B
25/30
Good

Caso PM Gisele: testemunhas citam “instabilidade emocional” de coronel

metropoles.com By Alfredo Henrique 2026-03-14 642 words
Caso PM Gisele: testemunhas citam "instabilidade emocional" de coronel

Corregedoria da PM instaurou inquérito para apurar denúncia a qual afirma que oficial teria ameaçado e intimidado soldado baleada na cabeça

atualizado

Compartilhar notícia

A investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Sant
ana, de 32 anos, passou a incorporar relatos que descrevem o comportamento do marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53, como marcado por episódios de instabilidade emocional e atitudes de intimidação.

As informações constam na portaria que instaurou o Inquérito Policial Militar (IPM) aberto pela Corregedoria da PM para apura
r denúncias envolvendo o relacionamento do casal. O documento, elaborado dois dias após a morte da soldado, aponta que testemunhas teriam presenciado episódios de perseguição e ameaças contra a policial.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça, na manhã de 18 de fevereiro, na sala do apartamento onde vivia com o oficial, no Brás, região central da capital paulista. Ela foi so
corrida em estado gravíssimo e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu, horas depois.

O caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita, enquanto a Corregedoria da PM conduz apuração paralela sobre possíve
is crimes militares ligados ao relacionamento do casal.

Denúncia menciona perseguição e ameaças

De acordo com a portaria que determinou a abertura do IPM, obtida pelo Metrópoles, a Corregedoria recebeu uma denúncia relatando que o oficial apresentaria comportamento instável.

No documento, consta que o te
nente-coronel possuiria "instabilidade emocional" e que seriam recorrentes episódios de perseguição e intimidação contra a soldado.

"O oficial possuía instabilidade emocional, sendo recorrentes os episódios de perseguição, intimidação e ameaças em desfavor da soldado PM Gisele Alves Santana, a qual vivia em estado de apreensão e medo", diz trecho do documento oficial.

Ainda de acordo com o registro, esses episódios teriam sido presenciados por diversas testemunhas, o que motivou a abertura da investigação interna.

Relacionamento descrito como "conturbado"

A própria portaria da Corregedoria descreve o relacionamento entre o casal como marcado por conflitos. O document
o menciona que, segundo registros policiais, Gisele e o coronel mantinham um "relacionamento conjugal conturbado".

Nesse contexto, a investigação aponta que, na data da morte da policial, teria ocorrido uma discussão entre os dois antes do disparo que atingiu a cabeça da soldado.

Segundo a versão defendida pelo tenente-coronel, Gisele teria feito o disparo contra si mesma, utilizando a arma pertencente ao marido, hipótese também
analisada pelas autoridades.

Investigação em duas frentes

Enquanto a Corregedoria da PM apura as denúncias envolvendo o comportamento do oficial, a Polícia Civil conduz a investigação criminal sobre a morte da soldado, até o momento tratada como "suspeita".

O caso ganhou novos desdobramentos após surgirem dúvidas sobre a dinâmica da ocorrência dentro do apartamento.

Depoimentos de testemunhas, registros de câmeras de segurança e análises periciais passaram a ser examinados para esclarecer o que ocorreu na manhã em que Gisele foi baleada.

Entre os pontos analisados pelos investigadores estão o intervalo entre o disparo ouvido por uma vizinha e as chamadas feitas às centrais de emergência, além da movimentação de pessoas no apartamento após a retirada da vítima.

Exumação autorizada

Diante das dúvidas sobre a dinâmica da morte, a Justiça autorizou, recentemente, a exumação do corpo da soldado — medida q
ue deve permitir novas análises periciais.

A expectativa é que os exames complementares ajudem a esclarecer detalhes sobre a trajetória do disparo e as circunstâncias em que a policial foi mortalmente ferida.

Versão do coronel

Desde o início do caso, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto sustenta a versão de que a esposa teria tirado a própria vida.

A defesa do oficial afirma que ele tem colaborado com as investigações e que agua
rda a conclusão dos laudos e depoimentos para o completo esclarecimento do caso.

As apurações seguem em andamento tanto na esfera criminal quanto na investigação administrativa conduzida pela Polícia Militar.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic