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O truque malandro que Flávio Bolsonaro busca para se eleger presidente - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Henrique Rodrigues 2026-02-24 626 words
Olha o golpe...

O truque malandro que Flávio Bolsonaro busca para se eleger presidente

Ardiloso e perigoso, como o pai, o herdeiro ungido do bolsonarismo tenta agora uma manobra que pode beneficiá-lo. Só precisa ver se dará certo

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca profissionalizar sua imagem para se apresentar como candidato palatável ao mercado e eleitorado geral.

Estratégia de Flávio Bolsonaro visa construir candidatura com perfil distinto do pai, Jair Bolsonaro, buscando um discurso mais moderado.

Flávio Bolsonaro sondou marqueteiro Paulo Vasconcelos e
considera chapa com Romeu Zema (Novo) para atrair apoio em Minas Gerais e do empresariado.

Numa tentativa desesperada de se apresentar como um nome palatável ao mercado e às pessoas comuns, e tentar descolar sua imagem da toxicidade ideológica do "bolsonarismo raiz", o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensifica movimentos para profissionalizar sua estratégia. Na verdade, o que o filho 01 do ex-presidente criminoso desenha nos bastidores é um truque malandro para tentar chegar ao Planalto; uma tática que flerta abertamente com o estelionato eleitoral.

A ideia, soprada por aliados, é de um pragmatismo cínico: construir uma candidatura com contornos distintos do perfil de seu pai, aquele extremista tosco e assumido que durante quatro anos só reverberou ódio e pulsão de morte. Flávio, que já queria reeditar a "fórmula do Posto Ipiranga" de 2018, quando Jair Bolsonaro tentou se "vacinar" contra a rejeição do "mercado", ao escolher Paulo Guedes como guru, agora quer reproduzir essa mesma lógica em assuntos e temas gerais, para agradar ao eleitorado.

O "lobo" em pele de moderado

A intenção é vender a imagem de um conservador moderado, um candidato de direita "normal". O problema incontornável é que Flávio não é normal. De cariz violento, historicamente ligado a figuras sombrias e disseminador do ódio atroz, que é a marca registrada da família, a tarefa de "humanizá-lo" esbarra na realidade dos fatos.

Nesse contexto de simulação, Flávio sondou o marqueteiro Paulo Vasconcelos, que comandou Aécio Neves em 2014 e hoje trabalha com o governador goiano Ronaldo Caiado (PSD). A investida não é apenas técnica, mas geográfica: Vasconcelos detém as chaves do tabuleiro político de Minas Gerais, o estado que é o fiel da balança de qualquer eleição presidencial.

Dentro do bunker bolsonarista, Minas é tratado como peça-chave. Não por acaso, o entorno do senador já ventila a hipótese de uma chapa com o governador Romeu Zema (Novo) de vice. A avaliação é que a presença de Zema serviria como uma ponte de ouro com o empresariado e reforçaria um discurso liberal de fachada para esconder o autoritarismo latente do clã.

Fingimento como arma de guerra

Na prática, os movimentos de Flávio Bolsonaro indicam uma estratégia de pura maquiagem política, uma tentativa deliberada e fingida de esconder os dentes e guardar os gritos que sempre marcaram sua trajetória. Ao buscar a suavização da imagem, o senador tenta convencer o país de que o autoritarismo de sua linhagem pode ser domesticado sob uma nova embalagem, mais palatável e menos ruidosa.

Essa manobra passa obrigatoriamente pela profissionalização de sua estrutura de poder, substituindo o amadorismo ideológico das milícias digitais pelo pragmatismo de marqueteiros de renome. O objetivo central é um aceno cínico ao mercado, tentando provar que o sobrenome Bolsonaro pode, sim, vir acompanhado de terno, gravata e uma suposta previsibilidade institucional, algo que jamais fora visto com o pai.

Resta saber, contudo, se o eleitorado brasileiro, que ainda guarda as cicatrizes do histórico de exploração do ódio, das ameaças e da violência dessa família, vai aceitar passivamente essa versão sem-vergonha e artificial do herdeiro ungido. O truque está na mesa, mas a memória política do país é o obstáculo que Flávio e seus novos consultores talvez não consigam maquiar.

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