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2026 será de transformação, não de contenção, diz Genoíno

jornalggn.com.br By Carla Castanho 2026-03-14 767 words
O clima para a sucessão presidencial de 2026 já começou a ferver, e as estratégias de bastidores indicam um cenário de polarização ainda mais profunda. Em debate na TV GGN [confira abaixo], o ex-deputado federal José Genoíno afirmou que a próxima campanha terá um caráter distinto da de 2022. Segundo ele, se o último pleito foi focado em "conter" o avanço da extrema direita, o próximo será a "campanha da transformação".

Genoíno defendeu que o governo e o PT adotem uma postura mais ofensiva e menos pragmática diante das crises. "Não podemos enfrentar uma campanha desse tamanho e dessa envergadura só dialogando, só pregando a conciliação. 2026 será a campanha da transformação", pontuou o ex-parlamentar, sugerindo que o governo deve responder de forma incisiva às investidas do sistema financeiro e da mídia corporativa, a fim de romper com o "pragmatismo limitador".

"Nós não temos outra saída: ou mostramos nossas identidades e para onde vamos, ou seremos engolidos pelo pragmatismo. A 2026 exige uma campanha militante, politizada, que dialogue com a população nas ruas e na internet. Precisamos de um discurso de reforma estrutural, sem ser sectário, mas com muita informação. O povo brasileiro está com a vida difícil e precarizada; nossa missão é oferecer transformação real, rompendo com os limites do arcabouço e das pressões externas, para que o Brasil finalmente se coloque em primeiro lugar".

"Nós não temos outra saída: ou mostramos nossas identidades e para onde vamos, ou seremos engolidos pelo pragmatismo. A 2026 exige uma campanha militante, politizada, que dialogue com a população nas ruas e na internet. Precisamos de um discurso de reforma estrutural, sem ser sectário, mas com muita informação. O povo brasileiro está com a vida difícil e precarizada; nossa missão é oferecer transformação real, rompendo com os limites do arcabouço e das pressões externas, para que o Brasil finalmente se coloque em primeiro lugar".

Um governo mais à esquerda em 2026

O cientista político Carlito Neto, que também participou do debate, reforçou a tese de que o governo Lula 4.0 caminha para uma posição "potencialmente mais à esquerda do que muitos imaginam. A mídia agora tenta desgastá-lo, mas é o comportamento de sempre. Eles só apoiaram o Lula em 2022 porque a própria existência deles estava em risco. Passada a emergência, voltam a assassinar a verdade para favorecer interesses estratégicos".

Essa guinada estratégica tem repercussão global. Para Carlito, a possibilidade de Lula consolidar seu último mandato como a maior referência da esquerda mundial acendeu o alerta em Washington, que passa a enxergar no Brasil um polo de resistência ao seu projeto de hegemonia.

"O Lula é o esquerdista mais perigoso do mundo para nomes como Steve Bannon, porque ele é carismático e tem história. Ele é o 'poster boy' da esquerda global", afirmou Carlito.

"O Lula é o esquerdista mais perigoso do mundo para nomes como Steve Bannon, porque ele é carismático e tem história. Ele é o 'poster boy' da esquerda global", afirmou Carlito.

Nessa lógica, o "imperialismo americano" já atua para desgastar a candidatura petista, temendo a influência do Brasil no Sul Global e a resistência de Lula às diretrizes econômicas neoliberais, tendo em vista a recente luta por pautas que favorecem os mais pobres, como a isenção do IR e o fim da escala 6×1.

"O imperialismo trabalha com a ideia de que os outros têm que ser obedientes. Eles tentam esconder a capacidade diplomática do Brasil, como fizeram no acordo com o Irã, porque não querem legitimar uma liderança do Sul Global que não baixa a cabeça".

"O imperialismo trabalha com a ideia de que os outros têm que ser obedientes. Eles tentam esconder a capacidade diplomática do Brasil, como fizeram no acordo com o Irã, porque não querem legitimar uma liderança do Sul Global que não baixa a cabeça".

Histórico de resistência

Carlito Neto argumenta ainda que a atual hostilidade da imprensa não é um fenômeno novo, mas um padrão histórico de resistência à figura de Lula.

Ele recorda que, desde 1989, o eleitorado tem sido bombardeado por campanhas de medo, que foram do alarmismo sobre confisco de bens pessoais, como aparelhos de som, ao uso político do Plano Real nos anos 90 para pintar o PT como uma ameaça à estabilidade.

Essa trajetória de desgaste sistemático culminou na avalanche de desinformação de 2018, marcada por episódios surreais como o da "mamadeira de piroca" e pela farsa da Operação Lava Jato.

Para Carlito, compreender esse uso estratégico do medo e da desinformação é essencial para ler a dinâmica da disputa atual e a resiliência do presidente diante das pressões institucionais que se repetem no presente.

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