Paz derretendo: por que o Ártico desperta interesse global
Rafael Balago
Repórter de internacional e economia
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.
No começo do filme Frankenstein, que concorre ao Oscar deste ano, um navio encalha no gelo do Oceano Ártico, no começo do século 19. Duzentos anos depois, o risco de um acidente assim ocorrer é menor, pois a região está derretendo. Nas últimas décadas, com o aquecimento global, mais áreas estão ficando descobertas, o que aumentou a circulação de navios cargueiros.
A abertura de novas rotas desperta também interesse militar e de mineração. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala há meses que quer anexar o Canadá e a Groenlândia e, assim, ampliar seu controle sobre o extremo norte global.
"Com o recuo do gelo, os países são forçados a um contato mais próximo, e a competição por recursos e rotas se torna muito mais difícil de contornar", diz Anthony Heron, pesquisador do The Arctic Institute, um dos principais centros de pesquisa sobre a região, com sede em Washington. "O interesse dos EUA, da Rússia, da China e de outros Estados está transformando o Ártico de uma fronteira periférica em um ponto focal da geopolítica do século 21."
Navegar pelo norte significa economizar. Uma viagem entre a China e a Europa pode levar 22 dias pelo Canal de Suez ou dez dias pelo Ártico. Em 2025, houve duas semanas de navegabilidade plena na rota na costa norte da Rússia, e 88 cargueiros aproveitaram um caminho que, até 2010, era inviável.
O acesso interessa não só aos navios comerciais, mas às forças militares. A Rússia tem um problema histórico de falta de portos em mares que não congelam no inverno. Sua principal saída marítima, pelo Mar Negro, está com o acesso dificultado pela guerra na Ucrânia, e o país tem investido mais em bases costeiras do Ártico. Isso gera preocupação dos EUA, pois algumas dessas bases possuem mísseis de longo alcance que podem chegar ao território americano ao cruzarem o Polo Norte. Assim, Groenlândia e o Canadá funcionam como uma espécie de barreira (veja o mapa abaixo).
A presença de minerais na região, que poderiam ser extraídos com o degelo, também desperta interesse. Estimativas americanas afirmam que a Groenlândia pode ter uma das dez maiores reservas globais de terras raras, elementos usados em aparelhos de alta tecnologia, como carros elétricos.
Apesar do degelo, Justin Barnes, pesquisador da Arctic Initiative, da Universidade Harvard, diz que a melhora nas condições de acesso à região levará tempo. "A falta de infraestrutura em muitas partes do Ártico é um grande desafio", afirma. "Mais portos, campos de pouso, estradas e navios quebra-gelo não vão surgir da noite para o dia. Esse será um longo processo que levará décadas. Não vai acontecer nos próximos cinco ou dez anos."
Barnes pondera que a conexão digital na região deverá avançar mais rapidamente, com o uso de mais cabos submarinos e de conexão por satélite, o que facilita as operações militares. Ao mesmo tempo, o derretimento de gelo traz um desafio inesperado: estradas, portos e outras estruturas construídas em cima das geleiras antes permanentes agora terão de ser movidas. "Está ficando mais difícil operar em alguns trechos, porque, embora tenha menos gelo, em algumas partes da rota há mais gelo acumulado, o que torna as coisas mais arriscadas e imprevisíveis", diz Barnes.
Embora distante no mapa, o Ártico traz ainda um alerta para o Brasil. "É um cenário muito difícil que se desenha, no qual as ameaças de grandes potências se exponencializam e no qual o Brasil tem grandes vulnerabilidades, em especial no terreno militar", diz Ronaldo Carmona, professor na Escola Superior de Guerra e senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
"As grandes potências buscam dominar os recursos naturais. O Brasil é um país muito rico, e isso nos coloca como alvo direto", diz Carmona. O futuro da disputa pelo Ártico será, afinal, um exemplo claro de como o mundo passará a lidar com áreas naturais ainda inexploradas e que guardam riquezas.
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Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
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No logical inconsistencies detected; arguments flow coherently from evidence.
Core Claims & Their Sources
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"Melting Arctic ice is increasing geopolitical competition among major powers."
Source: Anthony Heron, researcher at The Arctic Institute Named secondary
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"Arctic shipping routes offer significant time savings compared to traditional routes."
Source: Presented as general knowledge/fact with supporting data Unattributed
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"Infrastructure development in the Arctic will be a slow, decades-long process."
Source: Justin Barnes, researcher at Harvard's Arctic Initiative Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (6)
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P1
"In 2025, there were two weeks of full navigability on the northern Russia route with 88 cargo ships."
Factual -
P2
"A trip between China and Europe takes 22 days via Suez Canal or 10 days via Arctic."
Factual -
P3
"Greenland may have one of the world's ten largest rare earth reserves."
Factual -
P4
"Global warming causes more ice-free areas -> increased ship traffic"
Causal -
P5
"Ice retreat causes forced closer contact between countries -> more difficult competition for resources and routes"
Causal -
P6
"Melting ice causes need to move infrastructure built on previously permanent glaciers"
Causal
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=== Propositions === P1 [factual]: In 2025, there were two weeks of full navigability on the northern Russia route with 88 cargo ships. P2 [factual]: A trip between China and Europe takes 22 days via Suez Canal or 10 days via Arctic. P3 [factual]: Greenland may have one of the world's ten largest rare earth reserves. P4 [causal]: Global warming causes more ice-free areas -> increased ship traffic P5 [causal]: Ice retreat causes forced closer contact between countries -> more difficult competition for resources and routes P6 [causal]: Melting ice causes need to move infrastructure built on previously permanent glaciers === Causal Graph === global warming -> more icefree areas increased ship traffic ice retreat -> forced closer contact between countries more difficult competition for resources and routes melting ice -> need to move infrastructure built on previously permanent glaciers
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.