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Apoio ao fim da escala 6x1 cresce e alcança 71% dos brasileiros

jornalggn.com.br By Ana Gabriela Sales 2026-03-15 503 words
O debate sobre a extinção da jornada de trabalho 6×1 (seis dias de atividade para um de descanso) consolidou-se na opinião pública brasileira. Segundo pesquisa Datafolha realizada entre os dias 3 e 5 de março, 71% dos brasileiros defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana. O índice revela um crescimento no suporte à medida em comparação a dezembro de 2024, quando o apoio era de 64%.

A proposta, que ganha tração no Congresso Nacional, sugere a transição para o modelo 5×2, limitando a jornada a 40 horas semanais sem redução salarial. Atualmente, o tema é tratado como prioridade pelo Palácio do Planalto, que enxerga na pauta um forte apelo popular em ano eleitoral.

Divisões por perfil e renda

Curiosamente, o levantamento mostra que quem já usufrui de jornadas menores é mais favorável à mudança do que aqueles que estão submetidos à escala 6×1. Entre os que trabalham até cinco dias por semana, o apoio chega a 76%. Já entre os que trabalham seis ou sete dias, o índice cai para 68%.

A diferença é explicada pela composição do mercado: o grupo com jornadas extensas concentra mais autônomos e microempreendedores, que associam o tempo de trabalho diretamente à renda.

Impacto social e gênero

O recorte de gênero evidencia que as mulheres são as principais entusiastas da proposta: 77% são favoráveis, contra 64% dos homens. O dado corrobora o discurso do presidente Lula (PT), que em pronunciamento recente destacou que a redução da jornada aliviaria a sobrecarga feminina com tarefas domésticas.

No campo geracional, a adesão é massiva entre os jovens de 16 a 24 anos (83%), diminuindo progressivamente conforme a idade avança, chegando a 55% entre os idosos com 60 anos ou mais.

Incerteza econômica e polarização

Apesar do otimismo quanto à qualidade de vida, 76% acreditam que a mudança será benéfica para o bem-estar pessoal, o impacto nas empresas ainda divide a população. Exatos 39% preveem efeitos positivos para o setor privado, enquanto outros 39% temem consequências negativas. No entanto, quando a análise foca na economia nacional como um todo, metade dos entrevistados (50%) projeta um cenário "ótimo ou bom" com a nova regra.

A polarização política também molda as opiniões. O apoio ao fim da escala 6×1 é de 82% entre eleitores do presidente Lula, caindo para 55% entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

Próximos passos no Legislativo

A pressão das ruas começa a ecoar na Câmara dos Deputados. Na última terça-feira (10), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realizou a primeira audiência pública para discutir as propostas de emenda à Constituição (PECs) que tratam do tema. O avanço no colegiado é considerado o passo fundamental para que a matéria siga para votação em plenário, onde precisará de quórum qualificado para alterar a CLT e a Constituição Federal.

O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

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