A
27/30
Excellent

Votação de projeto que autoriza uso de imóveis públicos para capitalizar o BRB é adiada na CLDF - Brasil de Fato

brasildefato.com.br By Clivia Mesquita 2026-02-24 1094 words
A votação do Projeto de Lei nº 2165/2026, que autoriza o Governo do Distrito Federal (GDF) a utilizar imóveis públicos para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB), prevista para esta terça-feira (24), não ocorreu. No mesmo dia, o Executivo encaminhou uma nova versão da proposta à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

O novo texto foi protocolado durante a reunião em que os parlamentares analisavam a antiga proposta, e mantém o pedido de tramitação em regime de urgência. A iniciativa partiu do governador Ibaneis Rocha (MDB).

A nova versão mantém a autorização para integralização de capital, alienação de bens públicos e operações de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou inst
ituições financeiras, até o limite de R$ 6,6 bilhões. Também preserva a possibilidade de securitização e constituição de investimento imobiliário.

A mudança mais visível está no anexo único que traz uma nova relação de imóveis passíveis de alienação ou para re
forço patrimonial do banco.

Cinco áreas já previstas no projeto anterior continuam no novo texto:

SIA – Tr
echo Serviço Público – Lote G (DF)

SIA – Trecho Serviço Público – Lote I (DF)

SIA/Sul – Área de Serviços Públicos – Lote B (Sede da Novacap), agora descrito como SIA – Lote B

Taguatinga – Qd 3, Conj. A, Lote 1 (Centrad)

SAI/N (antigo lote da PM)

Deixaram de constar no novo anexo:

Parque do Guará – Áreas 29 e 30

Lotes da Quadra 04 do SIA (1690 a 1760)

SMAS – Trecho 3 – Lote 8

SAIN – DEST CEB (Área Institucional do Noroeste)

SHIS QL 9 – Lote B (Lago Sul)

Áreas Isoladas Santa Bárbara e Papuda (Tororó)

Passaram a integrar o projeto:

SIA – Lote F (CAESB)

SIA – Lote H (DF)

SIA – Lote C (CEB)

Gleba "A", com 716 hectares, de propriedade da Terracap

Este último, embora o anexo descreva apenas a área como "Gleba A – com 716 hectares", a matrícula e as coordenadas indicam que se trata de uma servidão administrativa instituída por decreto em 2022, destinada à construção de uma adutora de água, ligando a margem do Lago Norte ao Núcleo Rural de Sobradinho. Trata-se de uma faixa estreita e extensa, equivalente a cerca de 1.023 campos de futebol em área linear, voltada à infraestrutura hídrica.

A inclusã
o levanta questionamentos técnicos: como uma servidão destinada a adutora pode ser monetizada ou despertar interesse da iniciativa privada? Até o momento, o projeto não detalha a modelagem prevista para esse tipo de ativo.

Segundo parlamentares, houve retirada de áreas inicialmente previstas, como o Parque do Guará, e inclusão de novos terrenos, incluindo a sede da Caesb no Setor Indústria.

Para o deputado distrital Fábio Félix (Psol-DF), não há condições de votação imediata. "Eles quer
iam votar o projeto hoje e, no meio do colégio de líderes, o projeto foi mudado. O governo enviou outro projeto. Então não há condições de votar esse projeto agora", afirmou.

Félix criticou a falta de informações detalhadas sobre o valor das áreas e a ausênc
ia de cálculos anexados ao texto. "É um cheque em branco. A gente não cumpriu nem o trâmite administrativo nos próprios órgãos."

O deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF) também cobrou transparência sobre o tamanho do rombo do banco. "A socieda
de precisa saber. Não pode ser reunião a portas fechadas. O presidente do BRB precisa dar explicações do tamanho do buraco."

Segundo Magno, o projeto não corrige vícios de origem e amplia os poderes do Executivo. "O governo está pedindo um cheque em branco. Não é só colocar imóveis como garantia. O texto fala de alienação e outros instrumentos jurídicos."

Qual o motivo da urgência?

Ele também questionou a urgência diante da divulgação do balanço do banco, prevista
para 31 de março. "Qual é a pressa? É salvar o BRB ou salvar um projeto político?", declarou Magno.

Já o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) afirmou que a nova versão não muda praticamente nada e criticou
a substituição de áreas no anexo. "Eles tiram o Parque do Guará e colocam a sede da Caesb, que é muito mais importante do ponto de vista simbólico e financeiro."

Vigilante anunciou que o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, foi convocado a comparecer à CLDF na próxima segunda-feira (2), às 9h, para prestar esclarecimentos. "Ele topou vir a convite. Queremos saber o tamanho do buraco e como está realmente a situação do BRB".

O parlamentar também responsabilizou o governo pela crise. "Quem é o controlador do banco? O governador do Distrito Federal. Portanto, ele tem que responder pelo que fez", ressaltou.

Durante a sessão, parlamentares de oposição cobraram a instalação da CPI para apurar a situação do BRB e possíveis impactos sobre imóveis públicos, incluindo áreas da Secretaria de Saúde e da Polícia Militar.

A deputada distrital Dayse Amarilio (PSB-DF) fez duras críticas ao texto e afirmou
que a Câmara não tem informações suficientes para votar o projeto. "Continuam as mesmas dúvidas que nós tivemos quando vieram aqui falar que estávamos comprando uma oportunidade. Vieram com slidezinhos que não diziam nada com nada. Eu não me sentia apta a votar porque não tinha informações", declarou.

A parlamentar questionou qual é, de fato, o tamanho da necessidade financeira do BRB. "Quanto o banco deve? Quanto vamos pegar de empréstimo no fundo garantidor? Alguém sabe responder?", provocou.

Dayse defendeu que a área técnica da Câmara participe da reunião com o presidente do banco e reforçou a necessidade de transparência. "A população merece respeito. A gente precisa ter dados técnicos e responsabilidade antes de colocar nossa digital em algo que pode causar mais perda de patrimônio."

Parlamentares da base se manifestam sobre o caso

Pela primeira vez diante da situação do BRB, parlamentares da base governista se manifestaram antes e durante a sessão ordinária da CLDF. O deputado distrital Hermeto (MDB) afirmou que a prioridade é preservar a instituição. "O que nós precisamos é salvar o nosso banco, os quatro mil empregos, não deixar federalizar o banco. É um patrimônio do povo do Distrito Federal."

Ele também defendeu que eventuais responsáveis sejam punidos. "Quem errou e levou o banco a esse estado, que pague. A Polícia Federal está investigando." Além de Hermeto, o deputado do PL Thiago Manzoni também cobrou explicações sobre o projeto.

Próximos passos

Com o adiamento da votação, a expectativa agora gira em torno da reunião de segunda-feira (2), quando o
presidente do BRB deverá apresentar informações aos deputados.

Somente após esse encontro a Câmara será pautada na semana seguinte ou se novas alterações serão necessárias.

:: Clique aqui para receber notícias do Brasil de Fato DF no seu Whatsapp ::

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic