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Rali interrompido: mais de 80% das ações do Ibovespa acumulam queda em março

exame.com By Mitchel Diniz 2026-03-16 504 words
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 16 de março de 2026 às 05h00.

O Ibovespa chega à segunda metade de março sob forte pressão. Após um início de ano marcado por recordes e forte entrada de capital estrangeiro, o mercado passou por uma correção abrupta. O índice acumula uma queda de 5,9% no mês e reduziu os ganhos obtidos em 2026 para 10,27%. E pensar que dias antes do Irã ser bombardeado por Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, o Ibovespa chegou em sua maior pontuação da história: 192.624 pontos. Ao atingir esse pico, o índice marcava alta de quase 20% no ano. Ou seja, praticamente metade do valor que o índice conseguiu gerar em dois meses foi destruída quinze dias.

A disparada do petróleo e o aumento da incerteza global levaram investidores a reduzir posições em ações, pressionando bolsas ao redor do mundo — incluindo o mercado brasileiro. Olhando para a carteira do Ibovespa, mais de 80% das ações do índice acumulam queda no mês. Por outro lado, a maioria dos papéis ainda registra valorização em 2026, refletindo o forte rali observado nos primeiros meses do ano, quando um movimento de realocação global impulsionou a entrada de capital estrangeiro em países emergentes.

A lista das dez maiores baixas do Ibovespa na primeira quinzena de março trás empresas endividadas. A maior queda no período foi a da CSN (CSNA3), que perdeu um terço do seu valor de mercado. A companhia terminou 2025 com uma dívida líquida de R$ 37,5 bilhões. Aproximadamente R$ 10 bilhões vencem já este ano. A empresa teve sua nota de crédito rebaixada pela agência de classificação de risco Moody's em função disso.

A Raízen, segunda colocada na lista, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, no maior processo desse tipo já registrado no país.

Situação semelhante ocorre com o Grupo Pão de Açúcar (GPA). A varejista também entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. Mais da metade desse valor também está vencendo este ano. No último balanço da varejista, a administração alertou que a situação financeira poderia inviabilizar o futuro operacional da companhia.

Mesmo em um ambiente de queda generalizada, algumas empresas conseguiram manter desempenho positivo em março, principalmente papéis considerados mais defensivos ou ligados a commodities.

A maior alta do índice até agora é um nome que parecia improvável de encabeçar a lista até pouco tempo atrás. Ainda que em apuros financeiros, a Braskem foi beneficiada por uma forte alta no mês relacionada à entrada de seu novo controlador, a gestora IG4.

Por outro lado, a presença de petrolíferas no ranking não surpreende, dada a disparada no preço do barril do petróleo, que chegou aos maiores patamares em quase quatro anos. Destaque para os papéis da Petrobras, segunda e terceira maior alta do Ibovespa no mês (PETR3 e PETR4, respectivamente). Prio e PetroRecôncavo também estão no 'top 10'. Já Brava (BRAV3) não acompanhou o movimento, registrando queda 3,92% no período.

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