B
23/30
Good

André Mendonça autorizou quebra de sigilo de Lulinha antes de votação na CPI do INSS

otempo.com.br By Ana Paula Ramos 2026-02-26 609 words
BRASÍLIA - O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos bancários, fiscais e telemáticos de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha". Fábio é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi revelada pelo jornal "Estado de S. Paulo".

A decisão de Mendonça ocorreu em janeiro deste ano, ou seja, antes da aprovação da quebra de sigilo bancário nesta quinta-feira (26/2) pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que investiga fraudes e descontos indevidos de aposentados e pensionistas. A autorização do Supremo para o acesso aos dados atendeu a um pedido da Polícia Federal e está sob sigilo.

Leia mais: CPI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha em sessão tumultuada e com embate físicoNo pedido, a PF indicou ao STF que as investigações sobre desvios em descontos de aposentados e pensionistas do INSS revelam citações a Fábio Luís. Há a suspeita de que o filho do presidente pode ter atuado como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como principal operador do esquema do INSS.

Apesar de não ter participação direta nos fatos, Lulinha teria atuado em incentivo a projetos empresariais de Antônio Camilo, intermediado pela empresária Roberta Luchsinger, que foi alvo de busca e apreensão da operação Sem Desconto, que apura os desvios do INSS.

"Em investigações policiais, tais afirmações devem ser analisadas com cautela e submetidas a verificação rigorosa, a fim de evitar conclusões precipitadas. Nesse cenário, as referências colhidas até o momento apontam para menções realizadas por terceiros e vínculos indiretos, que sugerem a possível participação de Fábio Lula em movimentações destinadas a fomentar projetos empresariais de Antônio Camilo", diz trecho do documento.

"Eventualmente confirmadas as citações e hipóteses criminais levantadas, e uma vez deferidas e cumpridas as medidas cautelares propostas neste representação, a Polícia Federal adotará todas as providências necessárias ao fiel cumprimento de sua missão constitucional: entregar a verdade dos fatos aos legitimados da persecução penal, livre de interferências externas ou narrativas políticas, assegurando que nenhuma injustiça seja cometida, considerando a polarização política existente no país", continua a PF.

Em nota divulgada anteriormente, advogados de Fábio Luís afirmaram que ele "não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa".

"Lamentamos que mais uma vez o nome de Fábio Luís Lula da Silva esteja sendo utilizado indevidamente com interesses escusos, em mais uma tentativa de atingir indiretamente o governo", afirma trecho do comunicado.

O presidente Lula já afirmou que conversou com o filho após o nome dele ter sido citado na CPMI do INSS. O petista relatou que chamou Lulinha no Palácio do Planalto para uma conversa e que alertou o filho de que se ele tivesse algum envolvimento com os descontos indevidos, ele deveria "pagar o preço".

"Quando saiu o nome do meu filho, chamei ele e disse: só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço, mas se não tiver, se defenda", contou.

Tumulto marcou sessão da CPI do INSS

Em meio a uma sessão marcada por tumulto e até embate físico entre parlamentares, a CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva.

A decisão provocou reação imediata de parlamentares da base governista, que contestaram a inclusão do nome de Lulinha no escopo da apuração. Deputados e senadores aliados do Planalto argumentaram que não haveria provas concretas contra o Lulinha.

integrantes da oposição defenderam que a medida é necessária para aprofundar a apuração de eventuais vínculos financeiros.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic