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É falso que Irã admitiu ter bombardeado escola por engano • Lupa

agencialupa.org By Carol Macário 2026-03-11 667 words
Publicações virais no WhatsApp e no Facebook alegam que autoridades do Irã teriam admitido ter bombardeado uma escola e "matado suas próprias crianças". Segundo o post, a Guarda Revolucionária (IRGC) do país teria reconhecido que bombardeou a instituição de ensino por engano. É falso.

Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

"URGENTE: O REGIME IRANINO ADMITIU QUE A GUARDA REVOLUCIONÁRIA (IRGC) BOMBARDEOU POR ENGANO UMA ESCOLA IRANIANA ONTEM, MATANDO SUAS PRÓPRIAS CRIANÇAS. A TODA A MÍDIA TRADICIONAL E AOS INFLUENCIADORES PRÓ-REGIME QUE DIVULGARAM SUAS NOTÍCIAS FALSAS"
– Conteúdo de post que circula no WhatsApp

"URGENTE: O REGIME IRANINO ADMITIU QUE A GUARDA REVOLUCIONÁRIA (IRGC) BOMBARDEOU POR ENGANO UMA ESCOLA IRANIANA ONTEM, MATANDO SUAS PRÓPRIAS CRIANÇAS. A TODA A MÍDIA TRADICIONAL E AOS INFLUENCIADORES PRÓ-REGIME QUE DIVULGARAM SUAS NOTÍCIAS FALSAS"

– Conteúdo de post que circula no WhatsApp

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), do Irã, não admitiu ter bombardeado por engano uma escola no país. Não existe nenhum registro oficial de que a IRGC ou o governo iraniano tenham reconhecido a autoria do disparo. Pelo menos 175 pessoas morreram no ataque em 28 de fevereiro, a maioria crianças.

A conta oficial do governo do Irã no X não fez nenhuma publicação admitindo um possível erro. Ao contrário, imediatamente após o ataque e nos dias seguintes, a mídia estatal iraniana culpou os Estados Unidos e Israel pelo ataque e as mortes das crianças.

No mesmo dia do bombardeio, em 28 de fevereiro, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, publicou no X que "os EUA e Israel lançaram um ato de agressão flagrante e injustificado contra o Irã ao atingir indiscriminadamente cidades iranianas". Já o porta-voz do ministério da saúde do Irã, Hossein Kermanpour, publicou no mesmo dia que houve "um ataque de míssil inimigo contra uma escola primária feminina".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem insistido que a bomba que atingiu a escola na cidade de Minab, no Sul do Irã — no primeiro dia de ataques de Israel e EUA contra o Irã — teria sido disparada pelos próprios iranianos por engano. Trump afirmou que os iranianos "são muito imprecisos com as munições".Apesar das acusações, até o momento nenhum dos países assumiu a responsabilidade pelo bombardeio, classificado como um crime de guerra. Além disso, investigações feitas por diferentes analistas e jornalistas investigativos, a partir de vídeos, indicam que a bomba que atingiu a escola partiu, sim, dos militares dos EUA.

Com base em uma análise de imagens de vídeo divulgadas em 8 e 9 de março, o grupo internacional de jornalismo investigativo Bellingcat indicou que um míssil Tomahawk dos Estados Unidos teria sido responsável pela explosão que atingiu a escola. Ainda segundo a Bellingcat, dentre os três países em conflito, apenas os EUA comprovadamente possuem mísseis desse tipo.

As imagens analisadas foram divulgadas pela Mehr News e geolocalizadas pela equipe da Bellingcat. As cenas mostram fumaça subindo nas proximidades da instituição. A análise contradiz as afirmações de Trump.

Outros veículos de comunicação estrangeiros, como a PBS, a CNN e o The New York Times também publicaram análises de vídeos e imagens de satélite que apontam a culpa do ataque aos Estados Unidos.Além disso, uma investigação militar preliminar feita por oficiais estadunidenses indicou que o ataque de 28 de fevereiro ao prédio da escola primária em Minab foi resultado de um erro de direcionamento das forças armadas dos EUA. Reportagem do The New York Times revelou que oficiais do Comando Central teriam criado as coordenadas do alvo para o ataque usando dados desatualizados fornecidos pela Agência de Inteligência de Defesa.

Vale pontuar que o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu uma apuração imparcial e minuciosa sobre as circunstâncias do bombardeio.

Esse conteúdo foi verificado por agências de checagens internacionais, como o Politifact e o Chequeado. No Brasil, o Boatos.org também checou essas alegações falsas.

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