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Meta afirma não ter dados nacionais sobre golpes em plataformas • Lupa

agencialupa.org By Gabriela Soares 2026-02-24 715 words
A diretora de políticas econômicas da Meta na América Latina, Yana Dumaresq Sobral, afirmou nesta terça-feira, 24, que a empresa não produz dados nacionais sobre golpes digitais em suas plataformas. A empresa — dona do Facebook, Instagram e WhatsApp — foi convocada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, para prestar esclarecimentos sobre a circulação de anúncios golpistas, que podem, segundo o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da comissão, estar sendo usados para financiar o crime organizado no país.

Apesar da ausência de dados, a executiva afirmou que "prevenir golpes é uma prioridade máxima para a Meta" e que a empresa tem conseguido "avanços importantes" no combate a fraudes. "A Meta trabalha globalmente, então nós olhamos dados de forma global", disse.

A falta de dados específicos gerou críticas. O relator da CPI classificou a ausência de informações nacionais como "não razoável", apontando que o Brasil é um dos maiores mercados da big tech no mundo. Vieira também questionou a empresa sobre documentos internos — revelados pela agência Reuters em novembro do ano passado — que indicam que anúncios de golpistas ao redor do mundo geraram 16 bilhões de dólares em receita para a plataforma em 2024. A diretora negou conhecimento de documentos do gênero.

"Eu posso dizer ao senhor que eu trabalho com esse tema dentro da empresa há mais de 2 anos e meio. Nunca vi nenhum documento, não me lembro de ter visto nenhum documento que trouxesse esse tipo de interesse ou de abordagem", reiterou Sobral. A diretora acrescentou, ainda, que as práticas criminosas são prejudiciais à própria plataforma porque "desencorajam investimentos" de anunciantes legítimos.

Mesmo sem os dados específicos por região, a executiva afirmou que, no primeiro semestre do ano passado, equipes da Meta detectaram e desarticularam quase 12 milhões de contas no Facebook, Instagram e WhatsApp associadas a centros criminosos de golpes, a partir de colaboração com autoridades policiais e instituições parceiras no mundo. Em 2025, segundo ela, a empresa "removeu globalmente" mais de 134 milhões de anúncios fraudulentos, apoiou investigações que resultaram na identificação e prisão de golpistas e registrou queda superior a 55% nas denúncias de usuários sobre anúncios de fraude em suas plataformas.

Além disso, destacou a participação da Meta em iniciativas internacionais de troca de inteligência, como o Global Signal Exchange (GSE), que reúne empresas de tecnologia e autoridades públicas para compartilhar sinais e táticas de golpes, e a Global Anti-Scam Alliance (GASA), voltada à disseminação de boas práticas entre setores como tecnologia, finanças e pagamentos, entre outras parcerias. No Brasil, mencionou, por exemplo, a atuação na Aliança Nacional de Combate a Fraudes Digitais Bancárias — co presidida pelo Ministério da Justiça e pela Febraban —, a criação de canal direto com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e campanhas de conscientização, como a Central de Prevenção Contra Golpes.

Regras da Meta limitam acesso a dados sobre anúncios golpistas

Por regra, a Biblioteca de Anúncios da Meta — ferramenta que reúne as propagandas impulsionadas de forma paga nas plataformas da empresa — não divulga os valores investidos pelos anunciantes. A única exceção são os anúncios de natureza política ou eleitoral, que trazem dados sobre gastos e alcance. Fora desse recorte, não há transparência sobre quanto é desembolsado, pelo cliente, para impulsionar campanhas comerciais, o que impede estimar quanto criminosos pagam à plataforma para promover golpes.

Recentemente, uma investigação da Lupa identificou que um grupo criminoso desembolsou ao menos R$ 26 mil em apenas 11 dias para anunciar o golpe da "CNH Social". O esquema, que operava via Facebook e Instagram, não apenas aplicava prejuízos financeiros, como também roubava dados sensíveis, a exemplo do número de CPF e a data de nascimento das vítimas.

Um relatório produzido pelo Observatório Lupa apontou que, entre 2020 e 2024, plataformas da Meta concentraram a maior parte dos golpes verificados pela agência no período.

Para apoiar vítimas e auxiliar potenciais alvos, a Lupa mantém o projeto Será que é Golpe?, que reúne informações para prevenção e reação a fraudes digitais. A iniciativa é realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e disponibiliza centenas de conteúdos checados sobre diferentes esquemas, além de orientações práticas sobre o que fazer após cair em um esquema fraudulento.

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Editado por Luiz Henrique Gomes e Yara Amorim

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