Irã entre a seca, a guerra e o colapso ambiental
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Imagens de enormes colunas de fogo e fumaça cobrindo cidades no Irã que começaram a aparecer nos últimos dias, depois que depósitos de combustível foram atingidos pelos ataques de Israel, chamam a atenção para um outro lado da guerra no Irã: ela pode levar a um grande desastre ambiental.
Claro que o impacto ambiental é um efeito de outras guerras, como as que temos em curso entre Rússia e Ucrânia e na Faixa de Gaza. Bombardeios destroem tudo, inclusive florestas, sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto. O solo fica improdutivo, rios ficam contaminados.
Um levantamento da ONU destacou que a destruição de prédios, rodovias e infraestrutura em geral gerou milhões de toneladas de destroços, muitos deles contaminados com o tóxico amianto. Comentei sobre os impactos ambientais em Gaza nesta coluna do ano passado.
Isso sem falar nas emissões de gases de efeito estufa provenientes dos esforços militares, como a gente já falou neste episódio do Bom Dia, Fim do Mundo, e que minha colega Isabel Seta descreveu tão bem nesta recente reportagem na Agência Pública.
Mas no Irã a situação é particularmente complexa. O país é um dos maiores produtores de combustíveis fósseis do mundo. Se esses depósitos passarem a ser cada vez mais o alvo, como foi no começo desta semana, estamos falando da queima instantânea de petróleo nas explosões, liberando, junto com a fumaça, uma infinidade de poluentes tóxicos para a atmosfera. Isso traz riscos à saúde humana, de animais e para o meio ambiente.
Os ataques, verdade seja dita, vão para os dois lados. O Irã também atacou refinarias em outros países do Oriente Médio aliados de Estados Unidos e Israel, e navios petroleiros no Estreito de Ormuz também estão na mira, o que leva ao risco de derramamento de petróleo no mar.
Essa poluição não se dissipa e ainda volta com a chuva. A ONU alertou na terça-feira (10 de março) para uma chuva negra em Teerã, carregada de petróleo, após os ataques. Há também o risco de chuva ácida, que ocorre quando o excesso de gases poluentes da queima dos combustíveis reage com o vapor d'água presente no ar, formando os ácidos sulfúrico e nítrico.
Ao caírem na terra com a chuva, contaminam ecossistemas, as águas de rios e lagoas e o solo. Danos de longo prazo, que tendem a durar muito além da guerra.
Isso tudo em um país localizado na região de maior escassez hídrica do mundo e que estava sendo gravemente afetado por uma seca que se prolongou pelos últimos cinco anos. No fim do ano passado, o governo chegou a considerar uma evacuação de Teerã, cidade onde vivem 10 milhões de pessoas, pela total ausência de chuvas. Com cinco anos de seca, os reservatórios que abastecem a cidade estavam praticamente vazios.
De acordo com analistas, a situação era produto de décadas de superexploração, agricultura ineficiente e uso urbano descontrolado. Mas, claro, tudo isso ainda foi piorado pelo aquecimento global.
Em novembro de 2025, a organização científica World Weather Attribution, que investiga o quanto eventos extremos que têm ocorrido em todo o mundo podem ter sido piorados pelas mudanças climáticas, apontou que "há fortes evidências de que as mudanças climáticas induzidas pelo homem aumentaram o risco de seca em mais de dez vezes e que essa mudança reverteu os ganhos de desenvolvimento obtidos após os conflitos na região". A referência, claro, é a guerras anteriores.
De acordo com a análise, 90% da água do Irã é consumida pela agricultura. E a seca, que atinge toda a bacia dos rios Tigre e Eufrates, levou à maior estiagem do registro histórico para a produção agrícola. Ondas de calor extremo também atingem a região. Em agosto de 2023, no verão do hemisfério norte, o país chegou a decretar dois dias de feriado porque as temperaturas chegaram a 50 °C.
Com a guerra, o quadro tende a ficar pior. De acordo com reportagem da Bloomberg, após os ataques aos depósitos de combustíveis nas proximidades de Teerã, o fogo aparentemente se espalhou por onde antes eram canais de drenagem.
"O Irã já não era capaz de se adaptar a nenhuma das consequências que as mudanças climáticas trazem para a água", afirma Susanne Schmeier, professora de cooperação hídrica, direito e diplomacia no IHE Delft, na Holanda, que estuda a crise hídrica no Irã há anos e é citada pela Bloomberg. Com o país mergulhado na guerra, planos para pensar em medidas de adaptação ficam completamente de escanteio, diz.
