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Safadão nega relação política; PF cita propina a Júnior Mano

opovo.com.br By Mariana Lopes; Mariana-Lopes 2026-03-14 1131 words
Safadão nega envolvimento político após PF citar pedido de propina camuflada de Júnior Mano

Resumo

Em nota, Wesley Safadão declarou que não po
ssui envolvimento político e afirmou que as mensagens tratam apenas de um pedido de patrocínio comum no setor de eventos e entretenimento;

O deputado Júnior Mano, em nota, afirmou que os diálogos obtidos pela PF "não apontam qualquer ilegalidade"

A investigação ainda cita mensagens sobre a liberação de aeronaves vinculadas ao cantor para uso em deslocamentos de campanha e menciona troca de mensagens entre Yvens Watila, irmão e empresário do artista, e Junior Mano.

O relatório final da Polícia Federal menciona "solicitação camuflada de propina" entre o de
putado federal investigado Junior Mano (PSB) e o cantor Wesley Safadão. Segundo o relatório, houve a solicitação de patrocínio de R$ 200 mil da empresa BetVip para um evento em Nova Russas, em 2024, no qual a PF sugere que seja um pedido de propina camuflado.

Em nota, Wesley Safadão negou "qualquer envolvimento político" com o parl
amentar e ressaltou que a troca de mensagens entre o deputado Júnior Mano e o artista "diz respeito exclusivamente a um pedido de patrocínio encaminhado ao cantor, algo comum dentro do ambiente de eventos e entretenimento".

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Capturas de tela de conversas no WhatsApp mostram o deputado apresentando a programação do evento Festeja Nova Russas e mencionando a empresa como possível fonte do recurso.

Por meio de nota enviada pela assessoria do parlamentar ao O POVO, o deputado federal afirmou que os diá
logos atribuídos a ele "não apontam qualquer ilegalidade" que tenha sido cometida pelo parlamentar.

"Estranha-se que o 'patrocínio' solicitado pelo parlamentar venha após a indicação do referido cantor como atração musical na cidade de Nova Russas, cidade administrada pela esposa do parlamentar", registra o relatório. "Esse contexto permite inferir que os prints localizados se tratam de solicitação camuflada de propina, com devolução de parte do valor contratado", aponta o relatório.

Segundo a PF, as mensagens indicam que o pedi
do de Junior Mano foi feito após a indicação do cantor como atração do evento.

A investigação registrou ainda conversa do parlamentar com uma servidora do Serviço Social do Comércio (Sesc), na qual o parlamentar expôs preocupação com a preservação da data de interesse do cantor. "Mas tô preocupado com a data do cantor passar pra frente", disse Junior Mano à servidora.

"Essa camada ilustra a defesa ativa, pelo deputado, de compromissos voltados ao interesse da Prefeitura de Nova Russas e de determinado cantor, reforçando a intersecção entre políticas municipais e a agenda de atrações artísticas", diz a PF.

O artista foi contratado pela Prefeitura de Nova Russas por cerca de R$ 900 mil, por meio de inexigibilidade Ocorre qua
ndo não é possível realizar uma competição entre fornecedores para a contratação de um serviço ou aquisição de um produto devido à singularidade do objeto ou à inviabilidade de competição de licitação, conforme dados do Portal da Transparência. Também há referência a uma contratação pela Prefeitura de Morada Nova, distante 149 km da Capital, estimada em R$ 1 milhão. Um extrato relacionado a esse contrato foi encontrado entre arquivos pessoais do parlamentar, segundo o relatório.

O nome de Safadão aparece cinco vezes ao longo do relatório, que tem quase 400 páginas. Em um dos trechos, o documento indica que Júnior Mano teria solicitado ao então ministro de Portos e Aeroportos apoio para a liberação de duas aeronaves vinculadas ao cantor (prefixos PR-LBE e PP-BST) junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Na mensagem citada no relatório, o deputado afirma que utilizaria as aeronaves em deslocamentos durante campanhas eleitorais.

"Passando 2 pedidos pra você do mesmo assunto: liberação de 2 aeronaves do Wesley safadão (o vendedor só libera com essa autorização) da Anac. Precisando urgente, porque vou andar nesse menor nas campanhas, não aguento mais carro...rsrs(sic)"

Junior Mano

Há registros em imagens e vídeos que mostram o parlamentar no interior dessas aeronaves.

Confira nota de Wesley Safadão na íntegra

Wesley Safadão não possui qualquer envolvimento político com as pessoas mencionadas. A troca de mensagens divulgada entre o deputado Júnior Mano e o artista diz respeito exclusivamente a um pedido de patrocínio encaminhado ao cantor, algo comum dentro do ambiente de eventos e entretenimento.

Não houve, por parte de Wesley, qualquer participação em articulações políticas, apoio a iniciativas dessa natureza ou relação com decisões institucionais. O artista segue dedicado integralmente à sua carreira musical e aos seus projetos profissionais.

Relação da família com o parlamentar

O relatório também menciona Yvens Watila, irmão de Safadão e gestor da carreira do cantor. Segundo a PF, Watila mantém uma relação próxima com o parlamentar.

Em julho de 2025, durante cumprimento de mandados na Operação Underhand, agentes encontraram Watila no apartamento funcional de Júnior Mano, em Brasília. Um veículo vinculado à empresa YW Administração de Bens Ltda estava estacionado na garagem do imóvel, em Fortaleza.

"A sequência dos achados, em suma, demonstra relação estreita e operacional entre o núcleo familiar do artista e o parlamentar, sem barreiras na troca de mensagens e na presença física", definiu a Polícia Federal.

Em outra captura de tela, é possível ver uma mensagem de Watila dizendo: "Afastaram o prefeito de Itapiúna". Conforme a PF, a troca de mensagens "ratifica a proximidade temática e temporal do núcleo do cantor com acontecimentos administrativos relevantes".

Edim Oliveira

Welignton Silva de Oliveira, o Edim Oliveira (PP) também é um dos nomes mencionados na investigação. Em captura de tela anexada no relatório, há uma conversa entre Adriano Bezerra, assessor de Junior Mano, e o parlamentar sobre sobre "10k asfalto sede Aracoiaba" e a necessidade de "ajeitar um negócio pro rapaz", em referencia ao município gerido por Edim na época.

O prefeito é irmão do cantor Wesley Safadão e contou com o seu apoio na eleição de 2024. Edim teve
os direitos políticos suspensos devido a uma condenação definitiva por estelionato. Em fevereiro de 2026, o Ministério Público Eleitoral cobrou a extinção do mandato dele à Câmara Municipal de Aracoiaba.

A investigação teve início após denúncia formalizada por Maria do Rozário, então prefeita do município de Canindé e prima do ex-
senador Chiquinho Feitosa (Republicanos), relacionada à compra de votos na região. O documento ainda reúne conversas do prefeito cassado de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), além de registros de transações financeiras e vínculos empresariais. De acordo com a Polícia Federal, o material aponta para uma atuação coordenada entre os investigados, com foco nas eleições de 2024.

Confira a nota de Junior Mano na íntegra:

Nota

Os diálogos atribuídos ao deputado Júnior Mano, obtidos ao longo de um ano de investigação, não apontam qualquer ilegalidade que tenha sido cometida pelo parlamentar. Lamentamos, no entanto, que algumas interpretações maliciosas e sem qualquer fundamento estejam sendo usadas para a produção de fake news em período de pré-campanha eleitoral

Assessoria de Imprensa do deputado Júnior Mano

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