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Como o Caminho das Árvores deixou de ser um bairro tradicional de casas para virar o centro de lojas de decoração

correio24horas.com.br By Millena Marques 2026-03-14 530 words
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Millena Marques

Millena Marques

Publicado em 14 de março de 2026 às 06:00

O bairro do Caminho das Árvores, em Salvador, hoje conhecido pela concentração de lojas de decoração e design de interiores, nem sempre teve perfil comercial. Segundo o historiador Rafael Dantas, a área que forma o entorno do Iguatemi era, até meados do século XX, uma grande área verde, com fazendas, chácaras e terrenos ainda pouco ocupados.

"Ali, até meados do século XX, tínhamos uma grande concentração no entorno de áreas que pertenciam ao município e outras terras que eram de propriedades privadas, fazendas, grandes chácaras e áreas ainda com muita cobertura verde", explica.

A mudança começou a partir da segunda metade do século XX, com transformações importantes na infraestrutura urbana de Salvador. De acordo com o historiador, a construção das avenidas de vale, iniciada nos anos 1960, foi determinante para permitir o deslocamento populacional e abrir espaço para novos empreendimentos na região.

"O grande ponto de mudança, de fato, é a criação do shopping e toda a mudança do entorno viário. Antes disso, a construção das avenidas de vale a partir dos anos 60 possibilitou o deslocamento populacional e a criação de novos empreendimentos", afirma.

Alameda das Espatódeas, no Caminho das Árvores

Entre os marcos desse processo está a implantação do Shopping Iguatemi (hoje Shopping da Bahia), em 1975 e, posteriormente, a abertura da Avenida Tancredo Neves, que consolidou a região como novo centro empresarial da cidade. A partir da década de 1980, o perfil do bairro começou a se modificar, com a substituição gradual das grandes casas e mansões por empreendimentos comerciais e corporativos.

Apesar disso, o historiador destaca que, durante os anos 1980 e 1990, o bairro ainda mantinha forte característica residencial de alto padrão. A transformação mais intensa para atividades comerciais e escritórios ocorreu apenas no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Nesse período, também ocorreu uma mudança importante na dinâmica econômica da capital baiana. O eixo de negócios da cidade deixou de se concentrar no Centro Antigo de Salvador e passou a gravitar em torno da região do Iguatemi e da Tancredo Neves.

"Como o núcleo comercial e de empreend
imentos empresarial de Salvador, onde circula o dinheiro de forma pulsante, sai do Centro Antigo para ir para essa área, Iguatemi e redondezas, é visível que pessoas que dialoguem diretamente com o setor de comércio comecem a buscar um espaço para fazer os seus empreendimentos, as suas lojas voltadas a onde o dinheiro circula", observa.

Esse movimento ajudou a atrair negócios voltados ao público de maior poder aquisitivo, como lojas de mobiliário e decoração. Hoje, um dos principais pontos desse segmento na cidade está na Alameda das Espatódeas, que concentra diversas marcas do setor, entre elas a Essence In Home, a Empório Magma e a MS Home.

Para Dantas, as mudanças no bairro refletem um processo mais amplo de transformação urbana vivido pela capital baiana. "Salvador passa por grandes transformações, são mudanças constantes e essas mudanças mostram um reflexo de uma cidade que busca caminhos de alterações na sua malha viária e no planejamento urbano, mas que também mostram um desplanejamento", avalia.

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