Para piorar, parte da estratégia para lidar com a escassez já típica da região, piorada pela crise climática, foi a construção de plantas de dessalinização de água e grandes reservatórios. Só que, na guerra, eles viram também potenciais alvos.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Good mix of named expert sources and organizational reports, though some references are to the author's own previous work.
Specific Findings from the Article (4)
"Susanne Schmeier, professora de cooperação hídrica, direito e diplomacia no IHE Delft, na Holanda"
Named academic expert with specific credentials
Expert source"De acordo com analistas"
General reference to analysts without specific names
Secondary source"De acordo com reportagem da Bloomberg"
Citing another media outlet
Tertiary source"Um levantamento da ONU destacou"
Reference to UN report without specific document
Secondary sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Acknowledges environmental impacts affect both sides but focuses primarily on Iran's situation.
Specific Findings from the Article (3)
"Os ataques, verdade seja dita, vão para os dois lados."
Explicit acknowledgment that attacks go both ways
Balance indicator"O Irã também atacou refinarias em outros países"
Notes Iran's offensive actions as well
Balance indicator"ela pode levar a um grande desastre ambiental"
Focuses primarily on environmental disaster angle
One sidedContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Comprehensive context including historical drought data, climate change analysis, regional water scarcity, and specific statistics.
Specific Findings from the Article (4)
"cidade onde vivem 10 milhões de pessoas"
Specific population data for Tehran
Statistic"90% da água do Irã é consumida pela agricultura"
Precise water usage statistic
Statistic"seca que se prolongou pelos últimos cinco anos"
Historical context about drought duration
Background"as temperaturas chegaram a 50 °C"
Specific temperature data
StatisticLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
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Specific Findings from the Article (4)
"De acordo com analistas, a situação era produto de décadas"
Factual reporting with attribution
Neutral language"A ONU alertou na terça-feira (10 de março)"
Neutral reporting of UN warning
Neutral language"grande desastre ambiental"
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Sensationalist"chuva negra em Teerã"
Descriptive but potentially emotional language
SensationalistTransparency
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Full author attribution, date stamp, clear quote attribution, and references to previous work.
Specific Findings from the Article (2)
"afirma Susanne Schmeier, professora de cooperação hídrica"
Clear attribution of expert quote
Quote attribution"imáticas, apontou que "há fortes evidências "
Attribution to World Weather Attribution organization
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; arguments build coherently from environmental impacts to climate context.
Core Claims & Their Sources
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"The war in Iran could lead to a major environmental disaster due to attacks on fuel depositories and the country's existing water crisis."
Source: Analysis by author with support from UN reports, Bloomberg reporting, and expert testimony Named secondary
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"Iran's water crisis has been exacerbated by five years of drought, inefficient agriculture, and climate change."
Source: Analysts cited generally, plus specific data from World Weather Attribution organization Named secondary
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"War prevents Iran from implementing adaptation measures to address climate impacts."
Source: Professor Susanne Schmeier quoted via Bloomberg Expert source
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (9)
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P1
"Iran is one of the world's largest fossil fuel producers"
Factual -
P2
"Tehran has 10 million inhabitants"
Factual -
P3
"90% of Iran's water is consumed by agriculture"
Factual -
P4
"Temperatures reached 50°C in August 2023"
Factual -
P5
"The drought has lasted five years"
Factual -
P6
"Burning fossil fuel deposits releases toxic pollutants causes health and environmental risks"
Causal -
P7
"Climate change causes increased drought risk by more than ten times"
Causal -
P8
"War causes distraction from climate adaptation planning"
Causal -
P9
"Pollution from attacks causes acid rain and ecosystem contamination"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Iran is one of the world's largest fossil fuel producers P2 [factual]: Tehran has 10 million inhabitants P3 [factual]: 90% of Iran's water is consumed by agriculture P4 [factual]: Temperatures reached 50°C in August 2023 P5 [factual]: The drought has lasted five years P6 [causal]: Burning fossil fuel deposits releases toxic pollutants causes health and environmental risks P7 [causal]: Climate change causes increased drought risk by more than ten times P8 [causal]: War causes distraction from climate adaptation planning P9 [causal]: Pollution from attacks causes acid rain and ecosystem contamination === Causal Graph === burning fossil fuel deposits releases toxic pollutants -> health and environmental risks climate change -> increased drought risk by more than ten times war -> distraction from climate adaptation planning pollution from attacks -> acid rain and ecosystem contamination
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.