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Felicidade carnavalesca tem suas vantagens - Crusoé

crusoe.com.br By Luiz Gaziri 2026-02-20 645 words
Felicidade carnavalesca tem suas vantagens

Quando estamos de bom humor, somos mais generosos, cooperativos e prestativos

Criticar o Carnaval, em alguns círculos, tornou-se regra. Para muitos, o Carnaval é uma festa inútil que somente atrasa o início dos negócios no Brasil ou pior, um momento de exaltação do pecado.

No entanto, o que poucos sabem é que um grande corpo de evidências científicas demonstra que a alegria do Carnaval gera vantagens cognitivas, psicológicas e físicas para aqueles que o aproveitam.

Em um experimento, a cientista Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte, colocou um grupo de pessoas para assistir vídeos positivos, outro para assistir vídeos negativos, e um terceiro para assistir vídeos neutros.

Em seguida, os participantes eram solicitados a fazer uma lista de todas as atividades que gostariam de fazer naquele dia.

Fredrickson descobriu que os participantes que assistiram a vídeos positivos fizeram listas mais longas de atividades em comparação com os outros grupos.

Isso significa que logo depois de passar por momentos felizes, as pessoas ficam mais motivadas, querem se engajar em mais atividades.

Em uma intervenção similar, Fredrickson descobriu que as pessoas também ficavam mais atentas a uma tarefa depois de terem assistido a vídeos positivos.

Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, realizou uma meta-análise de 225 estudos envolvendo mais de 275 mil pessoas, concluindo que pessoas felizes são 31% mais produtivas, vendem até 88% a mais e são 300% mais criativas.

Joseph Forgas, cientista da Universidade de New South Wales, revela em suas pesquisas que as pessoas quando estão de bom humor são mais generosas, cooperativas e prestativas.

Elas também lembram com mais facilidade de momentos positivos da vida, aprovam desconhecidos mais rapidamente e negociam de forma mais justa.

Um fato exaustivamente documentado é o de que emoções positivas causam a liberação do hormônio ocitocina, que fortalece a imunidade, inibe inflamações, executa efeitos antibióticos, acelera a cicatrização e regeneração de tecidos, além de atuar diretamente no sistema nervoso reduzindo o estresse.

Apesar de todas essas vantagens, o que intriga cientistas no mundo todo é o fato de que apesar de a felicidade ser um desejo comum para o ser humano, a maioria das pessoas não sabe o que verdadeiramente gera felicidade.

Quando falamos de Carnaval, o cientista Mike Norton, da Harvard, descobriu que experiências como viagens, passeios e shows nos deixam infinitamente mais felizes do que investir nosso dinheiro em carros, bolsas e sapatos.

Já o ganhador do prêmio Nobel, Daniel Kahneman, r
evelou em uma pesquisa que o momento mais feliz do dia das pessoas é quando elas estão se relacionando com outras, exatamente o que o Carnaval proporciona.

Por outro lado, quando estamos estressados, hormônios como cortisol e epinefrina são liberados, causando aceleração nos batimentos cardíacos, dilatação nos vasos e um aumento na pressão vascular – um mecanismo que nos ajudou a fugir de predadores.

No entanto, a ativação frequente desse mecanismo faz com que o indivíduo tenha mais chances de sofrer com diabetes, doenças cardíacas e circulatórias.

Robert Sapolsky, cientista da Stanford, aponta que o ser humano é a única espécie capaz de causar estresse a si mesmo.

Diferentemente de nós, as zebras não passam seu tempo livre criticando o comportamento de outras zebras que estão se divertindo na selva: a vida delas já é difícil o suficiente.

No final das contas, a tentativa de elevar a autoestima faz com que o crítico da felicidade alheia seja aquele que sofre em dobro: criando estresse desnecessário para si mesmo ao julgar que os foliões são vítimas de políticas de "pão e circo" ou hedonistas que se importam somente com prazeres imediatos; e perdendo a oportunidade de viver emoções positivas intensas durante a maior festa popular do mundo.

Luiz Gaziri é professor de ciências comportamentais, palestrante e autor de A Ciência da Felicidade e Neurobugs

Instagram: @luizgaziri

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

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