Turra e um adolescente de 16 anos se envolveram em uma briga, na noite dessa quinta-feira (22/1), em Vicente Pires (DF).

Durante a briga, Pedro jogou um chiclete mascado em um amigo do menor de idade; este respondeu que não deixaria barato se a situação tivesse ocorrido com ele.

Em seguida, a briga começou. Vídeos gravados por testemunhas mostram Pedro e o adolescente se agredindo.

Em certo momento, o piloto dá um soco que faz o rapaz bater a cabeça em um carro. Ele parece perder as forças, e colegas, enfim, separam a briga.

Gravemente ferido, o menor que bateu a cabeça no carro foi levad
o ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde permanece intubado até sua morte. Ele vomitou sangue ao ser socorrido.

Pedro Turra será julgado por homicídio doloso.

Liberdade negada

A defesa do acusado ingressou com pedido para que ele aguardasse o julgamento em liberdade. No entanto, em 2 de fevereiro, o relator do habeas corpus, desembargador Diaulas Costa Ribeiro, negou a soltura.

Dez dias depois, a 2ª Turma Criminal do TJDFT manteve a decisão por unanimidade, rejeitando novamente o pedido da defesa. Pedro Turra é acusado pela morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, aos 16 anos.

O jovem foi agredido na noite de 22 de janeiro, em frente a um condomínio em Vicente Pires, após uma discussão na saída de uma festa. Imagens registraram o momento em que Rodrigo é atingido por um soco e bate a cabeça na lataria de um carro. Ele foi socorrido e internado no Hospital Brasília, onde permaneceu na UTI até falecer na manhã de 7 de fevereiro.

Rotina sob vigilância

No PSM, Turra permanece sob monitoramento constante. A cela individual, o uso restrito do solário e o controle rigoroso de circulação fazem parte do protocolo da ala de segurança máxima.

Apesar do isolamento, o comportamento comunicativo e as negociações por alimentos demonstram adaptação rápida às dinâmicas informais do ambiente carcerário. O caso segue em tramitação na Justiça do Distrito Federal. Ainda não há data definida para o julgamento.

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