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Manutenção de pneus: do rodízio à calibragem, saiba como prolongar a vida útil e garantir segurança

agazeta.com.br By Filipe Turini 2026-03-14 996 words
Estagiário do Estúdio Gazeta / [email protected]

Publicado em 14 de março de 2026 às 18:27

Com o uso diário do carro, seja para ir ao trabalho, seja para transportar a família, seja para rodar longas distâncias, os pneus acabam sendo um dos componentes mais exigidos do veículo. Ainda assim, é comum que só recebam atenção quando já apresentam desgaste excessivo ou algum problema mais grave.

O cuidado com os pneus, no entanto, vai além da troca quando a borracha chega ao fim. Manutenção preventiva, rodízio correto, calibragem adequada e atenção na forma como a substituição é feita são cuidados que fazem a diferença na segurança, estabilidade e até no consumo.

Uma dúvida recorrente entre motoristas surge no momento da troca parcial dos pneus. Quando apenas dois precisam ser substituídos, onde eles devem ser instalados, no eixo dianteiro ou traseiro? Segundo a Dunlop Pneus, a recomendação é simples: os pneus novos devem sempre ir para o eixo traseiro.

A orientação vale para veículos com tração dianteira, traseira ou integral e está diretamente relacionada à estabilidade do carro. Pneus traseiros mais desgastados tendem a perder aderência com mais facilidade, especialmente em curvas e pistas molhadas, o que aumenta o risco de derrapagem.

"Em uma frenagem brusca ou em curvas sobre piso molhado, pneus mais aderentes na traseira são fundamentais para manter a estabilidade e evitar o deslizamento do carro. É o que chamamos popularmente de sair de traseira, um movimento difícil de corrigir e que pode causar acidentes graves", explica Hugo Issao Terazaki, gerente de Serviços Técnicos da Dunlop Pneus.

Enquanto a perda de aderência na dianteira costuma ser mais intuitiva de corrigir pelo motorista, a instabilidade na traseira pode fazer o veículo girar, exigindo técnica e rapidez para evitar acidentes.

Além da posição correta, outro ponto importante é que a substituição dos pneus seja feita sempre em pares, no mesmo eixo. Pneus com níveis de desgaste diferentes alteram o comportamento do veículo, principalmente em curvas e frenagens.

"Quando o motorista substitui apenas um pneu, cria-se uma diferença de comportamento entre os lados do carro, o que afeta diretamente o controle e a estabilidade", destaca Terazaki.

Esse desequilíbrio pode não ser percebido em trajetos curtos ou no uso urbano, mas se torna mais evidente em situações de emergência ou em rodovias.

Para evitar desgaste irregular e aumentar a durabilidade do conjunto, o rodízio dos pneus é uma prática recomendada por especialistas. O procedimento deve ser feito, em média, a cada 5 mil quilômetros, dependendo do tipo de pneu e do uso do veículo.

"O pneu deve ser verificado periodicamente, e o rodízio ajuda a equilibrar o desgaste. Quando feito com frequência, é possível ganhar pelo menos uma vida e meia de pneu, o que representa economia ao longo do tempo", explica o especialista em engenharia automotiva Everton Luiz Peroni.

Nos veículos mais comuns, o rodízio consiste em levar o pneu dianteiro esquerdo para a traseira esquerda e o dianteiro direito para a traseira direita. Em alguns casos, o estepe também pode entrar no processo, desde que seja do mesmo tipo e medida dos pneus em uso.

"Muita gente não sabe se o estepe pode participar do rodízio. Quando ele fica parado por muito tempo, acaba envelhecendo e perdendo sua utilidade", alerta Peroni.

Todo pneu possui um indicador de desgaste chamado TWI, localizado entre os sulcos da banda de rodagem. Quando a borracha atinge esse nível, a profundidade chega ao limite legal de 1,6 milímetro, o que indica a necessidade de substituição imediata.

"Esse indicador é padrão e deve ser analisado sempre por um profissional. A partir desse ponto, o carro perde muito poder de frenagem, independentemente de ter sistemas eletrônicos de segurança", explica Peroni.

Rodar com pneus carecas, além de infração de trânsito, compromete seriamente a segurança dos ocupantes do veículo e de outros usuários da via.

Outro cuidado simples, mas frequentemente ignorado, é a calibragem. Pneus com pressão incorreta sofrem desgaste irregular, aumentam o consumo de combustível e podem até apresentar falhas estruturais.

"O ideal é calibrar os pneus a cada 7 a 15 dias. É uma verificação preventiva, não significa que o pneu esteja vazio", orienta Peroni.

A pressão correta indicada pelo fabricante costuma estar em uma etiqueta no próprio veículo ou no manual. Ajustes feitos sem seguir essa orientação podem prejudicar tanto o pneu quanto a suspensão.

Sempre que um pneu é trocado, o alinhamento e o balanceamento devem ser realizados. O alinhamento verifica se os ângulos da suspensão e da direção estão corretos, enquanto o balanceamento evita vibrações e desgaste precoce.

"Se o carro estiver desalinhado, o pneu vai gastar de forma irregular. Muitas vezes o motorista troca o pneu, mas não corrige a causa do problema", explica o especialista.

Nem todos os motoristas sabem trocar um pneu, o que pode se tornar um transtorno em rodovias ou locais afastados. Por isso, alguns itens simples podem ajudar em situações emergenciais. Kits de reparo para pequenos furos e sprays vedantes, conhecidos como veda-pneus, são alternativas que permitem chegar até uma oficina sem precisar fazer a troca imediata.

"São soluções acessíveis e que podem evitar uma dor de cabeça grande, principalmente para quem pega estrada com frequência", afirma Peroni.

Para quem adquiriu o primeiro carro ou utiliza o veículo diariamente como ferramenta de trabalho, a principal recomendação é não deixar a manutenção para depois. Cuidar dos pneus é uma questão de atenção e responsabilidade. Pequenos hábitos no dia a dia ajudam a preservar o veículo, reduzir custos e garantir mais segurança para todos no trânsito.

"Muita gente só se preocupa quando a peça já quebrou. A manutenção preventiva, principalmente dos pneus e da suspensão, é sempre mais barata e muito mais segura", finaliza Everton Luiz Peroni.

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