B
25/30
Good

Crimes sexuais são 80% dos casos de escuta em mutirão do MPCE

opovo.com.br By Lara Vieira; Lara-Vieira 2026-02-25 790 words
Crimes sexuais são 80% dos atendimentos de escuta de crianças e adolescentes em mutirão do MPCE

Resumo

Atendimentos do mutirão seguem até esta sexta-feira, 27, em Fortaleza e Sobral

Ação prioriza acolhimento protetivo, com encaminhamentos em saúde e assistência

Mais de 300 aguardavam atendimento; 114 acolhimentos já foram realizados

80% dos casos atendidos envolvem crimes sexuais

Dos 114 atendimentos de escuta especializada para crianças e adolescentes vítimas de violência realizados durante mutirão do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), mais de 80% envolvem crimes sexuais.

O órgão faz, desde 20 de janeiro, mutirão para oferta de avaliação das necessidades de proteção, saúde e acompanhamento psicológico em casos de maus-tratos, violência psicológica, abandono e violência sexual.

Ação, executada pelo Núcleos de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) do MPCE, segue até sexta-feira, 27. Os atendimentos ocorrem em Fortaleza e Sobral, das 8h às 17h.

"Esse é um dado que nos preocupa muito e acende um alerta para uma problemática grave. Precisamos envolver toda a sociedade na prevenção desse tipo de conduta e também na denúncia desses casos. Porque esses são apenas os casos que chegaram até nós, mas quantos outros podem estar subnotificados?", indaga a promotora e coordenadora do Nuavv, Lívia Rodrigues.

Conforme Lívia, as idades das vítimas variam de dois a 17 anos, com predominância de adolescentes entre 12 e 16 anos.

O mutirão concentra atendimentos que estavam pendentes e já agendados, além de demandas espontâneas de vítimas que procuram diretamente o MPCE. De acordo com o órgão, desde o início de 2026, mais de 300 pessoas aguardavam a escuta especializada.

LEIA TAMBÉM | Fortaleza caminha para ter em fevereiro menos de um homicídio por dia

A promotora destaca que o mutirão tem como objetivo garantir mais celeridade ao atendimento dos casos e assegurar a proteção integral dos acolhidos. Para viabilizar os atendimentos, o Núcleo entra em contato direto com as famílias agendadas pelo órgão.

"Se for o caso, providenciamos até transporte, porque às vezes elas não têm condições de se deslocar, seja por serem do interior ou de um bairro mais distante", informa a promotora.

"Infelizmente, não conseguimos êxito em todos os contatos estabelecidos. Além disso, o comparecimento é espontâneo. Às vezes a pessoa já se mudou e não temos acesso ao novo endereço; em outras situações, confirmam que vão comparecer, mas no dia não aparecem", complementa.

A escuta tem caráter protetivo e não investigativo. "O procedimento é baseado em uma escuta especializada, justamente para evitar a revitimização. Não se trata, especificamente, de aprofundar os fatos de violência vivenciados, mas de identificar quais são as demandas de saúde e assistenciais que a criança ou adolescente esteja precisando naquele momento", detalha a promotora.

O ambiente é preparado para ser acolhedor e lúdico. A abordagem prioriza perguntas sobre o cotidiano, como escola e rotina, evitando entrar no relato direto da violência, salvo quando há manifestação espontânea.

A partir do diálogo conduzido por profissionais da Psicologia e da Assistência Social, são identificadas possíveis demandas, como acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou encaminhamentos na área educacional.

"O objetivo é garantir que, após a escuta, essa criança ou adolescente não saia apenas com um registro formal, mas com encaminhamentos concretos que assegurem a proteção e o acompanhamento adequados", diz a promotora.

Leia mais

Como identificar situações de violência contra crianças

Pais, responsáveis, familiares e conhecidos devem ficar atentos a mudanças de comportamento que podem indicar situações de violência contra crianças e adolescentes.

Entre os sinais estão isolamento, medo excessivo de determinada pessoa ou lugar, regressão comportamental, alterações no sono e na alimentação, queda no rendimento escolar e resistência em frequentar ambientes habituais.

"Evidentemente, nem toda mudança significa, necessariamente, um episódio de violência. É preciso analisar o conjunto de fatores e o contexto", ressalta Lívia Rodrigues.

Em crianças menores, que ainda não conseguem se expressar com clareza, podem surgir queixas físicas, nos membros e nas regiões intimas, especialmente em casos de violência sexual.

Segundo Lívia Rodrigues, a mensagem principal com o mutirão de acolhimento é que vítimas e familiares não estão sozinhos. "Procurem ajuda, procurem apoio. Não deixem que a situação de violência se agrave, seja física ou psicologicamente. Há suporte disponível no núcleo e nos demais órgãos da rede de proteção."

LEIA TAMBÉM | Ceará possui 885 tornozelados por violência doméstica

Serviço

Quem perdeu a data agendada ou deseja buscar atendimento pode procurar o serviço mesmo após o fim do mutirão.

Em Fortaleza, o Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) funciona na Rua Assunção, 1100, bairro José Bonifácio. Telefones: (85) 3218-7630 e (85) 98563-4067. E-mail: [email protected].

Em Sobral, o atendimento ocorre na Rua Coronel José Saboia, nº 513, Centro, no prédio da Casa do Cidadão. Telefone: (88) 3614-4478. E-mail: [email protected].

O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic