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'Barata', limpa e flexível: conheça a mini fábrica de chip da USP

uol.com.br By Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes Colunistas de Tilt 2026-02-12 823 words
'Barata', limpa e flexível: conheça a mini fábrica de chip da USP

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(Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre tecnologia no podcast Deu Tilt. O programa vai ao ar às terças-feiras no YouTube do UOL, no Spotify, no Deezer e no Apple Podcasts. Nesta semana, em Deu Tilt, o cardápio é o seguinte: chip e existência humana; o erro da 'megafab' no Brasil; as PocketFab)

Mesmo com recursos e tecnologia para produzir semicondutores, o Brasil depende quase que totalmente da importação de milhões de chips por ano. Em entrevista ao Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP, explica que a universidade quer mudar esse quadro com as PocketFab, as mini fábricas de chips feita na USP.

O país tem silício, terras raras, água, energia e demanda, mas, segundo Zuffo, o chip ainda chega caro por aqui porque poucas nações dominam a produção e impõem barreiras tecnológicas. Ele defende que soberania não é só ter matéria-prima, mas controlar o processo inteiro, de ponta a ponta, sem depender de outros países.

[Soberania] É ir da aplicação de ar a você fabricar o chip, não dependendo de ninguém. Você tem o domínio absoluto do processo fim a fim.Marcelo Zuffo

As PocketFab são fábricas menores, portáteis e replicáveis, capazes de serem instaladas em diferentes regiões e de atender demandas locais com flexibilidade.

O projeto-piloto funcionará foi lançado em janeiro e fu
ncionará no campus da USP no Butantã, em uma área de quase 150 metros quadrados, ao custo de R$ 89 milhões, o maior investimento que a USP já fez em uma iniciativa.

Para Zuffo, o projeto é um degrau para que o país comece a subir a escada da indústria de semicondutores.

Uma dessas unidades pode produzir até 6 milhões de chips por ano, estima o professor. Tudo ao custo de cerca de US$ 10 por chip.

Outra das características das fábricas é sua replicabilidade de maneira flexível, a se adequar às necessidades de uma demanda local, diz Zuffo. Uma fábrica custará US$ 15 milhões, mas versões menores podem começar em US$ 1,5 milhão. O modelo também é escalável: se a demanda aumentar, basta duplicar o número de máquinas.

O professor ressalta que a PocketFab é como uma "padaria de chips", que usa equipamentos de vários países, mas permite autonomia e criatividade local para construir e adaptar as máquinas. Ele cita o exemplo do professor Ronaldo da Poli, que já desenvolveu equipamentos essenciais no Brasil.

Para Zuffo, a inovação da USP pode inspirar outros cientistas e empresas nacionais a investir no setor. Ele relata que já há interesse de grandes indústrias em instalar PocketFabs em regiões industriais do país, inclusive em contêineres, para atender diferentes polos produtivos.

'A existência humana depende da tecnologia de chip'

Cerca de metade do PIB mundial depende dos semicondutores, que estão em quase tudo, do celular ao carro. Mas para Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP, essa tecnologia é mais do que apenas um motor da economia. É crucial para a sobrevivência da humanidade na Terra.

Toda essa tecnologia, que é uma relação simbiótica com o humano, é um fator determinante da própria existência do ser humano no planeta Terra. Existem os lados negativos da tecnologia, mas imagine a gente enfrentar a pandemia sem chip? Foi graças aos chips que nós conseguimos simular e processar vacinas em tempo real. Se a gente não tivesse essa capacidade, talvez o legado da pandemia seria uma quantidade de humanos mortos dez vezes maior do que hoje. A própria existência humana nesse planeta depende da tecnologia de chip.Marcelo Zuffo

Instalar fábricas gigantes de chips no Brasil é um erro, diz Marcelo Zuffo

As megafábricas de chips demandam bilhões de dólares, consomem enormes volumes de água e energia e geram resíduos tóxicos, tornando-se inviáveis do ponto de vista ambiental e econômico para o Brasil, afirma Marcelo Zuffo.

Ela é cara, ela é pesada, ela não é flexível. Só tem megafábrica na Ásia até hoje porque foi a única região do mundo que aceitou se submeter a níveis de poluição absurdos. Quando você vai fabricar o chip, você usa muita água, produtos com alta toxicidade, efluentes, ácidos. E aí que está o problema. As 'megafabs' estão se lixando para a sustentabilidade. Elas não são sustentáveis do ponto de vista de consumo de energia, não são sustentáveis do ponto de vista de consumo de água.Marcelo Zuffo

Criar fábrica de chip no Brasil é lançar foguete para Marte, diz diretor da USP

Líder do projeto das mini fábricas de chip da USP, Marcelo Zuffo diz que as PocketFab enfrentam um obstáculo menos óbvio: a ansiedade nacional. O diretor do InovaUSP fala dos desafios de criar uma fábrica de chips inédita no Brasil. Para ele, a complexidade é próxima à de uma missão espacial.

Nós estamos, guardadas as proporções, lançando um foguete para a Marte.Marcelo Zuffo

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